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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Lições do ano – 2012 foi um jardim



Parece que os últimos dois ou três finais de ano tenho passado meio batido, sem aquela reflexão reinante dos primeiros anos da vida adulta. Pouco balanço de minhas melhoras, pouca aprendizagem com as supostas derrotas – consequências muito imediatas e sem verdadeiro aprendizado, ou que este parecia momentâneo. Mas, a verdade é que, por vezes, fugimos de nós mesmos, daquilo que nos deixa tristes ou não queremos encarar. O final de ano que antes servia para olhar pra trás, pra frente e pra dentro teve o seu “para trás” riscado, querendo avançar logo etapas que, nem sempre, se estava pronta a experimentar.
Esse fim de ano foi diferente. Diferente de outros anos, em que precisava mergulhar numa tristeza reflexiva e medir tudo o que o ano havia trazido ou apenas pular essa análise. Dessa vez, simplesmente, a tristeza não veio. Vieram momentos tristes, talvez um dia inteiro, mas não uma fase, um período. Foi um ano de altos e baixos e, por isso mesmo, a mesma tristeza já havia sido experimentada em várias ocasiões, sem pedido de licença nem data para ir embora.
2012 foi um ano “bom”. Teve suas partes ruins, como todo ano tem, mas estas não superaram o prazer e a realização que ele trouxe. E, embutida em cada vivência, uma lembrança e uma lição. Tão sutis, que poderiam passar desapercebidas. E, para não transmitir uma falsa mensagem, não vou dizer que aprendi, mas que estou aprendendo. Aprendendo a regar as sementinhas de aprendizado que este ano me trouxe.
Estou aprendendo que estabilidade não existe. E que nem teria graça, se existisse. Tudo pode mudar de um dia para o outro, e sem nenhuma razão aparente.
Estou aprendendo que são pouquíssimas as pessoas que torcem pela nossa felicidade. Estão mais preocupadas com o que chamam de “próprio crescimento” e reagem como se para crescerem, precisassem se ressentir do sucesso dos outros.
Estou aprendendo que tenho alguns poucos e bons amigos e um montão de conhecidos (inclusive, muito próximos).
Estou aprendendo que a luta entre essência e aparência está massacrando cada vez mais a primeira. Que você pode ser condenado simplesmente por ser você mesmo.
Estou aprendendo que há pessoas que se afastam, mas nunca saem de nossas vidas. E que quem está ausente, pode estar muito mais presente que alguém que está do seu lado.
Estou aprendendo que dizer certas verdades a alguém pode ser encarado como inveja, ciúme ou recalque.
Que não importa o que você diga ou faça, as pessoas vão enxergá-lo como elas são.
Estou aprendendo que você pode estender sua mão, mas a outra pessoa preferir a do vizinho, se ferir e te procurar depois, e você precisará perdoá-la por isso.
Estou aprendendo que vale a pena pagar por um momento, pois momentos valem mais que qualquer montante.
Que decisões inesperadas podem ser as melhores.
Que a intuição é palpite de Deus em nós.
Estou aprendendo que você não sabe nada, se não puder dividir isso.
Que as pessoas que querem se mostrar confiantes e seguras de mais, na maioria das vezes, estão em pânico por dentro.
O valor de uma oração, o conforto de um abraço, a dor de uma saudade, como tudo é passageiro e na hora parece ser pra sempre.
Estou aprendendo a alegria da conquista, o orgulho de mim mesma, a aceitação e autoestima e um pouquinho de compreensão.
Estou aprendendo, sobretudo, que a pior coisa que podemos fazer por nós e pelos outros é julgar. Agir como juízes e segurar conosco conceitos e pré-conceitos que só nos aprisionam e não nos dizem respeito. Que temos obrigações com nós em primeiro lugar e nunca devemos recusar ajuda a alguém, mas somente se esta for solicitada. Caso contrário, estaremos sendo intrometidos e agindo como juízes novamente.
Estou aprendendo que o princípio primeiro é agir de acordo com a nossa verdade, sem precisar explicá-la ou exigi-la de ninguém. Mas, que mesmo assim, devemos questioná-la intimamente quando ela nos trouxer desconforto e inquietações.
E esses são apenas alguns aprendizados. Uns, tiveram apenas a primeira semente lançada; outros, brotaram e, outros ainda, floresceram. 2012 foi um belo jardim e 2013 continuará a me trazer as maravilhosas flores que esse ano plantou aqui dentro, através de lições perfumosas e espinhadas.
Que venha 2013, com suas borboletas, o jardim está esperando!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Desaprender



É necessário, muitas vezes na vida, desaprender.
Desaprender padrões, lições enganosas, equívocos, traumas; e isso é mais difícil do que aprender.
Desaprender o apego rígido ao que nos parece certo.
Desaprender o que fomos ensinados, mas nos frustra, por não encontrar eco em nossos espíritos.
Desaprender a querer vencer a todo custo e avaliar vitória como pódio.
Desaprender a competir.
Desaprender a julgar, aferir e ser juiz dos outros ou de si mesmo.
Desaprender o elevado e inútil conceito sem conhecimento de si, com ego e sem verdadeira autoestima.
Desaprender os papeis de homem ou mulher sociais e incorporar o papel de ser humano.
E, como é raro desaprender... Mesmo reconhecendo erros e situações inoportunas, seguimos naquilo que já somos, não fazendo esforço para aprender coisas novas, adotar novos hábitos, deixar um pouco de lado nossa razão orgulhosa e procurar ver com os olhos do coração. Não desaprendemos o orgulho, não desaprendemos o medo, não desaprendemos o negativismo, e continuamos cheios de amarras que não nos permitem ser felizes. Não desaprendemos o mau exemplo recebido, não desaprendemos o vício encetado na adolescência, não desaprendemos a manta de superioridade herdada do pai nem a maledicência legada pela mãe.
Desaprender é um dos processos mais constantes, meritórios e extenuantes da vida. Afinal, se não desaprendêssemos a nos desligar do todo, jamais chegaríamos a ser um. Esse “um”, o qual, orgulhosamente nos reconhecemos e podemos viver novas experiências, aprendendo e desaprendendo sempre.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ano Novo, Estima Nova



Tudo à sua volta pode lhe prejudicar. Ou, tudo à sua volta pode lhe favorecer. A escolha é sua. E esse é um fato, bem como, colocarmos a culpa e a responsabilidade por nossos problemas e dificuldades nos outros.
Não assumir a culpa é um artifício que os humanos têm para tentar manter a estima elevada ou, a consciência tranquila. Não dá certo. Nossa consciência (ou inconsciência) sabe exatamente o que precisamos e a parcela de responsabilidade que nos cabe. O problema é que, com as dificuldades, vertemos sentimentos negativos a nós mesmos e, com isso, maculamos nossa autoestima.
A autoestima é indispensável, afinal precisamos estar sempre em primeiro lugar. Não significa trapacear, nem subestimar o outro, nem ser orgulhoso ou egoísta, significa apenas o que eu disse. Estar em primeiro lugar é se amar, independente de culpa, acusações ou qualquer fatalidade externa. É conhecer-se, a ponto de evitar o que lhe faz mal e quem lhe faz mal, se esta for uma variável. Estar em primeiro lugar é colocar-se do seu lado, destacar seus pontos fortes, trabalhar os fracos, entender sua coragem em seguir, ou parar, quando há um motivo muito forte para isso. Respeitar-se. E tudo isso compõe a autoestima, o amor próprio, autoconfiança e nossa motivação para prosseguir.
Quem acha que pode ter autoestima e seus derivados atropelando a felicidade alheia está muito enganado. Porque ela vem, sobretudo, de um indizível bem estar consigo mesmo. E é esse bem estar que o coloca automaticamente de bem com os outros, com o universo, com tudo à sua volta.
Quando se está deprimido, a tendência é ver tudo em tons cinzentos, negros, escuros. Nada parece mais ter brilho, porque a nossa própria alma se esqueceu do brilho que ela tem. Ao contrário, você já notou como uma coisa boa vai puxando outra coisa boa e, assim, numa espiral sem fim? O mesmo se dá com as coisas ruins. Vêm todas juntas numa onda que vai se tornando cada vez maior e consumindo nossas forças. Será mesmo maré de sorte (ou azar)? Ou simplesmente nossa sintonia, que vendo nossa (in)satisfação pessoal, trata de transformar logo tudo em coisas semelhantes, atraindo mais e mais a mesma energia e transformando nossos dias em dias tão prósperos ou tão infelizes?
A autoestima faz milagres por nós mesmos. Não dá para explicar como, por vezes, fatos como colocar uma roupa confortável após o banho e jogar uma água de cheiro podem causar prodígios. Mudar o corte de cabelo, comprar uma coisa que queria há tempos, emagrecer, arrumar os dentes, ou mesmo coisas que passem distante da ilusão material, como reconhecer-se no espelho como alguém admirável, perdoar-se, livrar-se de uma mágoa de tempos – coisas tão comuns, cotidianas, mas que ocupam um espaço imenso na gente!
Cada vez que o espelho lhe diz que está gordo e seu valor é a magreza ou que alguma atitude lhe atinge naquilo que procura preservar, são como gumes a arrancar nacos da sua autoestima, revirando fundo e causando feridas que podem demorar a cicatrizar se você não souber como acalmá-las. Fatores superficiais, que só lhe atingem se permitir, não aceitando a si mesmo como é nem respeitando seus limites, não se autoconhecendo nem ouvindo a própria voz; ao contrário, buscando alcançar padrões inalcançáveis e distantes, iludindo-se com causas tão externas e comezinhas, afastando-se do seu eu verdadeiro.
No entanto, há um segredinho básico: quando fazemos somente o melhor, recebemos somente o melhor. Mesmo com abalos e traumas imprevistos, nada poderá desmanchar nossa autoestima, se a estamos protegendo no máximo de nossa busca. Seja cuidando de si, do emocional, libertando-se do lixo mental e sentimental, acreditando em sonhos, não se deixando contaminar pelas maldades do mundo. Estar com a estima em alta nada mais é do que ter fé em si mesmo; fé de que tudo vai melhorar e que nunca nada esteve tão certo. E o melhor de tudo é que dá pra começar a qualquer tempo, regando a sementinha do amor próprio e podando as ervas daninhas do medo, do ciúme, do individualismo, tudo aquilo que nos deixa feios. Porque feiura não diz respeito somente a um padrão externo. Tem gente que é tão feia por dentro que chega a exalar “cheirinho”. Os mais sensíveis podem ver além de olhos verdes, silhuetas esbeltas e traços dinamarqueses. E, que dizer dos olhos inescrutáveis de Deus, por Quem nada passa?
Ter autoestima é necessário, faz bem, é simples, faz diferença. Quem tem autoestima carrega um sol dentro de si a iluminar a própria vida e a dos outros, sempre com a aura de positividade. Luz que leva a bom termo tudo que em sua vida conduz. Portanto, se há algo em você que não está gostando agora, mude, não perca mais tempo com lamentações estéreis. A nova e melhor pessoa que você pode vir a ser vale sempre qualquer esforço, e não importa quando a transformação comece – somos atemporais!
E isso vale desde um regime até aquela raiva desmedida que sente da colega que parece ter nascido virada pra lua e tem sorte em tudo. Quem sabe o segredo dela não é justamente uma autoestima confiante, cheia do sol interior, mesmo que os outros lá fora digam que está fora de forma?
Quando nos amamos, transparecemos isso no rosto, nos olhos, na jovialidade do semblante, que transborda. Há uma beleza indescritível, sutil e poderosa em quem está sempre de bem, como a adocicada energia das pessoas apaixonadas, só que ainda mais pura e calma, pois carrega uma certeza no olhar e leveza no coração.
Fazer parte desse rol só cabe a cada um. Aproveite as energias de esperança com as quais imantamos nosso final de ano e se vista de luz para o ano que se aproxima. Cada novo dia é uma oportunidade rica e insaciável de amarmos cada pedacinho nosso e transformar todos os nossos desejos em realidade. Não se esqueça disso a próxima vez que olhar no espelho; basta querer para começar a sua mudança.

Feliz estima nova!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Síndrome do “Pode beijar a noiva” - Casar por status ou fuga



Não sei se vou me casar. Nunca me interessei por casamento porque jamais conheci um homem que correspondesse aos meus anseios. Se aparecer alguém que me interesse, eu me caso. Mas não vou me casar com qualquer um só para satisfazer a sociedade.
Entretanto, não é isso que vejo por aí. O casamento não é mais (se é que algum dia o foi) tratado com a seriedade de uma escolha madura e de decoro. Fazem-se e desfazem-se casamentos com a rapidez de um cometa; casa, separa, separa a casa... A volatilidade dos relacionamentos atuais tem o significado que a geração atribui a suas redes sociais. Cansou: deleta. Achou bonito (a): adiciona.
A ruptura do sentido do casamento aliado à vista grossa que a sociedade ainda faz para quem não se casa faz com que milhares de uniões que jamais deveriam ter começado aconteçam todos os dias. Desde meninas de 14 anos a paixões que terminam na lua de mel, nunca o casamento foi tão banalizado e, – por que não dizer – ultrajado, como nos nossos tempos. E algo que impressiona ainda mais pela conduta comum: o casamento por fuga ou por status.
Casamentos por fuga ou status e qualquer outro tipo de união apressada e sem fundamento, desculpem, será quase sempre culpa das mulheres. E não se trata apenas dos sentimentos femininos afoitos, mas também da pressão social que ainda se faz para a mulher nesse sentido. Parece incrível, mas em pleno século XXI, a discriminação para com quem não se casa – especialmente mulheres – é arraigada, a partir de determinada idade. A mulher sente-se na obrigação de constituir lar e família, mesmo que isso vá contra a sua natureza. Realidade desprezada, faz com que muitas se joguem em um casamento sem amor, se este lhe oferecer status, classe social – ou apenas se o noivo possuir um bom carro, posses ou cargos importantes. É como unir o útil ao agradável, uma vez que ela sente que precisa casar – a sociedade, a família, as amigas lhe cobram isso – e o candidato a marido ainda pode lhe satisfazer alguns caprichos que podem fazê-la bem vista aos olhos alheios.
Outro tipo de status que pode ser buscado com um casamento diz respeito àquele que se confere atualmente ao relacionamento em si. Não é exigido que se ame, apenas que se tenha alguém. A pessoa que não namora, fica, “pega” ou, ainda, casa, é tida como anormal e o grupo daqueles que acreditam que um relacionamento é indispensável para a felicidade (grupo que cresce diariamente), autoafirma desfrutar de certos “prestígios” como mostrar aos outros que é desejado, “normal” e que, ainda por bônus, possui sexo fixo – motivo de orgulho, em uma sociedade que não percebe que a liberdade é para o sexo, não para a pessoa.
E há também o casamento por “fuga”. Fugir de uma vida vazia, tediosa (consequências da falta de base moral, intelectual e afetiva), ou fugir de uma existência que já não parece ter graça, como morar com os pais e frequentar a escola. Um casamento pode aparecer como um sonho perfeito, ainda mais quando o namoro decola e a paixão rola solta. Na ilusão dos primeiros meses, os pombinhos até acreditam que serão felizes pra sempre – mas por quanto tempo haveria de durar esse pequeno Éden? Talvez depois de seu segundo porão alugado ou depois de seu segundo filho? Esses sonhos bobos que se tem quando se é jovem, mas mais cedo ou mais tarde se cai na real: a vida não é feita de amanhãs promissores, de crepúsculos encantados e baboseiras como essas. E nada disso, em hipótese nenhuma, quer dizer que não possam existir casamentos felizes. Todavia, é preciso muito mais que festas de casamento hollywoodianas e paixões avassaladoras para garantir isso. E muito mais ainda que carros do ano e viagens de casal. É trabalho. E um compromisso diário, consigo e com o outro. Independente de promessas ao pé do altar, alianças e oficializações (no fundo, nada disso importa de verdade), se casar é escolher alguém pra dividir a vida, pra respeitar, pra deixar o coração bater junto. Mais que status ou paixão, são necessários respeito, confiança, compreensão – e nada disso se constrói em seis meses. Particularmente, acho mesmo que se casar antes de dois anos de namoro é burrice – cientificamente, é o tempo que leva para a paixão degringolar. Aquilo que não é fundado em bases firmes tem poucas chances de se estabelecer de forma satisfatória. Aí se veem aqueles casais que se separam após um ano de casamento, pois não aguentaram os trancos do dia-a-dia e a paixão acaba ao mesmo tempo em que se conhece a convivência. O inferno.
Tem ainda os casos de “infelicidade perpétua”, pois nem sempre a coragem para se separar vai vir. Há expectativas da família, da sociedade, quiçá filhos envolvidos, bens. Quando não há coragem, tudo é motivo, e assim são arrastados relacionamentos infelizes por anos, sem crescer com a situação nem ter arrojo para dar um basta.
Sair da casa dos pais e se casar direto é como “se roubar de si”, pular fases. Acho que todo mundo deveria ter a experiência de morar sozinho: conhecer seus gostos, hábitos; descobrir como se vira em situações X e Y; perceber como gosta e não gosta das coisas, suas reações; resolver pepinos de médio porte, pagar as próprias contas e ser responsável por elas e por si. Só, sem a interferência de ninguém.  Enfim, morar sozinho por pelo menos uns dois anos antes de casar; ver como é, se se suportaria. É dignificante.
Casar-se é mais que juntar escovas de dentes. Não há nada a provar a ninguém, não há quem possa nos cobrar, só à própria consciência se prestará contas depois. E casar também é mau humor de manhã, pagar contas com atraso, ceder, teimar, lavar cuecas cagadas ao entardecer, ver Rede Globo no domingo, chulé, miojo. Será que você está pronto (a) para dar esse passo tão importante? Boa sorte! Por bem ou por mal, todos aprendemos as bases do respeito pelo próximo e por nós mesmos um dia. Mais cedo ou mais tarde, todos aprendemos que amar a si mesmo é o mais importante e que se unir a outrem deve partir da predisposição de duas almas, e não de dois corpos. Então, que no dia do seu casamento, já tenha aprendido essa lição tão importante do espírito.
Pode beijar a noiva.

domingo, 9 de dezembro de 2012

A rigidez consigo mesmo



Acompanhando uma amiga a uma loja de sapatos, percebi nela algo bem comum em muitas pessoas: a rigidez consigo mesma. E o que seria, afinal, ser rígido consigo? A rigidez consigo vem da importância que se dá ao que os outros (supostamente) pensam; aos condicionamentos construídos por longos anos (educação rigorosa; preconceitos religiosos) e ao acato às cobranças da sociedade. E um desses 3 fatores, senão os três, são responsáveis por fazer com que alguém perca a espontaneidade e não se permita fazer certas coisas. Ou melhor, fazê-las de um jeito não habitual ou despreocupado.
Eduarda* queria um tênis novo, mas este tinha de ser preto, branco ou cinza, pois eram mais básicos e menos chamativos. O interessante é que um lindo modelo vermelho, totalmente desconvencional, com zíper na lateral, a interessou bastante, mas não cogitou sequer prová-lo.
- Por que não? – inquiri.
- É vermelho, Kelly.
- E daí?
Desculpou a si mesma que vermelho não dava, não iria usar, nunca tivera tênis vermelho. Aí, se encantou com um verde, de velcro. Mas, não, novamente negou-se, por não ser usual. Tinha de ser cinza, preto ou branco. Ou que não fugisse muito disso. E assim, ao longo do tempo que passei com ela, percebi ainda muitas coisas a que não se permitia, embora fossem de seu desejo. Desde a vontade de aprender a andar de skate até a coragem de largar um emprego que a faz infeliz, tudo estava condicionado ao externo. Uma viagem marcada para fevereiro precisou ser cancelada porque o namorado mudou de emprego. Curtir-se, viajar com amigas, dar um presente a si mesma: tudo era demais. E, mesmo com dinheiro em caixa, cuidou o preço do tênis comprado, pois temia que faltasse para a faculdade.
Quantas vezes agimos como Eduarda... Tomamos um chá daquilo que não gostamos, condicionamos nossos dias àquilo que não queremos, desagradando a nós mesmos, preocupados com os outros. Esquecemos completamente que esses outros estão ocupados de mais cuidando da própria vida (ou que assim deveriam) e pouco se importam se estamos dançando na chuva ou de calça de brim roxa. E ser rígido consigo mesmo só traz problemas. Altera a saúde, faz com que fiquemos mal conosco mesmos... Inconscientemente ou não, em algum momento vamos nos cobrar.
A vida vai passando e nos impedimos de usar uma roupa que queremos, de escolher outro sabor de sorvete, de trocar o modelo de tênis... Coisas tão pequenas, mas que fazem toda diferença na constituição da nossa identidade, do nosso mundo, da nossa história. E deixamos de OUSAR... No final das contas, não haverá nenhuma recompensa em ser rígido consigo. Você pode guardar o dinheiro, mas não vai guardar o momento. Pode ficar feliz com o novo tênis cinza, mas talvez intimamente se pergunte se teria ocasião de usar o vermelho. Pode pensar que “agrada a Deus”, totalmente esquecido de que Ele não condenaria sua própria criação, pelo que quer que fosse. E pessoas reprimidas não são felizes. É melhor ser excêntrico que reprimido. Ainda que, a rigidez não seja propriamente a repressão, mas uma forma de alimentá-la.
Você pode ter muitos motivos para não usar um tênis vermelho, mas se tiver apenas um, use-o. Você pode ter muitos motivos para tomar sorvete de chocolate, mas se houver oportunidade, experimente o de maracujá, não há nada a perder (e é uma delícia...!). Ademais, quem ousa tem muito mais história pra contar. É um desafio a si, uma “saída da rotina”, um mergulho no desconhecido. Não há nada de ruim nisso. O máximo que pode acontecer é voltar a usar tênis cinzas. Portanto, vá além – se não puder abandonar totalmente essa rigidez que insiste em chamar de senso de ridículo ou prudência – pelo menos, tente. De repente, você não tem uma espantosa e deliciosa noção de si mesmo?

*Nome fictício.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A mudança começa em você



Quantas vezes você já disse a si mesmo: nesse ano eu vou mudar. Seja um vício, um defeito, uma atitude que o incomode. Seja, ainda, uma situação que se repete em sua vida, um padrão ou um ciclo que parece não se fechar.
Pois bem, talvez já tenha ouvido isso, mas a mais pura verdade é que a mudança só vai acontecer quando você mudar. E não é mudar radicalmente, de uma hora pra outra. Tenha certeza que mudanças assim, muitas vezes, não são permanentes nem verdadeiras. É preciso tempo para se adaptar, para se situar na nova situação. A mudança é constante e acontece dia-a-dia, por vezes em coisas que parecem nem ter relação com aquela que se deseja. Mudar um hábito, um padrão de pensamento, precisa de treino diário. Será mesmo uma luta com o padrão antigo, que tentará prevalecer, e vai tentar de todas as formas voltar, ou melhor, não ir.
Mudar é fazer diferente, resistir a si mesmo, ser mais forte, mesmo quando isso parecer fraqueza. Mudar é deixar o velho ir, mas o mais importante de tudo é acreditar nessa possibilidade. Nenhuma mudança acontece sem fé. E embora a fé religiosa também seja importante, a fé para mudar tem mais a ver com uma inabalável crença em si mesmo.
Força, fé, coragem; todos nós somos capazes e podemos fazer de cada dia um novo começo (não só da boca pra fora). Substitua pensamentos que não servem mais, se desfaça daquilo que só está trancando canto – seja na mente, seja na vida. Liberte-se de si mesmo, persigne-se e não desanime ante as primeiras aparentes derrotas. Quando tiver mudado de verdade, os novos padrões serão automáticos – não cederá ao vício, ao pessimismo ou a situação recorrente em sua vida simplesmente desaparecerá.
Mudar começa de dentro pra fora. Mude e tudo mudará à sua volta. E você pode.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

10 razões para não arrumar um emprego – Parte I



Tradução: Fábio Centenaro)

Recentemente, por brincadeira, eu perguntei à Erin: “Agora que as crianças estão na escola de verão, não acha que é uma boa hora pra você sair e arrumar um emprego? Odeio ver você na lama do desemprego por tanto tempo”.
Ela sorriu e disse: “Uau, eu estou desempregada há tanto tempo. E é estranho… Eu gosto disso!” Nenhum de nós tem emprego desde os anos 90 (meu único emprego foi em 1992), e desde então trabalhamos por conta. Em nossa família corre solta a piada de um dizer pro outro, “Talvez você devesse arrumar um emprego”.
É como aquela cena de Os três patetas onde Moe diz a Curly para arrumar um emprego, e Curly responde “Não, por favor… isso não! Tudo menos isso!”
É engraçado que quando algumas pessoas alcançam uma certa idade, tipo após se formar na faculdade, presumem que é hora de arrumar um emprego. Mas como muitas coisas que as massas fazem, apenas porque todo mundo faz não quer dizer que seja uma boa ideia. Na verdade, se você for razoavelmente inteligente, arrumar um emprego é uma das piores coisas que você pode fazer . Há maneiras muito melhores de arrumar dinheiro sem ter que se vender em um contrato de escravidão.
Aqui estão algumas razões porque você deveria fazer tudo para evitar ter que arrumar um emprego:


1. Receita para iniciantes
Arrumar um emprego e trocar o seu tempo por dinheiro pode parecer uma boa ideia. Há apenas um problema nisso. É burrice! É a coisa mais burra que você pode fazer para ganhar dinheiro. Essa é a verdadeira receita para iniciantes.
Por que arrumar um emprego é tão imbecil? Porque você só recebe quando trabalha. Você não vê problema nisso, ou passou por uma lavagem cerebral e está achando que é razoável e inteligente apenas receber quando está trabalhando? Você nunca pensou que seria melhor ser pago mesmo quando não trabalhar? Quem lhe ensinou que só é possível receber tendo que trabalhar? Alguém que tenha passado pela mesma lavagem cerebral, talvez?
Não acha que sua vida seria muito mais fácil se você fosse pago enquanto estivesse comendo, dormindo, ou brincando com as crianças também? Por que não ser pago o tempo inteiro? Ser pago trabalhando ou não. As plantas não crescem mesmo quando você não está cuidando delas? Por que não a sua conta bancária?
Quem se importa com quantas horas você trabalha? Somente um pequeno número de pessoas no planeta inteiro se importa com quanto tempo você gasta no escritório. Muitos de nós nem notam se você trabalha 6 horas por semana ou 60. Mas se você tem algo de valor para oferecer que importe a nós, um bom número de pessoas vai ficar feliz em abrir a carteira e pagá-lo por isso. Não nos importamos com o seu tempo – nos importamos o suficiente para pagar o valor que recebermos. Você realmente se importa com o tempo que levei para escrever este artigo? Você me pagaria duas vezes mais se tivesse levado 6 horas ao invés de 3?
Não-iniciantes normalmente começam no tradicional receita para iniciantes. Então, não se sinta mal se você se deu conta agora que foi enganado. Não-iniciantes se dão conta que trocar tempo por dinheiro é, na verdade, extremamente burro e que deve haver uma maneira melhor. E claro que há uma maneira melhor. A chave é desacoplar o seu valor do seu tempo.
Pessoas inteligentes constroem sistemas que geram receita o tempo inteiro, especialmente receita passiva. Nisso pode-se incluir começar um negócio, construir um web site, se tornar um investidor ou gerar royalties de trabalho criativo. O sistema entrega o valor corrente para as pessoas e gera receita disso, e uma vez em andamento, continua até que você resolva que não quer mais. A partir desse momento, o grosso do seu tempo pode ser investido em aumentar sua receita (refinando o sistema ou criando outros novos) ao invés de meramente manter sua receita.
Este web site é um exemplo desse sistema. No momento que escrevo este artigo, ele gera em torno de $9000 por mês, e também não é minha única fonte de renda. Eu escrevo cada artigo uma única vez e as pessoas podem extrair valor deles mesmo um ano depois. O servidor web entrega o valor, e outros sistemas (muitos que eu nem criei ou nem entendo) coletam a receita e depositam automaticamente na minha conta bancária. Não é perfeitamente passiva, mas eu amo escrever e faria de graça de qualquer forma. Mas, claro que isso me custou muito dinheiro pra começar o negócio, certo? Hum, é, $9 é muito dinheiro hoje em dia (para registrar o domínio). Tudo depois disso foi lucro.
Claro que leva tempo e esforço para desenhar e implementar seu próprio sistema gerador de receita. Mas você não precisa reinventar a roda – sinta-se livre para usar sistemas existentes como rede de anúncios e programas de afiliados. Uma vez que você começar, não vai ser necessário trabalhar tantas horas para se sustentar. Não seria bom sair e jantar com sua esposa, sabendo que enquanto está comendo, está ganhando dinheiro? Se você quer continuar trabalhando muitas horas porque gosta, vá em frente. Se quiser ficar sentado sem fazer nada, à vontade. Contanto que o sistema continue levando algo de valor aos outros, você continuará recebendo, trabalhando ou não.
A livraria mais próxima está cheia de livros contendo sistemas prontos que outras pessoas já inventaram, testaram e aprimoraram. Ninguém nasce sabendo como começar um negócio ou gerar receita a partir de investimentos, mas é muito fácil de aprender. O tempo que demora para cair a ficha é irrelevante porque o tempo vai passar de qualquer forma. Você pode se tornar, a qualquer momento, dono de um sistema gerador de renda ao invés de uma vida de escravidão. Isso não é tudo ou nada. Se o seu sistema gerar apenas alguns dólares por mês, já é um passo significativo na direção certa.


2. Experiência limitada.
Você pode achar que é importante arrumar um emprego para ganhar experiência. Mas isso é o mesmo que dizer que você deve jogar golfe para ganhar experiência em jogar golfe. Você adquire experiência vivendo, não importa se tem um emprego ou não. Um emprego somente lhe dá experiência naquele ramo, mas você adquire “experiência” fazendo praticamente qualquer coisa, então não há benefício real. Sente e não faça nada por dois anos, e você pode dizer que é um meditador experiente, um filósofo ou político.
O problema em ganhar experiência de um emprego é que você normalmente repete a mesma experiência limitada todos os dias. Você aprende muito no começo e então fica estagnado. Isso lhe força a perder outras experiências que seriam muito mais valiosas. E se suas habilidades limitadas ficarem obsoletas, então sua experiência não vai valer nada. Na verdade, pergunte a si mesmo quais experiências que você está adquirindo agora serão úteis em 20-30 anos. Será que seu emprego ainda vai existir?
Considere isso. Que experiências você preferia ganhar? O conhecimento de como exercer bem um emprego – aquele que você monetiza trocando o seu tempo por dinheiro – ou o conhecimento de como aproveitar abundância financeira para o resto da sua vida sem precisar de um emprego novamente? Agora eu não sei você, mas eu prefiro ter esta última experiência. Isso parece muito mais útil no mundo real, você não acha?

3. Domesticação eterna
Arrumar um emprego é como se inscrever em um programa de domesticação para humanos. Você aprende a ser um bom animal de estimação.
Olhe à sua volta. Olhe bem. O que você vê? Esses que te rodeiam são seres humanos livres? Ou você está vivendo em uma jaula para animais inconscientes?
Como vai o seu treinamento de obediência? O seu mestre recompensa o seu bom comportamento? Você é disciplinado toda vez que falha ao obedecer os comandos do seu mestre?
Há alguma faísca de livre arbítrio dentro de você? Ou você se condicionou a ser um animal de estimação pelo resto da vida?
Humanos não foram feitos para crescerem em jaulas. Tadinho…

4. Muitas bocas para alimentar
A renda de um empregado é a que mais sofre com impostos. Nos EUA, você pode esperar que metade do seu salário vá para os impostos. O sistema tributário foi criado para mascarar quanto você realmente perde, porque alguns impostos são pagos pelo empregador, e outros são deduzido no seu contracheque. Mas, pode apostar que da perspectiva do seu empregador, todos os impostos são considerados parte do seu salário, assim como qualquer outra compensação que você recebe, ou seja, benefícios. Até mesmo o aluguel do espaço no escritório que você ocupa é considerado, então você deve gerar mais receita para cobrir isso. Você pode se sentir apoiado pelo ambiente da empresa, mas tenha em mente que é você que está pagando isso.
Outra parte da receita vai para proprietários e investidores. Há muitas bocas para alimentar.
Não é difícil entender porque empregadores pagam mais em impostos relativos a suas receitas. Afinal, quem tem mais controle sobre o sistema tributário? Proprietários e investidores ou empregados?
Você recebe somente uma fração do valor real que gera. Seu salário real pode ser mais do que o triplo do que você recebe, mas esse dinheiro você nunca vai ver. Ele vai direto para o bolso de outras pessoas.
Que pessoa generosa você é!

5. Muito arriscado
Muitos empregados acreditam que arrumar um emprego é a maneira mais segura de se sustentar.
Idiotas.
Condicionamento social é espetacular! É tão bom que pode fazer as pessoas acreditarem exatamente no contrário da verdade.
Colocar-se em uma posição onde alguém pode acabar com a sua receita falando apenas três palavras (“Você está despedido!”) lhe parece uma situação segura? Ter apenas um meio de receita parece, honestamente, mais seguro do que ter 10?
A ideia de que um emprego é a maneira mais segura de gerar receita é tola. Não há segurança se você não tem controle, e empregados não tem controle de nada. Se você é um empregado, então o seu real título é jogador profissional.

SEÇÃO EXCEPCIONALMENTE

Na seção “Excepcionalmente” apresento textos de outra autoria, mas que calam fundo em meus valores.

Leia a parte II AQUI

10 razões para não arrumar um emprego – Parte II



Tradução: Fábio Centenaro)

Leia a parte I AQUI

6. Ter um demoníaco mestre bovino
Quando você recorre a um idiota no mundo empreendedor, você pode dar meia volta e ir para o outro lado. Quando você recorre a um idiota no mundo corporativo, você deve dar a volta e dizer: “Desculpe, chefe”.
Sabia que a palavra chefe vem da palavra holandesa baas, que historicamente quer dizer mestre? Outro significado da palavra chefe é “uma vaca ou bovino”. E em muitos jogos de vídeo game, o chefe é um cara mau que você tem que matar no final da fase.
Então, se o seu chefe é realmente um demoníaco mestre bovino, então o que você é?
Então, quem é o maior?

7. Implorando por dinheiro
Quando você quer aumentar sua receita, você tem que sentar e implorar ao seu mestre por mais dinheiro? É bom receber mais alguns Biscoitos Scooby de vez em quando?
Ou você é livre para decidir quanto recebe sem precisar da permissão de mais ninguém além da sua própria?
Se você tem um negócio e um cliente diz “não”, você simplesmente diz “próximo”.

8. Uma vida social inata
Muitas pessoas tratam seus empregos como a saída social primária. Eles saem com as mesmas pessoas do campo de trabalho. Tais relações incestuosas são becos sem saída sociais. Um dia empolgante inclui conversas sobre mudanças na empresa, o atraso do último sistema operacional da Micro$oft, e a inesperada entrega das canetas Bic. Considere como seria sair e conversar com estranhos. Aahhh… Assustador! Melhor ficar onde é seguro.
Se um dos seus co-escravos for vendido a outro mestre, você perde um amigo? Se você trabalha em um ambiente masculino, significa que você nunca vai poder falar com uma mulher acima do nível de recepcionista? Por que não decidir por si mesmo com quem socializar ao invés de deixar o seu mestre decidir por você? Acredite se quiser, há lugares nesse planeta onde pessoas livres congregam. E ainda por cima – são muitos!

9. Perda da liberdade
É necessário muito esforço para domesticar um ser humano para ser um empregado. A primeira coisa a fazer é quebrar a vontade independente humana. Uma boa maneira de fazer isso é dar-lhes um pesado manual de conduta cheia de regras e regulamentos absurdos. Isso leva o novo empregado a se tornar mais obediente, temendo que seja disciplinado a qualquer minuto por alguma coisa incompreensível. Assim, o empregado vai concluir que é mais seguro simplesmente obedecer aos comandos do mestre sem questionar.
Como parte do treinamento de obediência, os empregados devem ser ensinados a se vestir, andar, e assim por diante. Não podemos ter empregados pensando por si mesmos, podemos? Isso levaria tudo à ruína.
Imagine colocar uma planta na sua mesa quando as regras da empresa não permitem. Ah, não, é o fim do mundo! Cíntia tem uma planta na mesa! Chame os carcereiros! Mande-a de volta a outro turno de estéril treinamento!
Seres humanos livres pensam que tais regras e regulamentos são bobos, é claro. A única regra que precisam é: “Seja esperto. Seja bom. Faça o que ama. Divirta-se!”

10. Tornando-se um covarde
Você já notou que os empregados têm uma capacidade infinita de reclamar sobre os problemas nas suas empresas? Mas eles não querem soluções – eles querem apenas descarregar e arrumar desculpas dizendo que é culpa de alguém. É como se arrumar um emprego drenasse todo o livre arbítrio das pessoas e as transformasse em covardes fracos. Se não pode chamar o seu chefe de idiota de vez em quando sem medo de ser despedido, você não é mais livre. Tornou-se propriedade do seu mestre.
Quando se trabalha junto de covardes todos os dias, não acha que isso vai passar pra você? Claro que vai. É apenas questão de tempo até que você sacrifique as partes mais nobres da sua humanidade no altar do medo: primeiro, coragem… depois, honestidade… depois, honra e integridade… e, finalmente, sua independência. Você vendeu sua humanidade por nada, a não ser uma ilusão. E agora o seu maior medo é descobrir a verdade do que você se transformou.
Não me importa o quanto você foi desencorajado. Nunca é tarde demais para recobrar a sua coragem. Nunca!


Ainda quer um emprego?
Se você atualmente é bem condicionado, um empregado bem comportado, sua reação mais provável ao que foi dito acima é ficar na defensiva. É tudo parte do condicionamento. Mas, considere: se o que está acima não tivesse um pingo de verdade, você não teria nenhuma reação emocional. Esse é apenas um lembrete do que você já sabe. Você pode negar a jaula enquanto quiser, mas a jaula ainda está lá. Talvez tudo aconteceu tão gradualmente que você nem tinha notado até agora… como uma lagosta aproveitando um bom banho quente.
Se alguma coisa do que foi dito lhe deixa irritado, isso é um passo na direção certa. Raiva é um nível mais alto de consciência do que apatia, então é melhor do que estar adormecido o tempo inteiro. Qualquer emoção – mesmo confusão – é melhor do que apatia. Se você trabalhar através dos seus sentimentos ao invés de represá-los, você logo aparecerá na porta da coragem. E, quando isso acontecer, você terá a vontade de fazer alguma coisa sobre sua situação e começar a viver como o poderoso ser humano que você deveria ser, ao invés de ser o animal domesticado que você foi treinado para ser.

Feliz “sem emprego”
O que é possível fazer ao invés de arrumar um emprego? A alternativa é permanecer feliz, sem emprego, a vida inteira, e gerar dinheiro por outros meios. Note que você ganha dinheiro oferecendo algo de valor – não tempo – então encontre uma maneira de fazer isso aos outros, e cobre um preço justo. Uma das mais simples e acessíveis maneiras é começar seu próprio negócio. Qualquer coisa que você faria no seu emprego, faça-o diretamente a quem mais se beneficia disso. Demora um pouco mais para começar a andar, mas sua liberdade vale o investimento inicial de tempo e energia. Então, você poderá comprar seus próprios Biscoitos Scooby de vez em quando.
E, claro que tudo o que você aprender no meio do caminho, você pode compartilhar com os outros e gerar mais valor. Ou seja, até os seus erros podem ser monetizados.
Um dos maiores medos que você vai se deparar é não ter o que oferecer aos outros. Talvez como empregado e sendo pago por hora é o melhor que você consegue fazer. Talvez você não valha tanto. Esse tipo de pensamento é totalmente parte do condicionamento. É absolutamente sem sentido. Assim que você começar a deixar a lavagem cerebral de lado, você logo vai notar que possui a habilidade de oferecer enorme valor aos outros e que as pessoas vão pagá-lo de bom grado por isso. Só há uma coisa que impede que você veja isso – medo.
Tudo o que você precisa é coragem para ser você mesmo. O seu real valor está enraizado em quem você é, não no que você faz. A única coisa que você precisa fazer é expressar o seu EU para o mundo. Você já ouviu todo o tipo de mentiras do porquê você não pode fazer isso. Mas nunca irá conhecer a verdadeira felicidade e realização até que consiga coragem para fazer isso.
Na próxima vez que alguém lhe disser “arrume um emprego”, eu sugiro que responda assim como Curly: “Não, por favor … isso não! Tudo menos isso!”. Depois, lhe dê um soco bem no meio do nariz.
Você já sabe lá no fundo que arrumar um emprego não é o que você quer. Então, não deixe que lhe digam o contrário. Aprenda a confiar na sua intuição e sabedoria, mesmo que o mundo inteiro diga que está errado e que está sendo burro. Daqui a muitos anos, você vai olhar pra trás e ver que essa foi uma das melhores decisões que já tomou. 

Copyright © 2006 by Steve Pavlina

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