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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Em boca fechada não entra mosca



É engraçado perceber como as pessoas gostam de falar. Elas falam das próprias vidas, das vidas alheias, do que gostam, não gostam, do que pensam ou não, sempre esperando ser ouvidas e, quiçá, compreendidas, derramando enxurradas de palavras sem se importar, na maioria das vezes, se o outro está enfastiado ou, igualmente precisando ser ouvido. Essa necessidade de se expressar é tão grande, que já não basta apenas fazê-la oralmente: são sites de relacionamento (facebook, twitter); e-mails; fotologs (porque falar pode significar “mostrar”); blogs... As pessoas precisam falar o que pensam e veem sobre o mundo. Têm necessidade de compartilhar o que fizeram, ou os planos que têm, ou ainda, aquilo que não são e nunca serão, mas gostariam de ser... Assim, nas falas e imagens tentam convencerem-se a si mesmas de que possuem estilos, comportamentos e talentos que jamais terão.
O mais estranho é que, nem sempre, as pessoas fazem questão de que a outra parte as esteja aceitando, compreendendo, ouvindo ou recebendo... A necessidade é de apenas externar, pôr pra fora, fazer-se ouvido, independente de ouvir algo em troca, ver a situação de outro modo ou, apenas, perceber o ridículo ou insensatez a que muitas vezes se submetem... Qualquer conto que aumente meio ponto já está valendo, parece que, já que a pessoa não pode brilhar, não está na mídia ou sua vida não tem holofotes, ela precisa aparecer de alguma forma, e por isso cria mil e uma maneiras de comunicar ao mundo todo esse vazio interior, que tenta preencher em festas, viagens, relacionamentos rápidos ou contatos no facebook. Parece que falar que foi para os EUA ou que seu conhecido é arquiteto, ou da formatura da prima vai lhe fazer sentir maior, mais bem visto, mais que os outros... Ou usar tênis da Nike, ou namorar alguém muito visado na aparência, ou ter recebido proposta para trabalhar num cruzeiro. Todas essas coisas.
As pessoas gostam de falar. Contar vantagens, exibir-se, mostrar o que são e o que não são, demonstrar sentimentos que têm ou nunca tiveram, falar do carro que tiveram ou nunca terão. Mas, o mais engraçado ainda não é nem essa necessidade, acalentada desde os primórdios do homem pré-histórico, com desenhos pictóricos em suas cavernas e no couro de animais abatidos. O mais engraçado é aquilo que não se conta, que não se fala, aquilo do qual se fica quieto, em silêncio, esperando ser notado. O mais estranho é aquilo que se espera que os outros vejam, percebam; aquilo que é sentido verdadeiramente, que é profundo e ninguém pode ver. Aquele sonho real, aquelas palavras do fundo da alma, aquele “te amo” a quem se ama mesmo, e que nunca é dito. As pessoas gostam de falar, precisam. Mas, seria muito melhor se falassem do essencial, do que realmente importa. Que tornassem esse mundo mais bonito ao invés de ajudá-lo a ser o que é...   

2 comentários :

Mars disse...

É interessante como descubro alguns blogs ao acaso e algumas das postagens caem exatamente em como estou pensando no momento...
Adorei seu post, simplesmente gostei muito
Eu era (e ainda) sou assim. Mas com o tempo meu olho abriu mais... Postava, postava e postava fotos, alguns pensamentos, marcava as pessoas... e aos poucos fui reparando que na maioria das vezes era pra mostrar
depois que fui me "calando" mais, me senti melhor...
to valorizando esse silêncio
obrigada pelo seu post, foi muito bom lê-lo
abraço

Kelly Phoenix disse...

=]
É tão bom quando vejo que o que eu disse calou em, pelo menos, mais uma pessoa... Me sinto menos solitária nas minhas teorias tão... "minhas"... :)
Obrigada, Mars,apareça mais vezes!

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