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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 9 de março de 2013

Esse DNA viajante...



Em toda minha infância, duas das coisas que mais me fascinavam eram globos terrestres e mapas. Lembro de um globo terrestre imenso que existia na escola, além das paredes da biblioteca tomadas por mapas gigantescos, e ficava imaginando o que cada nome daqueles significaria em termo de lugares. Em minha imaginação infantil, cada pequena viagem de ônibus já era uma aventura – que dizer daquelas viagens de verdade, que via nos filmes da sessão da tarde? O primeiro globo terrestre que tive era pequenininho - um apontador, cujo depósito era o globo mal impresso –, que nunca levava para a escola, para ficar contemplando em casa, na ânsia de meus anos mais felizes. E cresci olhando para ele a sonhar como seria estar do outro lado do mundo, viajando mentalmente; fechava meus olhos e passava horas apontando um dedinho robusto na direção dos países que eu, sequer, sabia mencionar os nomes.
Minha noção da grandeza do mundo nunca foi limitada. Porém, mesmo sem me mover por distâncias grandiosas, podia imaginá-las através de um atlas, de um livro de História ou, simplesmente, através de um documentário na National Geographic. Colecionando as figurinhas da Amazônia e do Pantanal, guardando as que traziam a cultura dos países da Copa de 94 ou arregalando os olhos a todas as que encontrava dos lugares sedutores que o chocolate Surpresa trazia, os anos foram passando e me preenchendo da vontade de viajar mais e mais . Geografia nunca foi propriamente o meu forte, mas, já na primeira aula de Biologia, imaginei que continha um DNA viajante.
O problema é que não é desde que me conheço por gente que eu conheço dinheiro.
Era ainda cedo quando descobri que passaporte pro mundo custa muito caro e nem sempre é possível ingressar em cada um dos lugares de sonho em meu cavalo alado chamado Ventania. A revolta pela injustiça já entorpeceu meus melhores anos, especialmente ao perceber que um ingresso pro mundo é algo tão especial quanto raro. Via que muitos dos que podiam obtê-lo careciam daquele espírito de aventura, enquanto muitos que o mereciam não podiam tê-lo devido ao alto preço que o mundo cobrava. E, se antes de completar uma década eu já me agoniava por não conhecer estes lugares, imagina hoje, com 20 e tantos anos na cara: a tristeza e a indignação por ver os anos passarem e não me ver passar por aqueles lugares com a liberdade e a independência sonhadas.
Natural para quem cresceu ouvindo: “Essa menina vai longe” era imaginar qual país poderia ser o mais longe possível, coração na mão, círculos a caneta hidrocor no mapa, cabeça nas nuvens e a agonia de lembrar que a lista é grande, mas a gente também é. E quando tem a coragem de deixar a primeira pegada, montar a mochila nas costas e ganhar o mundo, a gente mais se encontra que se perde. Pois, quanto mais saio do lugar, mais eu sinto que estou exatamente onde deveria estar e que o próximo voo será muito, muito mais alto...

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