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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

20 anos sem River Phoenix




Eu escuto com muita frequência a pergunta: “Por que você assina Phoenix?” Isso, claro, de quem sabe que esse não é meu verdadeiro sobrenome. Nos últimos 10 anos, ele é tão habitual, que já é difícil não concebê-lo como uma parte de mim. Entretanto, muitas pessoas julgariam erroneamente essa atitude como um fato insólito de uma fã boba. Como aquelas que assinam “Juliana Bieber” ou “Daiana Pitt”. O meu motivo para assinar Phoenix no meu nome é diferente. E eu vou tentar explicar em poucas palavras.
Em primeiro lugar, isso é um assunto encerrado para mim. Eu jamais falo de River a quem quer que seja, a não ser que me perguntem ou tenha alguma razão evidente para isso. Eu não fico falando dele deslumbradamente, com poucas exceções, porque eu não gosto dessa ideia de “idolatrar” ou de parecer apaixonada, ou qualquer coisa. Eu simplesmente o tenho como alguém muito especial, que admiro; que não conheci, mas estranhamente sinto que conheço...
Quando eu tinha uns 9 anos, estava folheando uma revista de 1991 (eu lembro do ano, mas não lembro do nome) e havia a foto de um cavalo quarto de milha nela. Eu o recortei, porque sentia que gostava de cavalos, e continuei folheando a revista, até que uma foto me deteve. Era de um rapaz louro, de cabelos quase aos ombros e com um sorriso encantador. A foto me chamou muito a atenção, mas era uma matéria pequena. Não sei se a li. Recortei aquela foto também e colei em um caderno de colagens que tinha, bem como a imagem do cavalo. Eu gostava de escrever e cheguei a criar uma personagem que, em minha mente, se parecia com aquele rapaz. Mas ele ficou como uma imagem em um caderno antigo, alguém sem nome e que eu não sabia por que, me parecia tão familiar. Não vivi Phoenix, eu não o conheci – era criança demais quando ele deixou esse mundo e, também não sabia, que sua partida o deixou mais pobre e triste.
Em 2003, logo no começo do advento da informática, já me embrenhava na biblioteca pública da minha cidade para acessar a internet. No começo da adolescência, como outras meninas da idade, meu passatempo era pesquisar “homens bonitos” e foi em um desses dias que eu vi River Phoenix pela primeira vez. Eu já tinha assistido Stand by me e o declarava aos quatro cantos como sendo meu filme predileto, mas o enigma de Chris Chambers, embora me cativasse, não me trazia mais que uma estranha nostalgia através daqueles olhos verdes, que Milton Nascimento descreveu tão bem. E ver River Phoenix como River Phoenix pela primeira vez me foi muito anti natural... Sua imagem me chamou (outra vez), eu quis saber tudo sobre ele e, naquele dia, soube que ele já tinha morrido... Se não me engano era 17 de novembro de 2003. Eu lembro como se fosse ontem a estranha tristeza que se apossou do meu coração... E quando eu li do que ele morrera... eu não podia crer... eu estranhamente sentia que ele era mais do que a foto me mostrava. Mas dizia-se que tinha morrido de overdose. Logo, todos os preconceitos e o que eu ouvia falar de pessoas que morrem por motivo de drogas bailaram em minha mente, só que eu não podia senti-lo como alguém vazio, que viveu inutilmente...
Nesse mesmo dia, nesse site, fui criar uma conta de e-mail e a página oferecia um endereço com extensão @phoenix.com.br. E minha primeira conta foi kelly17@phoenix.com.br. Foi “pura casualidade”... Mantive o e-mail por bastante tempo, mas num belo dia, experimentei assinar uma de minhas obras como Kelly Phoenix e vi que o nome casava perfeitamente... tanto que hoje, muita gente me conhece mais por Phoenix que pelo meu sobrenome de verdade.
Estranho mesmo foi depois de tudo isso, ao longo desses 10 anos, “descobrir” quem fora Phoenix, além dos filmes. Não aquele criado pela mídia sensacionalista, nem aquele venerado por fãs que se iludem com rostinhos bonitos, mas o River Phoenix de verdade, com tudo que tinha de mais puro e mais bonito. Estranho foi, num belo dia, estar selecionando velhas coisas para jogar fora e se deparar com a foto dele colada lá, em um caderno antigo, como se sempre estivesse colado em minhas lembranças. Estranho foi perceber que eu dizia que Stand by me era meu filme favorito, mas não podia explicar isso, já que Gordie Lachance era o personagem principal e ele não me cativava... Estranha a lembrança daquele sorriso na foto, um sorriso reproduzido em meu primeiro namoradinho de infância – doce Diego, com seus olhos amendoados e seus cabelos dourados quase aos ombros... E hoje em dia eu sei que há algo a mais... Seja a identificação com alguns elementos em sua alma, seja o legado que ele deixou; seja sua postura frágil e forte ao mesmo tempo, tão lúcido e meigo, em defesa da vida e do que é belo, seu amor pela arte ou sua verdade em cada filme. Seja o mito de uma morte precoce ou a doçura que sua imagem inspira, alguma coisa em Phoenix despertou em mim e, certamente, vive em cada um que o conheceu ou sente como se o tivesse conhecido... Porque River trazia algo muito puro com ele, algo que não é daqui; algo que acessamos poucas vezes na vida, como em nossos sonhos ou na nossa idealização. Havia algo nele, havia um brilho em seus olhos, havia um idealismo em suas ações e uma sincera fé em tudo que fazia, que não posso crer que sua vida e sua morte tenham sido em vão. Ele se foi, mas algo de Phoenix ficou e ficará sempre. Não são só suas imagens nos filmes, não são só suas palavras tocantes em meia dúzia de entrevistas ou canções. É algo de seu espírito, algo maior que transpassa o tempo.
Sei que poucas pessoas compreenderão esse texto e ele não é especialmente dirigido a alguém. Mas sei também que, mesmo quem não conheceu Phoenix, pode ter conhecido outras pessoas que trouxeram o mesmo sentimento de beleza e plenitude e que partiram desse mundo cedo demais. E, a despeito de seu ar rebelde e seu all star furado, River tinha mais a dar ao mundo que sua brilhante atuação no cinema e as músicas que adorava tirar em sua guitarra. Se ele se envolveu no mundo pesado das drogas foi por não suportar a densidade de um mundo em ruínas e a insensibilidade de todos e tantos, onde dinheiro vale mais que a vida de nossos irmãos menores e qualquer coisa de bela e leve que possa existir.
É difícil viver em um mundo onde tudo tem um preço e nada mais tem valor. Eu fico pensando o que seria de Phoenix hoje, quando as coisas parecem mais e mais se defasarem e se perderem nas cifras comercializáveis. Mas, tanto ele, como outros mensageiros que, volta e meia, agraciadamente o mundo nos dá de presente, trazem apenas um recado: precisamos refletir mais sobre o que estamos fazendo nesse planeta. Qual a nossa parte, a nossa arte e o que podemos fazer para melhorar esse lugar e a nós mesmos. Porque se Phoenix nos fez sorrir e nos fez chorar, foi por nos devolver um pouquinho da gente mesma. Aquele lado nosso que quer superar o mundo, fazer a diferença e que sabe que a fé pode mover montanhas. Nosso lado que fala de amor, compõe canções e toca o coração do nosso próximo... Que dá um grito dentro da gente quando vemos um caminhão indo para o abatedouro e chegamos em casa e jantamos... carne. Que nos faz olhar para o lado... Pois foi só isso que River fez. Ele olhou para o lado e enxergou além. E quantos de nós vemos todos os dias o que tem de ser mudado e simplesmente cerramos os olhos como se nada estivesse ao nosso alcance...? Quantos de nós nos voltamos somente às nossas medíocres tarefas achando que nada podemos fazer...? Mesmo provocados, cutucados... convocados a ver que enquanto mantivermos essa postura, realmente nada irá mudar. Pois River não estava brincando de herói, não falou em mudar o mundo só porque era belo, rico ou famoso. Se não houvesse aquela centelha luminosa em suas ações e a sua crença sincera de que realmente podia mudar algo, ele seria só mais um desses atorzinhos apagados de olhos claros que até hoje temos aos montes...Mas, para ele, até mesmo seus papeis tinham que transmitir algo a mais. Esse algo que ele simplesmente carregava, que não precisava ter um nome ou uma explicação. Simplesmente River Phoenix, tão profundo como um rio. Porque todos estamos aqui de passagem... Mas, como um rio, podemos mudar tudo à essa passagem...


7 comentários :

Anônimo disse...

Lindo texto! Realmente River Phoenix foi muito mais do que apenas um rosto bonito!

Anônimo disse...

Um anjo cativante que veio visitar a Terra, dar seu exemplo e partir novamente! Ele era lindo em todos os sentidos.

Kelly Phoenix disse...

E que seu exemplo não se perca!

Débora Rodrigues disse...

River Phoenix lindo,sinto saudades

Kelly Phoenix disse...

Eu também...

Ana Paula Souto disse...

Que texto maravilhoso. Tambem vejo River como um guia. Bjs

arroyox disse...

Great post, I can't write correctly in Portuguese but I can understand. Thanks for sharing!

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