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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A arte da convivência



Conviver é muito difícil, às vezes. Nas rodas superficiais, em encontros esporádicos com aqueles que pouco vemos, todos são agradáveis, tolerantes, companheiros e todas aquelas coisas que são ensinados a ser. As poucas exceções, mimadas e que querem impor seu ego e seus defeitos logo de cara, a gente simplesmente se afasta e pronto. Nada disso é tão fácil, porém, com as pessoas de nosso círculo íntimo. Elas podem ser sua fortaleza, seus defensores ou o lado que o põe pra baixo. Geralmente são as duas coisas, alternadamente. Conviver é uma arte, pois, é preciso driblar problemas pequenos que, de repente, se tornam tão grandes, pela falta de tolerância de quem vive no mesmo teto. É em casa que vamos expor nossas manias, rabugices, vícios – coisas que muitas vezes farão descambar situações dramáticas, complicadas, desnecessárias. Mas, que o ego prevalente fará se sobressaírem. A paz é perdida por muito pouco e um erro qualquer é crucificado.
Estar com outras pessoas sempre será um desafio, especialmente porque parecemos ser menos tolerantes para com aqueles que mais deveríamos ser. Somos gentis e queridos com os estranhos na rua, mas em casa, brigamos à toa. Sorrimos quando contrariados por um amigo, mas compramos discussão quando quem pensa diferente é alguém ao nosso lado. E o que a convivência deveria proporcionar era justamente o contrário: o incentivo à pessoalidade de cada um, o estímulo à diferença, a tolerância com os erros e defeitos alheios, a reeducação de nossas próprias imperfeições. Deveríamos começar exercitando a caridade no seio familiar, sendo mais pacientes, compreensivos, menos invasivos, intolerantes. Mas, é difícil. As pessoas acham que por serem parentes, ou mais velhos, ou pais; que têm direitos sobre as outras e que isso lhes dá intimidade; como tentar exercer controle, opinar invasivamente, decidir por elas. Falta o respeito pela inteligência e dignidade dos outros; a consciência de que também se erra e que, quando isso acontece, esperamos compreensão e também desejamos que nossas escolhas sejam respeitadas.
Conviver é difícil e fica cada vez mais, com pessoas que não se conhecem verdadeiramente nem fazem questão disso; que moram na mesma casa, todavia não habitam uma dentro da outra. E, talvez, isso explique até a dificuldade em conviver, como um círculo vicioso. Pois, aprendendo assim, não é simples construir uma nova imagem de como a vida familiar pode ser rica e prazerosa, apenas por poder usufruir juntos das melhores coisas da vida.

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