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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Então, é Natal... O consumo nosso de cada dia



Faz tempo que queria escrever algo sobre consumo, de forma completa e visionária, de modo que temo que esse texto não fique como pretendo. Contudo, indispensável escrevê-lo, nem que seja para amainar a consciência de ter exposto alguns conceitos e, talvez, feito com que pelo menos uma pessoa passasse a ter percepção deles.
Você está lendo meu texto em seu notebook ou computador de última geração. Talvez, no celular, mais avançado ainda, já que tem internet. Remexe-se ansioso na cadeira confortável; resolve relaxar e tira o Nike dos pés. Agora sim, você pode ler. Mas, só mais um pedaço, porque tá ficando chato. Olha o relógio da Mormaii no pulso. Já se passou quase um minuto inteiro até aqui.
Às vezes, nem percebemos, mas o consumo e o incentivo a ele estão em tudo. Desde nosso colchão king size, às roupas até as prestações da TV. Somos bombardeados 24 horas por dia com mensagens publicitárias, destacando as vantagens de uma marca em relação à outra, preços e custos-benefícios. Se a população fosse mais consciente, dar-se-ia conta de que perde a vida fazendo algo que não gosta para satisfazer desejos que não tem.
Tudo aquilo que você tem ou quer ter são/ foram desejos em algum momento “injetados” em você por algum fator externo. Seja a propaganda, a grama do vizinho mais verde, uma reportagem na televisão – o desejo veio de algum lugar. Você não nasceu com vontade de ter um Camaro amarelo, isso em algum momento foi implantado em si.
Produzir para consumir é o sistema de retroalimentação ao qual todos pertencemos. Você produz, ganha seu sal ao final do mês e com este, tem sua moeda de troca para consumir o produto do seu vizinho. É assim que a economia se mantém e não haveria nada de errado nisso, se correspondesse em partes iguais a todos que o representam. Entretanto, não é assim que acontece. Enquanto trabalha, além de sustentar o sistema, você enriquece o seu senhor feudal, dono da empresa/ corporação/ instituição. Você não produz para si, e sim, para alguém. Sua força de trabalho é essencial na cadeia produtiva, pois é claro que alguém depende de seus serviços. E assim, a cadeia se mantém.
Observe as imensas filas de Natal e tente se lembrar do menino Jesus, enquanto um bando de crianças mal-educadas grita e seus pais se acotovelam para conseguir chegar a tempo da promoção especial. Absolutamente, tudo virou comércio. Mães, pais, crianças e namorados não precisam de um dia para lembrá-los e presenteá-los, todavia, se você não os presenteia na data publicitária comemorativa, ficam assaz chateados. O sistema nos transformou em máquinas de consumir, uma conta bancária a ser explorada. Sua manipulação é tão perniciosa que dificilmente a maioria de nós se pergunta se precisamos mesmo de tudo o que compramos. Adquirir coisas tem algum valor real na vida? Não podemos ser igualmente felizes – ou até mais – vivendo com muito menos?
Temos sido escravos, vivendo em sociedades democráticas. Será que você é mesmo livre para pensar e sentir o que deseja? Quantas vezes se atormenta por coisas que ainda não aconteceram, ou por pseudonecessidades?
Todos estão à procura da felicidade, mas infelizmente, condicionam-na à ocorrência de fatos externos, como riqueza, fama, sucesso profissional e consumo. Você adora seu iphone, sua esposa adora a faiscante geladeira de aço inox, seu filho adora aqueles tênis do Ben 10 que acendem. Gastar nos leva a acreditar que temos vidas bem-sucedidas, louváveis, cheias de significado. Tire isso, e o que temos? Você sabe?
Não criticamos mais o veneno do capitalismo selvagem, ao contrário, brigamos para bebê-lo em doses cada vez maiores. Pare para pensar no Natal: todo dia 25 de dezembro, uma parcela significativa da humanidade enaltece o mito crístico com a celebração do Natal. Entretanto, o efeito cumulativo da mídia durante décadas, integrando à imagem do Natal o velho bonachão de vermelho, nos faz associar tal data religiosa com a chegada do Papai Noel, e não com a do menino Jesus. Noel, com seu ar de eterna bondade e generosidade, barbas brancas e um saco de presentes nas costas, parece pairar sobre o bem, o mal e sobre a fachada de cada loja, ao lado de placas que promovem descontos incríveis, imperdíveis, que não voltarão a se repetir e precisam ser aproveitados. Nesse ínterim, como se espantar que Jesus esteja perdendo no “top of mind” do Natal ante a figura do velhote barrigudo? Esta é muito mais lucrativa e impulsiona, com seu enorme saco de sonhos de consumo, o aquecimento das vendas de fim de ano, fazendo com que tentemos compensar nossa falta de tempo e disponibilidade para os nossos, com benesses materiais. O menino Jesus, em sua humilde manjedoura, nos traz um sentimento de tranquilidade e sossego na noite natalina, que em nada se parece com a correria dos shopping-centers, supermercados e lojas de departamentos, à procura de presentes para todos e os últimos ingredientes para a ceia – muitas vezes, quase uma farsa, com disputas silenciosas de ego e atenção pelas famílias. Pouco a pouco, sofremos um processo de transferência do mito pacificador do espírito natalino para a febre consumista do Papai Noel, das renas, dos anões da fábrica de brinquedos e tantos outros símbolos que integram essa cultura consumista, constituindo um universo cada vez mais colorido e rentável, mas com muito menos significado que um pobre estábulo no Natal.
A maioria de nossas despesas são supérfluas: não precisamos trocar de computador, celular ou carro todo ano; não precisamos de roupas novas nem testar aquele novo kit de shampoo e condicionador. Ainda mais com a atual conjuntura econômica e o estado dos aterros sanitários, tudo isso virou excesso. Consumir menos não é se expor ao título de “Coitadinho!” que o consumidor/ consumista ao lado exclamará, mas um toque de despertar financeiro, além de ambiental (já que, para a maior parte, o primeiro importa mais que o segundo). Em uma época em que todos só pensam nisso, aprender a consumir o essencial torna-se uma oportunidade de recalibrar a própria relação com o dinheiro e o ambiente em que se vive, em contraposição aos papais noéis comerciários de nosso dia-a-dia, podendo nos tornar mais humanos e admiráveis.
E, talvez, lembrarmo-nos do verdadeiro motivo pelo qual devemos celebrar nossa mãe, nosso pai, namorado (a) e o Natal possa ser o primeiro passo para descobrirmos um sentimento de paz e completude que não passará com as festas natalinas. Fará com que descubramos tudo que é de graça à nossa volta e, pelos quais, jamais haverá dinheiro algum no mundo que pague a oportunidade de poder desfrutá-los.
Feliz Natal.      

2 comentários :

Anônimo disse...

Adorei o texto. Outubro, novembro e dezembro são meus meses preferidos; o que eu mais gosto é dos enfeites, Kelly T.T uhauhauha. Quando chega a noite e eu corro para acender todos os enfeites da casa. Talvez eu seja mais uma vítima desse consumismo constante.

Feliz natal =))

Kelly Phoenix disse...

Em algum grau, todos nós até "dependemos" do consumo... Minha crítica vai a quem leva isso às raias do exagero, tentando substituir por dinheiro aquilo que não pode ser substituído de nenhuma forma.
Grande abraço e Feliz Natal para você também.

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