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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Não espere nada em troca


Muitas pessoas dizem que não devemos fazer nada de que vamos nos arrepender depois. Penso um pouco diferente. Se arrepender faz parte da vida, já que à medida que vamos adquirindo experiências e novos conhecimentos, passamos a aplicá-los à nossa percepção das coisas. Muitas vezes, o arrependimento é apenas o atestado de que já não somos a mesma pessoa e agiríamos de outra forma. Aquele que éramos quando daquela ação não existe mais e possui conceitos e atitudes diferentes (pelo menos no que diz respeito àquele fato). É possível conviver com o arrependimento, desde que nos perdoemos e tenhamos a compreensão necessária de que mudamos.
Porém, algo que eu sustento e não ouço muita coisa a respeito é de não fazer nada que vá cobrar depois. É triste, mas é banal. Eu fiz, você já fez. Uma das coisas mais comuns: pessoas que dão presentes esperando receber outro em troca; pais e mães que dão recompensas em troca de comportamentos; amigos que doam tempo e ou afeto na esperança de ser reconhecidos. Não é que as pessoas recompensadas não devam ser gratas e reconhecer, pois o mais sensato é isso mesmo. Mas é que quem oferece não deve fazê-lo por retorno. A ação ou reação do outro só a ele cabe, não podemos ficar esperando gratificações. Isso tem que ser espontâneo, natural, sem cobranças. Só assim pode ser sincero. E, no final das contas, tudo ou muito do que fazemos pelos outros, fazemos mais por nós mesmos. É notável que isso seja difícil de ser compreendido, mas é verdade. Nós não somos tão bonzinhos assim.
Portanto, da próxima vez que estendermos a mão, deixemos a eles a carga de ser gratos. Ou não. De nossa parte, isso tornará nossas ações mais “limpas”, mais verdadeiras. Quando esperamos algo em troca há interesse nosso e isso é egoísmo disfarçado de altruísmo. Mascaramos esse interesse acreditando que estamos sendo generosos, mas é a decepção de não receber o que esperávamos que declara a falsidade de nosso ideal solidário.

Não espere nada, nem gratidão. Mas, também não deixe de fazer ações boas pela falta de reconhecimento dos outros, isso é problema deles. E quanto ao que cabe a eles, nada podemos fazer. Mas ao que nos toca, sim, afinal, o que fazemos aos outros, é a nós que fazemos.

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