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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Independência financeira – SER, FAZER E TER




Quando eu comecei a trabalhar, logo na adolescência, tinha um conceito comum de independência financeira que consistia em: ter meu próprio dinheiro, comprar minhas coisas, “me administrar”. É curioso como muita gente carrega a mesma ideia e, mesmo quando ainda moram com os pais, se consideram independentes, ainda que sejam sustentados por eles. Estudando inteligência financeira, só recentemente descobri que independência financeira é ter dinheiro suficiente a ponto de não precisar trabalhar, se não quiser. Na maioria das vezes, após ser independente, as pessoas levam o trabalho como um hobby, pois ele se tornou prazeroso na conquista da situação almejada.
A educação financeira, que deveria ser ensinada nas escolas, traz conceitos básicos para lidar e ser o dono do próprio dinheiro (e não o contrário, de ser escravo dele). A maioria das pessoas não tem noção de quanto paga em impostos, juros e taxas, que muitas vezes poderiam ser evitados com um pouquinho mais de conhecimento. Dívidas como consumidor são problemas usuais, causados pelo desejo de gratificação instantânea. Essas pessoas têm a ideia de “comer, beber e ser feliz enquanto jovens”, abusando do poder de capitalização e gerando dívidas de longo prazo através de parcelamentos e financiamentos impulsivos ou não suficientemente planejados. Em outras palavras, há três situações recorrentes que fazem com que as pessoas permaneçam dependentes de seus empregos e sem inteligência financeira para fazer com que o dinheiro seja amigo delas:
- a ideia fixa de ficar rico de um dia para o outro: quem não prefere gastar cinco reais no bilhete de loteria que depositar no cofrinho?
- gastar como se não houvesse necessidade de fazer planos para o futuro: é um padrão de fluxo de caixa considerado normal e inteligente por nossa sociedade, afinal, as pessoas que têm esse padrão provavelmente têm empregos bem remunerados, belas casas, carros e cartões de crédito. A realidade são hipotecas imensas, comprometimentos com dívidas e patrimônio do banco. O sonho da classe trabalhadora é acolhido por sua grande parte, aderindo ao crédito fácil e ao estilo de “trabalhar pesado e gastar”.
- a ilusão de que fazer o que os ricos fazem vai fazê-la rica também: vulga classe média.

Atitudes mais comuns:

- Falta de disciplina – Para muitos, é bem mais fácil se comprometer em uma dívida de longo prazo que ter a disciplina para guardar o dinheiro. E essa disciplina é um hábito que, quanto mais tarde encararmos, mais difícil se torna, tipo reeducação alimentar. Quem gosta de abrir mão da sobremesa se já sabe o sabor do pudim? Entretanto, é um dos principais segredos para uma vida financeira saudável.

- Impaciência – O imediatismo na satisfação dos desejos, o “querer pra ontem”, consumismo impulsivo. Especialmente a geração mais jovem (na qual me incluo) foi criada acreditando que pode ter tudo, que não precisa esperar. Isso cria cancros no bolso. Ter paciência e criar a expectativa da recompensa adiante é para poucos, mas são estes que fazem os melhores negócios, conseguindo produtos e condições afortunados.
- 10x sem juros! – O mito. Não existe essa história de “sem juros”, pode pesquisar com os melhores especialistas. O que existe é a ilusão de que o parcelamento é a opção mais viável, caindo-se facilmente nos anúncios de “PARCELAMENTO FACILITADO, 0 DE ENTRADA”.
- Dinheiro Invisível: cartão de crédito – Você não tem o limite do seu cartão, ele é hipotético. O dinheiro invisível é a principal causa de endividamento, afinal, quem não gosta da sensação de “poder” que aquela tarja traz? Além de uma boa percentagem da renda ficar empenhada, ainda corre-se o risco de comprar coisas que nem se use muito depois. Hoje em dia a “praticidade” do cartão serve como desculpa para muita coisa, inclusive aquele pastelzinho no intervalo da aula, que você poderia pagar à vista.
- Padrão de vida – Ou, deveria dizer, “padrão de dívida”? Para ter a melhor maquiagem, grife ou equipamentos eletrônicos, vale tudo, desde parcelar em três encarnações até ficar com saldo negativo. Outro erro comum, especialmente entre casais jovens, é querer ter o padrão de vida encontrado na casa dos pais em apenas um ano, sem levar em conta que estes levaram a vida toda para chegar àquele patamar. Essa é a forma mais inexperiente e comum de quebrar em pouco tempo.
- Falta de planejamento – O salário chega e se vai. Contas do mês, a revistinha de cosméticos que a colega vende, aquela malha linda que a vizinha ofereceu, a prestação do carro. Na hora de pagar o carnê, já pega mais uma TV nova, que está na promoção e não precisa dar entrada. “Faltam só duas parcelas do sofá, logo não me aperto”. E assim, se o aumento chega, o aumento vai, pois se vai sempre adaptando o padrão de dívida ao novo salário.
- Pagar aos outros primeiro – Todas as contas são pagas e, se sobrar algum, este será poupado. O problema é que, poucas vezes sobra algum, e quando sobra vai pra roupa da filha, pro brinquedo prometido ao sobrinho, pro cabeleireiro. O correto é pagar a si próprio antes. Se não der para todas as despesas, deve-se buscar novas fontes de renda. Poupar é imprescindível para dar os primeiros passos na independência financeira. Afinal, quem não sabe cuidar de pouco, não saberá cuidar de muito.
- Financiamentos – O alavancamento do crédito e o incentivo ao consumo faz com que muitos se desesperem por uma situação falsamente segura. E o que é (falsamente) seguro? Ter casa própria e o próprio meio de transporte, por exemplo. Assim, cada vez mais cedo, as pessoas entram em dívidas imobiliárias e automotivas semi eternas, ficando reféns de uma situação por tempo extremamente longo e, sem nem mesmo possuírem aquilo que estão pagando. Afinal, a posse definitiva só se dá após a quitação. Vale ressaltar também que no tempo de nossos avós, casamentos duravam “pra sempre”, hoje não. E, para quem acredita que é melhor financiar que alugar um imóvel, bacana olhar essa simulação aqui, no site do Guilherme Azevedo.

Frases comuns:
- Se não é assim, a gente não compra nunca!
- É sem acréscimo!
- Quando vê, já pagou.
- Aluguel é jogar dinheiro fora!
- Não consigo guardar dinheiro.
- Isso é pra quem é rico.
- Tem que aproveitar, vai que eu morro amanhã?
- Mereço este mimo.
- Investir é arriscado.

O trecho abaixo foi extraído de um livro do investidor Robert T. Kiyosaki e reflete a realidade financeira de grande parte da população brasileira.

É fácil fazer o que as pessoas ricas fazem
Anos atrás, estava em aula estabelecendo metas. Isso aconteceu em meados da década de 1970, e a verdade é que eu não conseguia acreditar que estava gastando $150 e passando um sábado e domingo lindos aprendendo a traçar metas. Preferia estar surfando. Em vez disso, lá estava eu pagando a alguém para ensinar-me como traçar metas. Quase desisti algumas vezes, mas tinha aprendido que aquela aula tinha me ajudado a conseguir o que eu queria da vida.
A instrutora colocou essas três palavras no quadro:

SER – FAZER – TER

Então, ela disse: “Objetivos são a parte ‘ter’ destas palavras. Objetivos do tipo ter um corpo bonito, ou ter um relacionamento perfeito, ou ter milhões de dólares, ou ter uma saúde perfeita, ou ter fama. Depois que a pessoa imagina o que ela quer ter, seu objetivo, ela começa a listar o que ela tem que ‘fazer’. É por isso que muitas pessoas têm listas do que ‘fazer’. Elas estabelecem seus objetivos e então começam a ‘fazer’.”
Primeiro, ela utilizou o objetivo do corpo perfeito. “O que a maioria das pessoas faz quando quer ter um corpo perfeito é entrar de dieta e depois ir para uma academia. Isso demora algumas semanas e aí a maioria volta para a velha batata frita e pizza, e em vez de ir para a academia, ficam assistindo beisebol pela televisão. Esse é um exemplo de ‘fazer’, em vez de ‘ser’.
“Não é a dieta que conta, é quem você tem que ser para seguir a dieta o que conta. Mesmo assim, a cada ano milhões de pessoas procuram a dieta perfeita a seguir para poderem ficar magras. Elas se concentram no que têm de fazer, em vez de se concentrarem em quem têm de ser. Uma dieta não vai ajudar se seus pensamentos não mudarem.”
Ela usou o golfe como um outro exemplo: “Muitas pessoas compram um conjunto de tacos de golfe na esperança de que possam melhorar seu jogo com eles, em vez de começar a se portar, pensar e a ter as crenças de um jogador profissional de golfe. Um péssimo jogador de golfe com um conjunto de tacos novos ainda é um péssimo jogador.”
Então, ela discutiu investimentos: “Muitas pessoas pensam que comprar ações ou fundos mútuos vai deixá-las ricas. Bem, comprar ações simplesmente, ou fundos mútuos, imóveis e títulos não vai torná-las ricas. Fazer simplesmente o que os investidores profissionais fazem não garante o êxito financeiro. Uma pessoa com mentalidade de perdedor sempre irá perder, não importa que ação, título, imóvel ou fundo mútuo ela adquira.”
A seguir, ela usou o exemplo de encontrar o perfeito par romântico: “Muitas pessoas vão a bares ou ao trabalho ou à igreja para procurar a pessoa perfeita, a pessoa dos seus sonhos. Isso é o que elas ‘fazem’. O que elas ‘fazem’ é sair e procurar a ‘pessoa certa’ em vez de trabalhar para ‘ser a pessoa certa’.”
Eis um de seus exemplos sobre relacionamentos: “No casamento, muitas pessoas tentam mudar a outra pessoa para ter um casamento melhor. Em vez de tentar mudar a outra pessoa, o que geralmente leva a brigas, é melhor mudar você primeiro”, disse ela. “Não trabalhe na outra pessoa: trabalhe os seus pensamentos sobre aquela pessoa.”
À medida que ela falava sobre relacionamentos, minha mente voou para muitas pessoas que conheci com o passar dos anos que queriam “mudar o mundo” mas que não estavam chegando a lugar nenhum.
Para o exemplo dela de dinheiro, ela disse: “E quando se trata de dinheiro, muitas pessoas tentam ‘fazer’ o que os ricos fazem e ‘ter’ o que os ricos têm. Então, vão e compram uma casa que parece coisa de rico, um carro que parece carro de rico, e colocam seus filhos nas escolas nas quais os ricos colocam seus filhos. Todo esse fazer faz com que elas trabalhem mais arduamente... que não é o que as pessoas verdadeiramente ricas fazem.”
Eu assentia com a cabeça no fundo da sala. Meu pai rico não tinha usado as mesmas palavras para explicar essas coisas, mas ele muitas vezes me dizia, “As pessoas pensam que dar duro para ganhar dinheiro e depois comprar coisas que façam com que elas pareçam ricas irá fazê-las ricas. Na maioria dos casos não faz. Só as torna mais cansadas. Eles chamam isso de keeping up with the Joneses (expressão que pode ser traduzida por: procurar viver como o vizinho de nível social superior) e, se você reparar, os Jones estão exaustos.”
Durante aquela aula de final de semana, muito do que meu pai rico me dizia começou a fazer mais sentido. Ele viveu modestamente durante anos. Em vez de dar duro para pagar as contas, ele dava duro para adquirir ativos. Se você o visse na rua, ele se parecia com todo mundo. Ele dirigia uma pick-up, não um carro caro. Então, um dia, quando estava com seus trinta e tantos anos, ele apareceu como um financista poderoso. As pessoas tomaram conhecimento de que ele comprara um dos principais imóveis no Havaí. Depois que o nome dele apareceu nos jornais foi que as pessoas perceberam que aquele sujeito quieto e despretensioso tinha muitos outros negócios, muitos imóveis de primeira categoria e, quando falava, os gerentes de banco ouviam. Poucas pessoas jamais viram a casa modesta na qual ele vivia. E depois que estava cheio de dinheiro e fluxo de caixa de seus ativos, aí ele comprou uma casa nova maior para sua família. Mas não contraiu empréstimo. Pagou à vista.
Depois da aula de fim de semana sobre estabelecimento de objetivos, percebi que muitas pessoas tentavam “fazer” o que elas pensavam que os ricos faziam e tentavam “ter” o que achavam que os ricos tinham. Eles muitas vezes compravam casas grandes e investiam no mercado de ações porque isso é o que pensam que os ricos fazem. Mesmo assim, o que pai rico tentava me dizer era que se elas ainda tivessem os pensamentos e as crenças e ideias de uma pessoa pobre ou de classe média e então fizessem o que os ricos faziam, elas iam acabar tendo o que os pobres e a classe média tinham. “Ser-Fazer-Ter” começava a fazer sentido.
Por fim, além de assimilar essas verdades, é preciso começar a colocá-las em prática, se educando um pouquinho por dia. Vale a pena prestar atenção ao que faz com as moedas, pesquisar supermercados antes das compras, aposentar o cartão de crédito e comprar sempre à vista, mesmo que demore mais para obter algo, além de fazer um esforço para trocar menos de celular e computador. São medidas simples, que já podem fazer diferença no orçamento. Além disso, é importante buscar uma base mais completa sobre educação financeira, já que muito poucos têm acesso a ela desde a infância. Ler livros sobre como investir e empreender; aprender como funcionam os mais diversos tipos de investimentos, taxas e juros de mercado; ter referência em sites confiáveis, palestras e pequenos cursos. Dinheiro não é tudo na vida, mas é um meio de troca que nos permite realizar muitos sonhos quando sabemos cuidar bem dele e fazemos com que dê bons frutos, ao invés de suar tanto para ganhar e depois nem saber para onde vai. Alea jacta est!

3 comentários :

Chrysthian Almeida disse...

Fantástico, Kelly! Feliz demais em te-lo lido! Obrigado pelos ensinamentos... Comecei a estudar o assunto e estou fascinado com o conteúdo. Resolvi construir ativos de um ano pra cá! Mudando hábitos e pondo em prática algumas dicas que em alguns livros. Um foi esse, Pai Rico Pai Pobre. Adotei o community commerce, da multinacional americana Monavie, e estou feliz demais!! Me encontrei... Um abraço, e estou pensando em mostrar, através das redes sociais, esse fantástcio conceito: ser - fazer - ter!!!

Kelly Phoenix disse...

Obrigada, Chrysthian! Eu também estou me educando financeiramente há cerca de um ano para cá e estou admirada comigo mesma. É incrível como percebemos a quantidade de dinheiro que gastamos em bobagens, além de passar a ver o valor, não só o preço das coisas! A parte complicada é lidar com quem pensa e age diferente, que muitas vezes, nos chamará de pão-duros sem tentar compreender as razões pelas quais agimos. Mas, espero que siga em frente em mostrar em redes sociais ou, seja como for, um pouquinho desse conhecimento; uma pessoa que você esclareça já será uma grande conquista! Grande abraço, sucesso!

Telma Nascimento disse...

Gostei!

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