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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 17 de março de 2013

Homens sem testosterona



A mulher contemporânea já assumiu várias conquistas que suas avós nem sonhavam: pode ser profissional bem sucedida, mãe solteira inseminada, sustentar-se sozinha e, ao mesmo tempo, manter os tradicionais papeis esperados de sua pessoa, como de dedicada esposa e mãe. O interessante é analisar como vem reagindo o homem a essa mudança tão radical e merecida, já que somos frutos de uma herança histórica onde os homens se sobressaíam e a mulher era tratada apenas como um objeto de sexo frágil.
Aparentemente, alguns homens hodiernos parecem muito confusos ante sua nova “função” social. A maioria parece estar perdida entre o machismo pleno e absoluto, tradicional no sistema de família patriarcal, e ser um homem fêmea, restando pouca esperança àquelas mulheres cuja crença permitia antever um homem situado no “meio termo”. O homem fêmea é uma praga no mundo moderno, principalmente nessas novas gerações, onde o compromisso com o outro foi totalmente abolido do campo de relacionamentos e os meninos crescem acreditando que os dois sexos são totalmente iguais e que um rosto de boneca resolverá todos os problemas que eles têm na vida (além do abono financeiro dos pais, é claro).
Muitos homens de hoje parecem carecer de caracteres básicos para serem denominados homens A testosterona, ou, é quase inexistente, suplantando o sujeito de qualidades femininas – e femininas; - ou permanece a níveis Neandertais, sustentando homens brutos, insensíveis e totalmente dominados pelos instintos do sexo e da vida selvagem. Assim, o homem esperado pelas mulheres – para dar uma pequena amostra, aquele que pode ser cavalheiro, mas igualmente ter a coragem de trocar a resistência de um chuveiro – é cada vez mais raro, na remota hipótese de existir. O trabalho em escritório criou homens especialistas em fazer dinheiro e bunda, mas incapazes de carpir uma erva daninha ou erguer um pesinho, que não seja na academia. São frescos, são frouxos, mas também muito certos de que não há nada de errado em ser como são, pois a igualdade de sexos está aí para não desmenti-los.
O homem fêmea pode ser culto, sensível e gentil, mas o seu grande mal é que ele não tem nenhuma atitude. Não sabe dizer “não” quando necessário e, muitas vezes, se ferra bonito por isso. Confunde ajudar os outros com abrir mão de cuidar dos próprios problemas e interesses, não mantendo uma postura firme de dignidade e objetivos de vida. Demonstra estar sempre à disposição dos outros – o que não seria nem mau, se ele soubesse que em tudo na vida é importante a observância dos limites. Não é determinado em suas metas e muda de ideia toda hora, além de não procurar atingir seus objetivos (quando os tem). Permite-se levar a vida sem nenhuma preocupação coerente, carecendo da base que dá substância e segurança a qualquer mulher que pense em dividir a vida com alguém. Tudo isso, além de nunca tomar decisões importantes e mostrar-se um inseguro e indeciso crônico, relegando tais deliberações sempre a um futuro distante.
Não reconheceu ninguém no descrito acima? Ah, mas talvez seja preciso o texto ser um pouco mais claro. Que tal aqueles homens que até “namoram”, mas há anos não tomam nenhuma decisão de dar um passo mais importante? E aqueles cuja mãe lhe frita o bifinho aos 20 anos e lhe faz a cama aos 22? E também aqueles cuja a rotina é de baladas e o vestuário é de adolescentes, mesmo aos completos 40 anos. São aqueles homens que ainda moram com os pais, mesmo que a situação financeira já se faça generosa há muito, muito tempo. E, que razões ele teria para sair, afinal, sendo servido de casa, comida, faculdade, combustível e roupa lavada 24 horas por dia?
Uma das características mais marcantes nesse novo homem (e nem tudo que é novo, é bom), que não é machista nem macho alfa, mas também não guarda consigo nenhum resquício básico do protótipo simples de macho, é que ele não toma a iniciativa. Nenhuma. Ou, muito poucas e insignificantes. As mais importantes ele talvez nem saiba que deveria tomar. E, não se trata de iniciativa em flertes e romances, pois isso poderia até ser tolerado, caso as outras peculiaridades não persistissem. O que acontece é que, muitas vezes, ele é o homem que defende que a mulher não se submeta a uma vida exposta ao papel opressor da sociedade patriarcal, porém, tudo isso não passa de um bonito discurso; na prática, ele é incapaz de arrumar a própria cama, levar a louça até a pia ou mesmo cozinhar quando sente fome. Nunca sabem a hora certa de agir, de fazer algo efetivo ou, ainda, a hora de fazer brincadeiras ou de ser sério. Saber o que quer, então, é algo que passa longe de sua mais vã filosofia!
E, convenhamos: por mais moderna e segura de si que seja uma mulher, algumas coisas nunca mudam. A mulher ainda espera certos gestos por parte da ala masculina. E não se trata apenas da iniciativa. Uma mulher espera encontrar segurança e estabilidade; duas palavrinhas mágicas que definem o que um homem é e para que serve. Ela pode ser decidida, prática, objetiva, mas ela não quer ser o homem da relação. A maioria de nós, mulheres modernas, sabe fazer tudo, ou, quase tudo, que um homem faz. Mas, não esperamos ter de trocar o pneu do nosso carro na sua frente, apesar de fazer isso muito bem. E também não queremos carregar as sacolas do supermercado enquanto você carrega uma frágil torta ou, pior ainda, apenas nos olha. Talvez seja um lado machista, mas eu prefiro dizer que é a famosa busca pela segurança. Ser moderna e inteligente não impede uma mulher de gostar de ser o lado frágil da relação. E, por mais iguais que os gêneros tentem ser, penso que essa posição é muito mais compatível com a delicada figura feminina que com a de um marmanjão. A mulher quer alguém que possa admirar e ter orgulho, que possa contar e apoiar mutuamente. Não espera ser a empregada ou o troféu nem a ferramenta que decide tudo, assumindo o papel do macho e somando ao que esperam dela, ainda por cima. Um homem de verdade conquista as mulheres por sua personalidade e caráter, regadas com doses cavalares de decisão e testosterona. É o que se espera do homem: a frente, a condução, a postura decidida, mesmo que já tenhamos até mais condições do que vocês de fazer isso de forma acertada. É preciso ser homem sem anular a sensibilidade, o gentleman que existe em cada cavalheiro e, há muito, está adormecido. Em tempos passados os homens cortejavam e impressionavam, cabendo a eles todo o papel de iniciativa, mas, veja bem, nem é isso que estamos pedindo, já que nessas mesmas épocas, o homem precisava sufocar em si qualquer característica que o fizesse parecer frágil ou apenas humano, pois os papeis sociais então instituídos impediam a compreensão de que, independente de gênero, somos todos, apenas seres humanos, com pontos fortes e fraquezas. Mas, entregar-se somente às tais fraquezas e esperar uma super mulher macho, que arque com o papel de sua mãe e do papel de homem que você deveria desempenhar, aí também, I’m sorry, não é algo que possa ser tranquilamente transposto (por mais moderna e mente aberta que seja a mulher!)
Um homem fêmea geralmente foi filhinho da mamãe, mas pode não ser capaz de reconhecer que tem responsabilidade por ser como é e da ausência de consciência da vida como adulto. A mãe até pode ter culpa (e geralmente tem) na formação de um homem sem atitude no que condiz à sua forma de educá-lo, mas a imaturidade ou comodidade em aceitar o não ingresso no mundo maduro é toda da própria pessoa. E aí, se um dia se casa, este homem vai apenas transferir as atribuições que esperava da mãe ao papel da esposa e esta continuará alimentando o círculo do homem sem atitude, inclusive na criação dos próprios filhos.
Resta pontuar uma coisa: Detesto homem sem atitude. E, com certeza, não sou a única. Homem sem vontade própria, pulso firme, que responde “Você que sabe” quando ele é que deveria saber o que estou perguntando: faça-me o favor, é realmente broxante. E, não, eu não estou falando de sexo.
- Onde você vai se sentar?
- Você que sabe.
Como assim, “eu que sei”? Não é capaz de decidir onde vai se sentar? Tenha dó!
Homem frouxo, indeciso, empastado, inseguro. Homem mole, bisonho, pateta, pamonha. Que faz conta de miséria, quer rachar os 30 reais da pizza, mesmo ele tendo comido oito pedaços e eu, apenas, um. Não se trata de pagar as minhas contas ou bancar meus luxos, até porque tenho meu próprio dinheiro. Trata-se aqui de gentileza. Homem que chama a mulher pra tomar um vinho e a faz pagar a metade da garrafa? Fora!
Não precisa ter um cavalo branco, levar flores a cada encontro, levar no restaurante mais caro – olha: não precisa. Precisa, na verdade, é de muito pouco; precisa fazer a mulher se sentir segura, saber dizer sim, saber dizer não. Saber o que quer: basta. Porque eu posso trocar os quatro pneus do seu carro se, por algum motivo, você não puder fazer isso um dia. Mas, enquanto isso, ser um homem – só um homem – não, não pode ser pedir demais.  

3 comentários :

Anônimo disse...

Homem pamonha, pateta, kkkkk... bunda mole realmente não dá. Dizem que o homem é chefe da casa, o cabeça do lar, o bom administrador, o responsável por proteger e sustentar sua mulher. Para homens de atitude, ter a mulher sustentando a casa é vergonhoso, mas há homens de atitudes (poucos) modernos que aceitam e respeitam a mulher independente que vem para acrescentar, não para sustentar. Homem bunda mole com medo de mulher moderna e independente? Ah, conta outra! Seja homem independente dos outros. Muitas vezes um homem de atitude muda uma mulher machona, não com grosseria e violência, mas com atitudes de homem, decididas, de gentileza, firme. Jamais casaria com um homem cuja mãe ainda lhe arruma a cama. Fala sério, daí já tiro o que vem depois. Homem quer ser chefe da casa, tem que assumir o papel de homem de verdade. Muda o machismo porque não há mulher hoje em dia que aguentará viver igual sua avó, bisavó... Não seja banana ou sua mulher lhe dará N pares de chifres com o minotauro do Ricardão(ões). Não seja um homem parasita ou viverá para sempre parasitando e vai morrer sem saber porque veio e para que veio. Enfim! Atitude de homem é atitude de guerreiro, de protetor, de valente. Ser gay é uma coisa, porém ser hétero com aspecto de gay... 'tâmo ferradas'.

Anônimo disse...

Homem jamais deveria se sentir intimidado pela independência da mulher moderna, mas sim, louvar e admirar pela vitória dela, alcançada sem ajuda dele. Já que ele não a ajudou a conquistar essa vitória, ao menos reconheçam a importância da vitória e respeitem isso, trazendo para si e para a vida do casal algo maravilhoso, pois, mulher é parceira do homem e não escrava ou comandante dele. A mulher sofre por conta desse tipo de homem machista ou banana. Muitas mães solteiras criam seus filhos que se tornam bananas, e pais que criaram seus filhos machistas. Nem 8 nem 80, é preciso criar o filho no 44. Eu aconselho todo homem experimentar servir o serviço militar ao completar 18 anos. Isso ajuda a transformar o homem em HOMEM. Ajuda, porque os princípios morais e céticos vem de berço (casa) e o resto é para aperfeiçoá-lo.

Anônimo disse...

Eu sou homem e não vejo meu valor medido por quanto o meu modo de viver serve ou não à uma mulher. Não ter atitude seria justamente tentar se moldar a este monte de expectativas que só servem aos interesses femininos, e é exatamente ai que reside um tipo de egoismo infantil tão presente na mulher "moderna" - a ilusão que o mundo tem que funcionar da maneira que se espera, ironicamente praticando a mesma apatia e infantilidade acusada aqui neste texto. E no final experimentam a mesma frustração de toda pessoa que espera e acha certo tentar obter deste mundo mais do que oferta.

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