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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Síndrome do “Pode beijar a noiva” - Casar por status ou fuga



Não sei se vou me casar. Nunca me interessei por casamento porque jamais conheci um homem que correspondesse aos meus anseios. Se aparecer alguém que me interesse, eu me caso. Mas não vou me casar com qualquer um só para satisfazer a sociedade.
Entretanto, não é isso que vejo por aí. O casamento não é mais (se é que algum dia o foi) tratado com a seriedade de uma escolha madura e de decoro. Fazem-se e desfazem-se casamentos com a rapidez de um cometa; casa, separa, separa a casa... A volatilidade dos relacionamentos atuais tem o significado que a geração atribui a suas redes sociais. Cansou: deleta. Achou bonito (a): adiciona.
A ruptura do sentido do casamento aliado à vista grossa que a sociedade ainda faz para quem não se casa faz com que milhares de uniões que jamais deveriam ter começado aconteçam todos os dias. Desde meninas de 14 anos a paixões que terminam na lua de mel, nunca o casamento foi tão banalizado e, – por que não dizer – ultrajado, como nos nossos tempos. E algo que impressiona ainda mais pela conduta comum: o casamento por fuga ou por status.
Casamentos por fuga ou status e qualquer outro tipo de união apressada e sem fundamento, desculpem, será quase sempre culpa das mulheres. E não se trata apenas dos sentimentos femininos afoitos, mas também da pressão social que ainda se faz para a mulher nesse sentido. Parece incrível, mas em pleno século XXI, a discriminação para com quem não se casa – especialmente mulheres – é arraigada, a partir de determinada idade. A mulher sente-se na obrigação de constituir lar e família, mesmo que isso vá contra a sua natureza. Realidade desprezada, faz com que muitas se joguem em um casamento sem amor, se este lhe oferecer status, classe social – ou apenas se o noivo possuir um bom carro, posses ou cargos importantes. É como unir o útil ao agradável, uma vez que ela sente que precisa casar – a sociedade, a família, as amigas lhe cobram isso – e o candidato a marido ainda pode lhe satisfazer alguns caprichos que podem fazê-la bem vista aos olhos alheios.
Outro tipo de status que pode ser buscado com um casamento diz respeito àquele que se confere atualmente ao relacionamento em si. Não é exigido que se ame, apenas que se tenha alguém. A pessoa que não namora, fica, “pega” ou, ainda, casa, é tida como anormal e o grupo daqueles que acreditam que um relacionamento é indispensável para a felicidade (grupo que cresce diariamente), autoafirma desfrutar de certos “prestígios” como mostrar aos outros que é desejado, “normal” e que, ainda por bônus, possui sexo fixo – motivo de orgulho, em uma sociedade que não percebe que a liberdade é para o sexo, não para a pessoa.
E há também o casamento por “fuga”. Fugir de uma vida vazia, tediosa (consequências da falta de base moral, intelectual e afetiva), ou fugir de uma existência que já não parece ter graça, como morar com os pais e frequentar a escola. Um casamento pode aparecer como um sonho perfeito, ainda mais quando o namoro decola e a paixão rola solta. Na ilusão dos primeiros meses, os pombinhos até acreditam que serão felizes pra sempre – mas por quanto tempo haveria de durar esse pequeno Éden? Talvez depois de seu segundo porão alugado ou depois de seu segundo filho? Esses sonhos bobos que se tem quando se é jovem, mas mais cedo ou mais tarde se cai na real: a vida não é feita de amanhãs promissores, de crepúsculos encantados e baboseiras como essas. E nada disso, em hipótese nenhuma, quer dizer que não possam existir casamentos felizes. Todavia, é preciso muito mais que festas de casamento hollywoodianas e paixões avassaladoras para garantir isso. E muito mais ainda que carros do ano e viagens de casal. É trabalho. E um compromisso diário, consigo e com o outro. Independente de promessas ao pé do altar, alianças e oficializações (no fundo, nada disso importa de verdade), se casar é escolher alguém pra dividir a vida, pra respeitar, pra deixar o coração bater junto. Mais que status ou paixão, são necessários respeito, confiança, compreensão – e nada disso se constrói em seis meses. Particularmente, acho mesmo que se casar antes de dois anos de namoro é burrice – cientificamente, é o tempo que leva para a paixão degringolar. Aquilo que não é fundado em bases firmes tem poucas chances de se estabelecer de forma satisfatória. Aí se veem aqueles casais que se separam após um ano de casamento, pois não aguentaram os trancos do dia-a-dia e a paixão acaba ao mesmo tempo em que se conhece a convivência. O inferno.
Tem ainda os casos de “infelicidade perpétua”, pois nem sempre a coragem para se separar vai vir. Há expectativas da família, da sociedade, quiçá filhos envolvidos, bens. Quando não há coragem, tudo é motivo, e assim são arrastados relacionamentos infelizes por anos, sem crescer com a situação nem ter arrojo para dar um basta.
Sair da casa dos pais e se casar direto é como “se roubar de si”, pular fases. Acho que todo mundo deveria ter a experiência de morar sozinho: conhecer seus gostos, hábitos; descobrir como se vira em situações X e Y; perceber como gosta e não gosta das coisas, suas reações; resolver pepinos de médio porte, pagar as próprias contas e ser responsável por elas e por si. Só, sem a interferência de ninguém.  Enfim, morar sozinho por pelo menos uns dois anos antes de casar; ver como é, se se suportaria. É dignificante.
Casar-se é mais que juntar escovas de dentes. Não há nada a provar a ninguém, não há quem possa nos cobrar, só à própria consciência se prestará contas depois. E casar também é mau humor de manhã, pagar contas com atraso, ceder, teimar, lavar cuecas cagadas ao entardecer, ver Rede Globo no domingo, chulé, miojo. Será que você está pronto (a) para dar esse passo tão importante? Boa sorte! Por bem ou por mal, todos aprendemos as bases do respeito pelo próximo e por nós mesmos um dia. Mais cedo ou mais tarde, todos aprendemos que amar a si mesmo é o mais importante e que se unir a outrem deve partir da predisposição de duas almas, e não de dois corpos. Então, que no dia do seu casamento, já tenha aprendido essa lição tão importante do espírito.
Pode beijar a noiva.

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