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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Nenhuma dependência pode ser boa



Dependemos do agasalho para abrasar o frio. Dependemos do alimento para saciar a fome. Dependemos da fome para combater a sede. Isso está fora de questão. Porém, não dependemos de nada nem de ninguém para ser feliz. E está fora de questão também.

Há quem acredite no contrário: que dependemos de pessoas, situações e elementos para alcançar a felicidade. Que é impossível atingir paz e bem estar sozinhos, que não podemos ir a lugar algum – realmente válido – sem considerar aqueles ao nosso redor e que nos apoiam, impulsionando para o alto. Em parte, isso é verdade. A superação é algo muito mais fácil e agradável ao lado daqueles que amamos. Mas, isso não significa depender deles. Significa compartilhar, conviver, estar.
Filósofos e cientistas se debruçaram por séculos para tentar descobrir como alcançar a felicidade e o que seria ela. Religiões prometem-na para depois desta vida, a publicidade a cumpre todos os dias em amostras de consumo desenfreado. Todavia, nunca se chegou a um consenso sobre o que seria essa tal felicidade nem como se chegar a ela, a não ser por momentos fugidios que o empirismo ora e outra permite a cada um de nós. E que, por vezes, não passam de fulgores, sempre incertos, acerca da permanência de tal estado de espírito. Quando afirmo que não dependemos de nada nem de ninguém, o que tento dizer nessas pretensas linhas é exatamente dessa oriunda aplicabilidade: a felicidade como um estado de espírito. Considerando que vem de dentro pra fora, nenhuma compulsão por drogas, sexo, comida, compras ou outro prazer pode o suprir de forma verdadeira, porque estes são externos. Supostamente, a felicidade é autossuficiente, não é dependente nem cria expectativas. Nenhuma dependência pode ser boa, pois quando precisamos de algo estamos admitindo que somos incapazes de nos fazer por nós próprios; estamos condicionando essa característica a um fator independente de nós.


Acreditar na dependência é submeter-se, não reconhecer a própria força, ser míope. Recuse-se! Se um dia tiver de se afastar de alguém, você vai. Se amizades, romances, sociedades tiverem de terminar, eles vão. Não existem pactos. Não existe dependência (real). Cada organismo é sujeito a executar suas próprias funções, processá-las e distribuí-las com perfeição. Ninguém pode respirar por nós ou comer ou amar ou fazer qualquer coisa que nos compita. Se nossa compleição já pressupõe a independência, por que aceitar os grilhões de nossa mente?
Se for para a felicidade de ambos, separações virão. Aqueles que amam sabiamente, auxiliam o amado a independer-se, para que possa seguir sem correntes, mesmo estando com alguém. Independer-se do externo, do ausente, do presente. Do ego, do outro, do ambiente. Da condição, do tempo, da pergunta e da resposta. Do senso, do julgamento, do dito e do omisso. Do que se pode ver ou não, tocar ou não, do conhecido e do que não se conhece.
Independer-se é ser livre. Mas, nós não somos livres. Resultamos de todas essas variáveis (acima descritas), e ainda outras. Dependemos do que nos ensinaram, do que não nos ensinaram, do que condicionamos que somos, que não somos, onde estamos. Dependemos dos conceitos instituídos, dos conformes sociais e valores religiosos, dos costumes, da História e das crenças todas. Nascemos seres dependentes, mas isso não significa que não possamos deixar de depender. Mesmo dependendo. O emprego de esforços para fazer essa distinção depende de nós. 

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