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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Nem 36 nem “plus size”



Não sou uma garota gorda. Tenho certeza disso. Minha barriga é tipo a da Marilyn, nessa foto linda. Mas, não é do que as revistas de moda e as lojas do shopping querem me convencer. O padrão de beleza está obcecado. Não existe meio termo entre magras e gordas: ou se é uma coisa ou outra.
Em meu caso particular já usei 36, e até uso de vez em quando. Mas, desde que tenho consciência de mim, me recuso terminantemente a virar escrava da moda. Conheço meninas que tinham corpos lindos, femininos, com curvas, porém andavam sempre às voltas com o espelho, se achando gordas. E, de uma maneira ou de outra, tomando coscarque, herbalife, malhando, com dieta do dr. Atkins ou da lua, todas elas secaram, deixando silhuetas fininhas e uma pergunta: será que queriam mesmo isso?
Plus size, algo como “tamanho grande”, é toda e qualquer mulher que use mais que manequim 40. Sim, você não leu errado: 40. Quadris largos, bumbum grande, pernas grossas: qualquer expressão legítima da feminilidade brasileira está banida. E o pior de tudo: as mulheres acreditam nisso.
O estereótipo é tão forte que a maioria só pode ser classificada em três categorias: gostosas (que é o mesmo que “falsa magra”), magrinhas ou gordas. Gorda: toda e qualquer mulher que não esteja no padrão, que não seja uma vareta ou uma gostosa em potencial, que usa a partir de manequim 40 – gorda! E o tal do padrão de medidas é outra coisa misteriosa, pois parece ter reduzido nos últimos anos. O que corresponde ao 36 hoje parece pertencer à sessão infantil – e é difícil, em qualquer número, achar uma calça que se acerte em nosso corpo em todos os aspectos: batata da perna, coxa e cintura. Se você não tem 1,75m e 40kg – ou, de preferência, ambas as coisas – sempre vai ter de ajustar a calça em algum lugar.
Na minha percepção, o padrão de beleza está doente. É difícil conhecer uma pessoa – especialmente se for mulher – desapegada da ideia de que um pedaço de torta vai engordá-la, que precisa comer salada, que a academia é sua religião, que os homens preferem as saradas. Estria, celulite, culote: ai, credo, meu Deus do céu, para de tortura! Isso é pior que a fome na África ou o desmatamento desenfreado! Nunca, jamais, está me entendendo?, ouse dizer que meus interesses fúteis e mesquinhos são menos importantes que os problemas mundiais!
Mas, falando sério: é compreensível que pessoas gordas de mais devam se preocupar em reduzir o estômago, fazer dieta ou procurar algum meio eficaz de cuidar de sua saúde, controlando todos os excessos e os venenos de sua alimentação. Esta última parte, aliás, deveria ser uma responsabilidade de todos nós. Todavia, causar distúrbios alimentares em si mesma, tendo uma imagem distorcida do próprio corpo e comprando a ideia da constante insatisfação que a indústria da moda e da publicidade vendem não deveria ser a realidade da maior parte de nossas meninas. A busca por um corpo “perfeito” virou neurose; dizer que usa calça 38, vergonha e, ter qualquer grama a mais que 50kg, motivo de falta de sono até a eliminação do dito cujo! E não adianta tentar ser totalmente relax, pois por mais que você não encuque com o fato, sempre vai ter aquela tia mexerica dizendo que está mais magrinha ou gordinha que o habitual ou aquela vendedora de loja que vai te olhar e dar diagnóstico, ou ainda, aquela amiga exibida tentando te comparar...


Acabou-se o encanto renascentista, se é que algum dia significou mais do que não passar fome: é desconhecida figura do gênero feminino satisfeita com sua autoimagem, que malha por saúde, se nutre saudavelmente por prazer e se veste pra si mesma, não “pras outras”. Quando não transformam o próprio corpo numa versão personalizada do Arnold Schwarzenegger feminino, ou ainda, num estilo frangão assado, desfilam com aparência de 12 anos, a la nadadora: nada de bunda, nada de costas, nada de peito... Não sei se sou a melhor pessoa para falar sobre isso, afinal estes detalhes são meramente conceituais e masculinos, mas o que acho mais triste é mulherada ofendendo, atacando, discordando destas linhas. Parece faltar-lhes a elementar diferenciação entre silhueta e saúde na sua correlação mais íntima e a aceitação, de que, há variedade no mundo – uma vez que não aceitam nem o que veem no espelho. A mulher está negando sua natureza, muitas vezes evitando ter filhos ou fumando para não engordar; não se permitindo pequenos prazeres esporádicos, refém de um padrão, de uma ilusão de beleza e de um número na etiqueta da calça, que nem sempre corresponde até mesmo à sua genética, senão à sua verdade mais profunda. Cada vez mais cedo elas abrem mão de si mesmas, de se perguntar quem são, do que gostam, submetendo-se essencialmente ao que ditam as regras dos padrões estéticos, industriais, têxteis; ao que ditam a top model do comercial e o último emagrecedor tarja preta.
Infelizmente, falta a observação de que não deveria ser nem oito nem oitenta. Nem céu, céu ou terra, terra, é preciso haver equilíbrio. Antes de tudo, mental, para se perceber o que é certo pra mim, no meu momento e o que posso seguir de acordo com as tendências e no que devo ser eu mesma, só de acordo comigo. Pois é isso que não se vê: nem 36 nem plus size, mas personalidade e consistência de se ser apenas a garota que se é, sem ligar 24 horas por dia pro ponteiro da balança. Ser senhora de si, da cabeça aos pés, do estômago à barriga. Sem essa necessidade de forçar a natureza. Sem essa necessidade de sacrificar a vida. Afinal, só você pode saber a medida certa. De tudo. Da sua cintura e do seu equilíbrio. Do seu desejo e do seu limite. Tenho dito.   

1 comentários :

Ketylla Gomes disse...

<3 amei !serio amei
Ps: minha barriga também é igual a da Mary... me sentia um pouco insegura com ela admito mas estou tentando mudar isso. Mas de qualquer forma obrigado pelo belíssimo texto. =D

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