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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Blogar NÃO é profissão




Em meio a tantas tendências que se popularizaram na internet, se disseminou entre seus usuários a ideia de que ter blogs é uma profissão. Não falo daquelas pessoas contratadas para atualizar o blog de uma empresa ou marca, mas de blogs próprios que, imbuídos de alguma popularidade capaz de influenciar, têm seus donos “convocados” a sugerir produtos, marcas, lugares e dar conselhos, como se tivessem formação psicológica, jurídica, médica... E tudo de uma forma muito sutil.
Quem “bloga” por dinheiro faz isso porque atingiu certa popularidade com a produção de seu conteúdo e passou a ganhar para fazê-lo, mas, embora não pareçam ser os leitores a pagá-los, estes talvez paguem um preço até mais alto, devido à falta de senso crítico. A influência é muito mais perniciosa que qualquer dinheiro que possamos desembolsar.
Por receberem por seus conteúdos, esses blogueiros passam a chamar isso de “profissão”, o que, nesse caso, não deixa de ser verdadeiro. É que, eu, por exemplo, não conseguiria fingir a mim mesma que trabalho enquanto me obrigo a escrever uma ou duas besteirinhas por dia para encher minha página.
Blogs pagos podem ser muito nocivos... Em primeiro lugar, começam com sugestões disfarçadas do tipo “Gente, usei o sabonete Tabajara, é uma delícia!”. Fazem resenhas de livros que nunca leram, de maquiagens que nunca usaram, a cada duas palavras, uma é um link. Sites, jogos, sugestões de compras online, nome do blog para ganhar desconto em tal peça ou loja... O pior é como a maioria das menininhas cai (embora, algumas marmanjas também aceitem as sugestões numa boa e blogs de games sejam igualmente ou ainda melhores patrocinados!). Agora, acho que o pior de tudo nesses blogueiros e blogueiras é o fato de autodenominarem-se escritores. Estamos muito mal representados quando escritores de verdade não publicam e os de mentira enchem livros, colunas de revista e pages... Lamento, mas blogueiro não é escritor. Escritores, infelizmente, muitas vezes morrem sem serem reconhecidos, com tesouros enterrados na gaveta. São publicados postumamente e reviram no túmulo quando veem bostas como esses sendo intitulados de escritores. Esses “escritores” de meia tigela da nova geração estão sendo criados como experiências nesses nascedouros virtuais cuja vertente é o comércio, sendo produzidos em massa e para a massa como aquilo que hoje chamam de artista. Fazer conteúdo por dinheiro não tiraria a nobreza do ato se, antes deste, viesse o amor – mas é muito difícil amar verdadeiramente algo que não é propriamente nosso. Quando somos obrigados a encher a página de anúncios, criar milhões de links na postagem e direcionar os internautas para onde nós somos pagos para fazê-lo, creio que o amor fica em segundo plano (quando fica). Só que esses blogueiros acabam gostando do apelo, da pequena fama, dos inúmeros comentários; talvez esperem um convite para o Big Brother Brasil. E o que acho mais lamentável nisso tudo são essas empresas e marcas que apoiam isso, uma vez que percebem esses Neymares virtuais capazes de fazer a cabeça de nosso povo sem cultura e opinião e criar cada vez mais um público consumidor, que não questiona aquilo que consome nem por que consome. 
Blog não deveria ser comércio. O conteúdo se compromete, a pessoa deixa subir à cabeça. Começa a tratar os leitores como “público”, numa inversão de papeis. Vejo muita menina de blog tratar suas leitoras como retardadas, fazendo vídeos de 20 minutos, sugerindo marcas naturalmente, oferecendo todo tipo de serviço cobrado. E o pior de tudo é a aceitação, pois se não tivesse quem pagasse pra ver, não haveria quem patrocinasse isso.
Nunca quis colocar propagandas aqui no blog. Já me estressei por perceber que alguma plataforma do blogger tentou instalar um pop-up quando clico em determinados tópicos e não sei se o problema já foi consertado. Passei dos 80 mil acessos em dois anos sem nunca ter ficado pelada ou dito “Tomei Vital Ervas e emagreci 20 kg, clique aqui”. Penso que transformar seu blog em comércio é uma questão do quanto você vale. E não tenho nada contra quem frequenta esses blogs, desde que possua senso crítico – o que, infelizmente, não é a realidade da maior parte das pessoas do nosso país.
E, por fim, digo que ter escrito sobre isso não é sinônimo de que tal coisa me incomode. Geralmente, só consigo escrever sobre um assunto quando este não me incomoda ou não me incomoda mais. Eu nunca comparei meu blog aos de comércio porque ele é feito com liberdade – não me obrigo a escrever nem ninguém a vir aqui. Amo escrever o bastante para perceber que trabalhar escrevendo é só mais um trabalho. Não dá certo. Adoro responder e-mails e comentários, mas acho que é se achar grande coisa considerar isso uma atividade remunerada. Talvez seja mais estúpido ainda quem financia (Tudo pelo lucro!). E nunca me considerei blogueira, sou escritora, então talvez minha posição sobre blogueiros possa mesmo estar equivocada. Este blog é apenas a canalização de alguns desses pensamentos todos, o compartilhamento de ideias e ideais ou uma parte mínima de mim que consigo traduzir em palavras.
Blogar não é profissão. Não deveria. Para mim, é só um prazer a mais nas manhãs preguiçosas.

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