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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Partidas



O avião se afastava quase invisível entre as nuvens e, da janela do carro, olhos no alto, me perguntava:
- Estará indo pra Itália?
- Será que vai voltar?
Ao baixar os olhos novamente, dei com o olhar de um lindo garoto focado no meu, firme. Timidamente, mirei sua face, querendo nela outros olhos encontrar. Foi um olhar que soltou faíscas, tamanha a energia trocada, que parecia querer vasculhar minha alma. O sinal abriu, o carro partiu, o avião partiu e o garoto e meus sonhos ficaram para trás.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Razão da Existência



De que me adianta ser cheia por fora
Se for vazia por dentro?
Vazia de razões
Vazia de sentimentos
Vazia de emoções
Vazia de pensamentos
Vazia de ilusões
Sonhos jogados ao vento
Vazia de opiniões
Egocentro.

De que me adianta ser tudo por fora
Se for nada por dentro?
Nada de amor
Nada de piedade
Nada de dor
Nem para derramar
A lágrima de uma saudade?
Nada de cor
Nem sinceridade
Amizade, paixão, calor
Vivacidade

De nada adiantar-me-ia ter tudo e ser nada...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Então, é Natal... O consumo nosso de cada dia



Faz tempo que queria escrever algo sobre consumo, de forma completa e visionária, de modo que temo que esse texto não fique como pretendo. Contudo, indispensável escrevê-lo, nem que seja para amainar a consciência de ter exposto alguns conceitos e, talvez, feito com que pelo menos uma pessoa passasse a ter percepção deles.
Você está lendo meu texto em seu notebook ou computador de última geração. Talvez, no celular, mais avançado ainda, já que tem internet. Remexe-se ansioso na cadeira confortável; resolve relaxar e tira o Nike dos pés. Agora sim, você pode ler. Mas, só mais um pedaço, porque tá ficando chato. Olha o relógio da Mormaii no pulso. Já se passou quase um minuto inteiro até aqui.
Às vezes, nem percebemos, mas o consumo e o incentivo a ele estão em tudo. Desde nosso colchão king size, às roupas até as prestações da TV. Somos bombardeados 24 horas por dia com mensagens publicitárias, destacando as vantagens de uma marca em relação à outra, preços e custos-benefícios. Se a população fosse mais consciente, dar-se-ia conta de que perde a vida fazendo algo que não gosta para satisfazer desejos que não tem.
Tudo aquilo que você tem ou quer ter são/ foram desejos em algum momento “injetados” em você por algum fator externo. Seja a propaganda, a grama do vizinho mais verde, uma reportagem na televisão – o desejo veio de algum lugar. Você não nasceu com vontade de ter um Camaro amarelo, isso em algum momento foi implantado em si.
Produzir para consumir é o sistema de retroalimentação ao qual todos pertencemos. Você produz, ganha seu sal ao final do mês e com este, tem sua moeda de troca para consumir o produto do seu vizinho. É assim que a economia se mantém e não haveria nada de errado nisso, se correspondesse em partes iguais a todos que o representam. Entretanto, não é assim que acontece. Enquanto trabalha, além de sustentar o sistema, você enriquece o seu senhor feudal, dono da empresa/ corporação/ instituição. Você não produz para si, e sim, para alguém. Sua força de trabalho é essencial na cadeia produtiva, pois é claro que alguém depende de seus serviços. E assim, a cadeia se mantém.
Observe as imensas filas de Natal e tente se lembrar do menino Jesus, enquanto um bando de crianças mal-educadas grita e seus pais se acotovelam para conseguir chegar a tempo da promoção especial. Absolutamente, tudo virou comércio. Mães, pais, crianças e namorados não precisam de um dia para lembrá-los e presenteá-los, todavia, se você não os presenteia na data publicitária comemorativa, ficam assaz chateados. O sistema nos transformou em máquinas de consumir, uma conta bancária a ser explorada. Sua manipulação é tão perniciosa que dificilmente a maioria de nós se pergunta se precisamos mesmo de tudo o que compramos. Adquirir coisas tem algum valor real na vida? Não podemos ser igualmente felizes – ou até mais – vivendo com muito menos?
Temos sido escravos, vivendo em sociedades democráticas. Será que você é mesmo livre para pensar e sentir o que deseja? Quantas vezes se atormenta por coisas que ainda não aconteceram, ou por pseudonecessidades?
Todos estão à procura da felicidade, mas infelizmente, condicionam-na à ocorrência de fatos externos, como riqueza, fama, sucesso profissional e consumo. Você adora seu iphone, sua esposa adora a faiscante geladeira de aço inox, seu filho adora aqueles tênis do Ben 10 que acendem. Gastar nos leva a acreditar que temos vidas bem-sucedidas, louváveis, cheias de significado. Tire isso, e o que temos? Você sabe?
Não criticamos mais o veneno do capitalismo selvagem, ao contrário, brigamos para bebê-lo em doses cada vez maiores. Pare para pensar no Natal: todo dia 25 de dezembro, uma parcela significativa da humanidade enaltece o mito crístico com a celebração do Natal. Entretanto, o efeito cumulativo da mídia durante décadas, integrando à imagem do Natal o velho bonachão de vermelho, nos faz associar tal data religiosa com a chegada do Papai Noel, e não com a do menino Jesus. Noel, com seu ar de eterna bondade e generosidade, barbas brancas e um saco de presentes nas costas, parece pairar sobre o bem, o mal e sobre a fachada de cada loja, ao lado de placas que promovem descontos incríveis, imperdíveis, que não voltarão a se repetir e precisam ser aproveitados. Nesse ínterim, como se espantar que Jesus esteja perdendo no “top of mind” do Natal ante a figura do velhote barrigudo? Esta é muito mais lucrativa e impulsiona, com seu enorme saco de sonhos de consumo, o aquecimento das vendas de fim de ano, fazendo com que tentemos compensar nossa falta de tempo e disponibilidade para os nossos, com benesses materiais. O menino Jesus, em sua humilde manjedoura, nos traz um sentimento de tranquilidade e sossego na noite natalina, que em nada se parece com a correria dos shopping-centers, supermercados e lojas de departamentos, à procura de presentes para todos e os últimos ingredientes para a ceia – muitas vezes, quase uma farsa, com disputas silenciosas de ego e atenção pelas famílias. Pouco a pouco, sofremos um processo de transferência do mito pacificador do espírito natalino para a febre consumista do Papai Noel, das renas, dos anões da fábrica de brinquedos e tantos outros símbolos que integram essa cultura consumista, constituindo um universo cada vez mais colorido e rentável, mas com muito menos significado que um pobre estábulo no Natal.
A maioria de nossas despesas são supérfluas: não precisamos trocar de computador, celular ou carro todo ano; não precisamos de roupas novas nem testar aquele novo kit de shampoo e condicionador. Ainda mais com a atual conjuntura econômica e o estado dos aterros sanitários, tudo isso virou excesso. Consumir menos não é se expor ao título de “Coitadinho!” que o consumidor/ consumista ao lado exclamará, mas um toque de despertar financeiro, além de ambiental (já que, para a maior parte, o primeiro importa mais que o segundo). Em uma época em que todos só pensam nisso, aprender a consumir o essencial torna-se uma oportunidade de recalibrar a própria relação com o dinheiro e o ambiente em que se vive, em contraposição aos papais noéis comerciários de nosso dia-a-dia, podendo nos tornar mais humanos e admiráveis.
E, talvez, lembrarmo-nos do verdadeiro motivo pelo qual devemos celebrar nossa mãe, nosso pai, namorado (a) e o Natal possa ser o primeiro passo para descobrirmos um sentimento de paz e completude que não passará com as festas natalinas. Fará com que descubramos tudo que é de graça à nossa volta e, pelos quais, jamais haverá dinheiro algum no mundo que pague a oportunidade de poder desfrutá-los.
Feliz Natal.      

sábado, 17 de novembro de 2012

Crise Existencial



Tu és naturalmente uma guerreira, mas até o momento a maioria das tuas lutas têm sido em causas muito inferiores aos teus verdadeiros potenciais; tanto que estás deixando o teu verdadeiro brilho se desgastar.
Por outro lado, toda a tua luz e energia estão muito guardadas, a tal ponto de o excesso delas estar te fazendo mal.
Deus não teria criado e mantido alguém tão excepcional como você se não para ser um poderoso instrumento da vontade Dele.
Eu não sei dizer o que é, talvez tu mesma também não consiga ver agora, mas tá faltando alguma coisa na tua vida que vá te fazer descobrir exatamente como tu vais colocar todo esse brilho "para fora" - e olha, não é pouca coisa.
Essa inquietação provavelmente te trará essa resposta, mas tu não podes negar ela de jeito nenhum. Quem sabe a vida não está te colocando um pouco contra a parede para que finalmente enverede para o real sentido da tua existência?
Um amigo.

Talvez alguém tenha sentido falta do que posto aqui. Mas, precisava reavaliar – e ainda estou – muita coisa em minha vida e em que acredito e, involuntariamente, me afastei do que gostava e não gostava, deixando escritos e planos de lado, sem ter noção se em algum momento voltaria com tudo – eu sabia que ia voltar, pois por poços mais escuros que se façam, nós sempre voltamos. Mas, eu também sabia que não seria a mesma e ainda não podia avaliar os impactos positivos e negativos que isso traria.
Há vários momentos em que a gente cansa. De quem somos, do que temos, das pessoas e de tudo ao nosso redor. Procuramos nos desculpar com como o mundo está, ou que as coisas são assim mesmo, uma hora vai passar, e assim vamos remediando... Mas, não... Você pode cair, mas não para sempre, pois nenhum buraco leva à China...

E, ao avaliar os esfolões, muitas vezes nos deparamos com machucados reais, mas que deixaram cicatrizes superficiais, e também aqueles que são apenas arranhões, porém causadores de feridas profundas.

E muitas vezes, nós sequer entendemos por que elas machucam tanto. Apenas coisas que não sabemos lidar em algum momento, e então vão criando formas e se tornando monstros em nós. Maiores que nós.
E, parando para avaliar, via a luz, mas não podia regurgitar do poço. Ele não era só fundo, mas profundo também. Monstros são gosmentos e horrendos por fora, mas nem sempre são tão maus; eles apenas têm a função de nos mostrar alguma quebra, falha em nós mesmos; apontar erros e consertos.
Acho que sempre fui uma menina boba, sonhadora de mais, habituada a abrir minha boca sobre meus planos e sonhos e ver outras pessoas realizá-los primeiro. Aqui, não se trata de comparação, inveja ou implicância, mas apenas a constatação de que o que me infelicitou em algum momento nunca foi a questão material, e sim, o sonho “roubado”, a confiança quebrada. Eu me preocupo com a minha imagem. Quem tem dignidade, geralmente se preocupa. Por muito tempo, me sobressaí apenas como a garota inteligente e brilhante, cujos rótulos nunca disseram muito a ela mesma e cujos colegas procuravam somente para pedir cola nas provas. A solidão e a reflexão em excesso a fizeram crescer, e essa garota passou a ser mais ou menos aquilo que queria e imaginava – ou perto disso. O tempo foi passando e trazendo novas situações e fatos e, com ele, também chegaram novas pessoas e todas as pessoas precisam nos ensinar alguma coisa.
Ultimamente, acho que tenho aprendido o que não quero... Que decepções doem... Que acreditar nas pessoas pode ser perigoso... Que se alguém pode me atingir, é indo no meu ponto mais fraco, que são meus sonhos... E como isso tem me entristecido...
E se falei de pessoas aqui, não foi à toa. É que nem todas conseguem isso: nos atingir de alguma forma. A bem da verdade, a quantidade de pessoas que podem nos atingir geralmente é limitada. São de nossa estima, confiança ou sabem pontos fracos. Afinal, ninguém se magoa com aqueles que não gosta. Então, precisava avaliar as que conseguiam fazer isso comigo e por quê... E isso me enfraqueceu mais. Me perdi em mim mesma. Pois, havia sentimento pelas pessoas que me atingiam – sempre. Elas traziam coisas que não sabia lidar até ali. Supostamente, me admiravam ou procuravam me tomar por modelo. Ou escondiam em suas ações um secreto desejo de competir comigo e me superar. E isso me atingia como quem tenta roubar meu brilho. Então, como dizer que ME INCOMODA alguém me copiar o tempo inteiro?
E o pior de tudo dizia respeito justamente a parecerem roubar meus sonhos. Mas, como muito bem avaliou um amigo, na verdade, elas não têm sonhos... E nem sabem tê-los por conta própria, assim como muitos.

O fato é que tu és, por natureza, um mestre. E um  mestre mostra aos seus pupilos que o que parece impossível,  inalcançável, está logo ali.

Entretanto, não podia ainda ver com bons olhos o fato de alguém me seguir e copiar. E me incomoda como uma punhalada alguém fazer o que eu havia dito que faria; tive aquele desejo e, se contei ou publiquei e a pessoa fez primeiro, para mim ela é fraca de personalidade, invejosa, traíra. Veja bem, não estou falando de pessoas distantes, mas de parentes, de pessoas que acompanham cada passo que dou e, tardiamente descobri, mal intencionadamente. Pessoas que não torcem por mim, que posso ver a decepção e inveja em seus olhos em cada conquista minha, e o desejo de me superar cada vez que conquistam algo. Que tentam atalhar pelo mesmo caminho que eu, esquecendo ou ignorando que aquele é o meu caminho, que eu escolhi para caminhar. Pessoas que, se eu compro um aparelho eletrônico, também têm de comprar; se faço uma viagem, também têm de fazer. Que me intrigam por parecerem querer competir ou me superar o tempo todo.
 Não busco parecer superior com minhas conquistas: a importância atribuída por mim, a elas, na maioria das vezes se refere mais ao esforço despendido que ao valor financeiro e custo. Intelectualmente falando, as conquistas sempre foram mais numerosas e muito fáceis e, por sinal, dispersando muito mais inveja ao meu redor, como na escola, em que sempre era a primeira da classe e preferidinha de praticamente todos os professores. Mas, os sonhos que tenho SÃO meus. Cada um tem capacidade de sonhar o próprio sonho, só precisa descobrir isso. Mas, sei que muitas pessoas não se permitem sequer sonhar, por isso pegam os sonhos alheios, pensando que jamais poderão sonhar por conta própria. A pessoa compra a roupa, o carro, a viagem para dizer que tem e fez e colocar as fotos no facebook. Não amou, não fechou os olhos e pensou em Deus, não mergulhou com o coração. Continua vazia e infeliz, não entende como aquilo não a realizou e não tem nem vergonha por ter feito materialmente o sonho dos outros. Não sabe que sonhos são da alma.

Percebi que não estava bem porque nem mesmo o que eu amava me dava mais prazer, parecia que tudo estava vazio. O mundo perdera a graça e eu não sabia, não tinha uma razão específica: me apaguei, tornei-me sombra de mim, nada tinha sentido. Olhava à minha volta e via as pessoas se carneando por dinheiro – veja, ainda estou me sentindo assim; - observei (sempre observei isso, mas a sensação de fracasso ou derrota ante as visões, então, se intensificou) que era o mundo que estava errado, pessoas egoístas, violência, materialismo, tudo acima do amor, da humanidade (no real do termo), até mesmo do lugar em que vivemos, nosso planeta.
Não havia mais saída, nem resposta, nem nada. Só um buraco escuro, fundo e mal cheiroso, e uma garotinha abraçada aos joelhos, sendo cobrada pelo mundo ao seu redor e totalmente despreparada pra ele, pois não se sentia daqui e nem podia explicar isso pra si mesma...

Essa visão também me acompanhou muito: uma garotinha. Não posso explicar porquê, mas nunca me senti uma mulher. Eu não cresci de verdade, só os anos passaram. Era mais menina que adulta e precisava parar de autoafirmar o contrário para tentar me proteger. Não dispunha de condições. Inteligência, bom senso e intuição nem sempre são tudo. Ser sensível e consciente de mais pode ser perigoso...

Eu não voltei totalmente... Eu ainda estou perdida em mim, em meus sonhos, questionando o sentido deles, com um coração onde cabe tanta gente, mas revoltado com tanta coisa... Desesperado, triste, desesperançoso. Ingênuo, bobo, generoso... Repenso minha vida e o que vale a pena. Quem realmente sou, como me sinto, o que me faz bem e como lidar com o que me faz mal... E eu não sei onde vou parar. Como vou trabalhar tantas limitações, em todos os sentidos. Como fazer vigorar meu lado rico, criativo, meu imaginário e minha parte que acredita na vida. Quero tirar essa tristeza dos olhos, apesar de tudo; sacudir a poeira e lembrar que tudo sempre está certo. Mas, é difícil... E eu acho que é um caminho que se percorre por muitas vidas, sempre de um modo diferente. E talvez, para avançar, baste reconhecer. Há tanta coisa boa e importante na vida. De verdade mesmo. Quero que vigore o meu melhor... Porque o mundo só está como está por vigorar o pior de muita gente.
À luta.