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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Você me ama. Ama mesmo?



Eu desconfiaria seriamente de alguém com quem começasse a me relacionar e dissesse que me ama no primeiro mês. E no segundo. Porque amar, amar mesmo, não é assim. Amar mesmo é meio raro, até...
Eu não sei. As pessoas sentem aquele frio na barriga, aquelas borboletas malucas esvoaçando o estômago; sentem aquele frescor de juventude, mesmo que tenham 60 anos. Sentem o suor frio ao pegar na mão, o bater acelerado do peito apenas ao ver, e dizem que isso é amar. “Amor, eu te amo”. Ah, bem, acho que você não me ama. Você está apenas apaixonado por mim. Veja bem, ontem eu não existia pra você. Era só mais uma. Podia passar ao seu lado se batendo na rua e tudo que aconteceria era você ficar bravo. Pois bem, agora você me ama. Não se imagina mais existindo sem mim e minha presença é o seu eixo na Terra. Oh, o amor... Amor mesmo vem da convivência. Você atura manhas e manias e maus humores da pessoa. Você a acha bonita mesmo fazendo careta. Você deixa ela te abraçar mesmo quando quer ficar sozinho. Às vezes, um beijo mais bonito é um beijo na testa.
Todo mundo só quer romance. Pseudo-romances. Oba-oba, beijos e abraços, status, dizer que está namorando. Todo mundo quer pensar em alguém e sentir uma alegria incontida, acomodar pernas abertas no colo, e não uma cabeça e um coração. Ou, sei lá, quem sabe a errada sou eu. Mas, não concebo esse te amo rápido, esse te amo de farmácia, de padaria, esse te amo instantâneo. Não concebo esse te amo de um dia pro outro, de uma hora pra outra, do nada, do agora. Esse te amo hoje e amanhã nem te conheço. Não digiro esse te amo miojo, breve e sem sabor; esse te amo político, cheio de promessas que não poderá cumprir. Não sei, amo muito poucos na vida. Acho que o amor se confirma no dia-a-dia, na louça pra lavar, no fim do dia cansado, na conchinha em dia frio. Acho que o te amo se proclama em silêncio, sem palavras, em sussurros gritados, quietinho dentro da gente. Acho que te amo não se precisa dizer, mas é importante que se diga, mas somente quando é necessário. Uma vez eu notava o constrangimento das pessoas para dizer “te amo” no telefone, agora eu vejo que isso virou tchau. Aqui mesmo do meu lado, vejo colegas falando ao telefone, dizendo te amo como despedida; um te amo sem sal, sem sentimento, nem forçado é mais...
Diga “eu te amo” ao pai, à mãe, ao irmão. Diga “eu te amo” a quem merece ouvir, a quem ama mesmo. Mas, se você não sabe quem ama mesmo; se vai amar hoje e amanhã nem te ligo... não diga. Poupe uma mentira no mundo. Poupe a ilusão de alguém.
Eu já não sei quem amo mais. Já tive certeza que amava, hoje não sei de mais nada... Sei quem sempre trarei no coração; sei quem, mesmo com desavenças, eu busco levar e compreender; sei quem merece minha gratidão, mas gratidão também não é amor. Nem apego é amor, nem amizade, nem paixão. Te amo não é mais o que já foi, como tudo em nossos dias, que banaliza, vira moda, cai na boca do povo, vira balela. Nem “bom dia” não vejo darem tanto.
Não sei se um dia o te amo vai recuperar seu sentido original. Mas, sei que para alguns, ele nunca se perdeu. Não importa. Eu apenas desconfio seriamente de quem diz te amo. Diz te amo sem nunca ter visto a pessoa exausta. Diz te amo para quem está sempre de chapinha. Te amo com carro do ano, com cartão de crédito. Te amo no facebook, no twitter. De quem publica, de quem proclama aos quatro ventos. E desconfio também que poucos se importem com isso. Vira página virada como cada folha da revista de fofocas, como cada pseudo-relacionamento de balada. Te amo pra te levar pra cama. Te amo não importa mais. Te amo virou Não te amo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Ensinar dialogando

Do livro: A Educação da Nova Era. 


Se a falta de diálogo no lar é desastrosa, não o é menos na escola.
E o que vemos tanto em colégios estaduais como em particulares é uma absoluta ausência de diálogo.
A aula é uma simples exposição, fria e monótona. Conceitos gramaticais, datas e personagens históricas, fórmulas de química e matemática desfilam pelo quadro negro. O educando, calado, vai engolindo passivamente todo o conhecimento mastigado, apenas alguns mais desinibidos manifestam-se para perguntar. Apesar de todos os movimentos de renovação pedagógica propostos e buscados atualmente, o modelo da escola permanece assim cristalizado, pela resistência de professores e pais.
Não é à toa que quase todos os alunos detestam a escola. Permanecer 4, 5 ou 6 horas seguidas na mesma posição, na mesma sala, ouvindo uma pessoa falar é de entediar qualquer um. A inteligência do educando fica condicionada a receber passivamente e a devolver somente o recebido. Não é solicitada a pesquisar, indagar por si mesma. Não se desperta nela o desejo de descobrir e aprender.
Um dos maiores filósofos de todos os tempos – Sócrates – ensinava aos seus discípulos por meio do diálogo. Induzia-os pela conversação a chegarem ao conhecimento, de tal maneira que sentiam ter achado o caminho por si mesmos, sem que ninguém lhes impusesse nada.
Recorde-se também de Jesus, ao pregar para a mulher ao pé da fonte de Jacó, ao contar a parábola do bom samaritano ao doutor da lei. O Mestre indagava, dialogava: “Qual destes três te parece o que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?” (Lucas, X:36) O Livro dos Espíritos, a viga-mestra da nova Revelação, é todo em forma de diálogo.
Pela primeira vez, o ser humano se debruça sobre o Além e, com alto sentido de pesquisa e racionalismo, conversa face a face com a Imortalidade.
O monólogo é autoritário, entediante e pobre. O diálogo enriquece, desperta, produz.
O Professor deve descer do seu pedestal de dono da porta do conhecimento para deixar que o aluno possua a chave. A escola tem de proporcionar ao educando a faculdade de questionar, pesquisar e chegar ao conhecimento e não meia dúzia de fórmulas e conceitos que, depois de algum tempo, a memória não consegue mais reter.
Ensinar dialogando requer humildade, paciência, criatividade.
Humildade para se colocar ao lado e não acima do aluno, paciência para ouvi-lo e criatividade para inventar sempre novas e diferentes maneiras de buscar o fio condutor do diálogo. Em uma palavra, é preciso idealismo e amor, o que infelizmente não é muito encontrável em professores frustrados e sem vocação.
Para se dar uma aula de verdade, não bastam uma boa dicção, uma lousa e um giz. É necessário despertar primeiro a curiosidade e o interesse dos alunos para o que se vai aprender. É indispensável fazê-los sentir a utilidade e a fascinação do assunto em pauta. Passear com eles, pelo mundo do saber, com entusiasmo e paixão. E, acima de tudo, fazer com que saibam o quê e por quê estão aprendendo.
Proporcionar-lhes uma visão de conjunto e não fragmentos feitos de fórmulas esparsas e conceitos no espaço.
Jamais poderei me esquecer da minha primeira aula de Química. A professora entrou na classe e colocou no quadro negro os símbolos de quase todos os elementos químicos e recomendou:
 “Decorem isso!” Nunca mais consegui gostar de Química.
O professor possui o poder mágico de acender ou apagar para sempre no aluno, o amor ao estudo. E esse amor não pode ser imposto por sermões, ameaças e advertências. Mas deve ser estimulado através de uma didática eficaz, temperada de diálogo e paixão.
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SEÇÃO EXCEPCIONALMENTE:
Na seção “Excepcionalmente” apresento textos de outra autoria, mas que calam fundo em meus valores.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Onde eu queria estar



Sem palavras. 

Sem mais dores. 

Sem mais medos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Em boca fechada não entra mosca



É engraçado perceber como as pessoas gostam de falar. Elas falam das próprias vidas, das vidas alheias, do que gostam, não gostam, do que pensam ou não, sempre esperando ser ouvidas e, quiçá, compreendidas, derramando enxurradas de palavras sem se importar, na maioria das vezes, se o outro está enfastiado ou, igualmente precisando ser ouvido. Essa necessidade de se expressar é tão grande, que já não basta apenas fazê-la oralmente: são sites de relacionamento (facebook, twitter); e-mails; fotologs (porque falar pode significar “mostrar”); blogs... As pessoas precisam falar o que pensam e veem sobre o mundo. Têm necessidade de compartilhar o que fizeram, ou os planos que têm, ou ainda, aquilo que não são e nunca serão, mas gostariam de ser... Assim, nas falas e imagens tentam convencerem-se a si mesmas de que possuem estilos, comportamentos e talentos que jamais terão.
O mais estranho é que, nem sempre, as pessoas fazem questão de que a outra parte as esteja aceitando, compreendendo, ouvindo ou recebendo... A necessidade é de apenas externar, pôr pra fora, fazer-se ouvido, independente de ouvir algo em troca, ver a situação de outro modo ou, apenas, perceber o ridículo ou insensatez a que muitas vezes se submetem... Qualquer conto que aumente meio ponto já está valendo, parece que, já que a pessoa não pode brilhar, não está na mídia ou sua vida não tem holofotes, ela precisa aparecer de alguma forma, e por isso cria mil e uma maneiras de comunicar ao mundo todo esse vazio interior, que tenta preencher em festas, viagens, relacionamentos rápidos ou contatos no facebook. Parece que falar que foi para os EUA ou que seu conhecido é arquiteto, ou da formatura da prima vai lhe fazer sentir maior, mais bem visto, mais que os outros... Ou usar tênis da Nike, ou namorar alguém muito visado na aparência, ou ter recebido proposta para trabalhar num cruzeiro. Todas essas coisas.
As pessoas gostam de falar. Contar vantagens, exibir-se, mostrar o que são e o que não são, demonstrar sentimentos que têm ou nunca tiveram, falar do carro que tiveram ou nunca terão. Mas, o mais engraçado ainda não é nem essa necessidade, acalentada desde os primórdios do homem pré-histórico, com desenhos pictóricos em suas cavernas e no couro de animais abatidos. O mais engraçado é aquilo que não se conta, que não se fala, aquilo do qual se fica quieto, em silêncio, esperando ser notado. O mais estranho é aquilo que se espera que os outros vejam, percebam; aquilo que é sentido verdadeiramente, que é profundo e ninguém pode ver. Aquele sonho real, aquelas palavras do fundo da alma, aquele “te amo” a quem se ama mesmo, e que nunca é dito. As pessoas gostam de falar, precisam. Mas, seria muito melhor se falassem do essencial, do que realmente importa. Que tornassem esse mundo mais bonito ao invés de ajudá-lo a ser o que é...   

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Deitados na areia, 
sem roupa, 
sem juízo... 
e sem relógio...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Aquilo que você luta para ser



Você demora tanto tempo
Para alcançar aquele lugar
Aquela pessoa
Aquilo que você luta para ser.
E para não ter aquele comportamento
Não usar aquele tipo de palavra
Andar assim, fazer assado
Mostrar a essência, não a capa
Aquilo que você luta para ser.
E você pode passar a vida toda tentando
Lutando, almejando
Buscando, agindo
Que nem sempre vai demonstrar
Aquilo que você luta para ser.
Muitos farão pouco caso disso
Para outros, você nem existirá
Muitas vezes se demoverá
Daquilo que você luta para ser.
É que talvez não seja uma busca
Talvez não seja um caminho
Pode ser uma descoberta
E talvez não se faça sozinho
Pode ser que se vá construindo
E não tenha um lugar pra chegar
Pode ser que nem seja palpável
Muito menos preciso lutar
Um dia você para, analisa
Reflete exatamente o que aconteceu
O que se passou, o que não passou
E o levou até ali
A ser
Aquilo que você luta para ser.