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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 11 de agosto de 2013

Mais gentileza, por favor

Eu já me senti o ovo negão.

Quem nunca esperou uma gentileza do próximo? Será mera expectativa?
Dizem que ninguém é responsável por nossas expectativas. E faz um bocado de sentido isso. Porém, tem coisas que não são pedir demais. Nossa sociedade vive uma crise tamanha de gentileza, há carência de fraternidade por toda a parte.
Por que não ajudamos o velhinho a atravessar a rua? Por que não doamos tempo fazendo um trabalho voluntário? O que há de mal em dar o assento a um idoso? E em elogiar a comida de nossa mãe, mesmo que a comamos todo dia?
Preferimos olhar pro lado, pra janela e fingir que não é com a gente. Mas, a gente também espera...
Espera que aquela conhecida do mesmo bairro ofereça carona depois da festa.
Espera que a irmã vá colocando a mesa enquanto preparamos o jantar.
Espera que o vizinho nos ajude com nossas sacolas, já que também está voltando pra casa.
Espera que nos reconheçam no trabalho, em família, na faculdade, no facebook.
Espera que elogiem nosso corte de cabelo novo. Que lembrem de nossas habilidades fotográficas, que nos recebam com o bolo que gostamos tanto. A gente também espera por gentileza, no entanto, estamos cada vez mais incapazes de oferecê-la. E gentileza se confere nas coisas simples. Às vezes, até lembramos que o tio tinha um exame difícil pra realizar naquela semana, mas temos vergonha ou nos falta vontade de ligar e perguntar como foi. Às vezes, até sabemos que a colega necessita de carona, mas temos preguiça ou falta disposição para oferecer. E aquele medo de se comprometer. De que o outro passe a esperar aquela atitude sempre ou de sustentar conversa ou se aproximar demais... Aquele temor fundamentado de que a gentileza se torne obrigação. E elas são diferentes. A obrigação tira o prazer da ação.

É gentileza levar um chá quando alguém na casa está doente. É abuso se a pessoa esperar chá na cama cada vez que dá um espirro.
É gentileza oferecer companhia quando a amiga precisa realizar um procedimento médico. Se torna obrigação se ela espera sua companhia sempre e você não sabe dizer não.
É gentileza fazer torradas para todos no café da manhã, emprestar algo que você goste e pagou caro, ceder sua vez na fila para uma pessoa mais velha. Se torna desagradável quando a outra pessoa simplesmente acha que você tem que ter esse comportamento. Mas, as pessoas estão mais acostumadas com obrigações: é mais fácil exigir, se achar no direito, cobrar, espernear, acusar, do que reconhecer e ser grato quando existem gentilezas. E talvez seja por isso que as gentilezas estejam tão escassas no mundo. Por essa nossa mania de achar que as pessoas têm obrigação conosco, que devem fazer algo a nosso favor. Esse ar corriqueiro de não perceber uma gentileza entre amigos, entre familiares; de encarar como dever algo que o outro nos oferece por boa vontade.
Mais gentileza, por favor.

Eu espero, você espera, ele espera, nós esperamos. E eu não tenho obrigação de ser gentil com você (o que também é diferente de ser educada – sempre serei educada, mas gentileza é diferente). O que precisamos entender é que ser gentil é muito bom e que todos gostam de receber gentilezas. Nossa inteligência permite distinguir cobranças e abusos e impor nossos limites, mas não deixemos de ser gentis porque alguém foi grosseiro conosco. Mais gentileza, por favor. O mundo precisa de pessoas gentis e, quanto mais a gente oferece, mais receberá de volta.

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