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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 19 de outubro de 2013

A resistência em se abrir ao novo


Eu observo com certa tristeza e curiosidade a dificuldade que as pessoas têm em se abrir ao novo. Frequentemente, em saídas sociais, vejo aquela teimosia, quase uma ofensa, nas expressões de quem precisa, imperiosamente, fazer algo diferente do habitual.
Uma se queixa que não é acostumada a ir por aquele caminho. Está desconfortável, insatisfeita, certa que o caminho conhecido é a melhor opção. E é o que ela fará quando estiver sozinha novamente. As mesmas ruas, os mesmos rostos, o mesmo horizonte, os mesmos prédios. Tudo rotineiro e previsível.
Outra não quer comer o que desconhece ou julga não gostar. Na verdade, definiu que ovo é ruim aos 4 anos de idade e nunca mais reexperimentou. Aquele prato não pode, pois não gosta de picles e tomate cereja. O outro nem pensar, pois não quer saber de molhos, simples ou sofisticados. Bom mesmo é o conhecido. O mesmo tempero na comida, o mesmo sabor de suco, a mesma cor de batom, a mesma disposição dos móveis. O que já decretou para si que não gosta, não gosta e pronto. Para que insistir?
O novo não é bem-vindo, é uma invasão. O novo é sórdido, pernicioso, o novo ameaça. Ameaça uma (in)discutível verdade acerca de si mesmo que não quer ser comprometida. Ameaça chegar para ficar, a formação de um conceito ou a mudança de ideia, a admissão de que nada era tão certo assim. E é preciso resistir. As pessoas se adaptam à rotina, ao mesmo, ao sóbrio, ao sempre. Buscam segurança, comodidade, estabilidade. Esquecem que nada disso existe.
Para mim, é sempre penoso testemunhar esse assombro com as rupturas. Não encaro a mudança como falta de solidez, mas como flexibilidade. Eu posso nunca ter gostado de polenta, hoje resolvi (re)experimentar. Me dou a oportunidade de mudar de ideia ou ficar com a velha concepção por mais um tempo. Posso nunca ter ouvido falar do autor, mas a história me chamou a atenção e oportunizo-me a ler as primeiras páginas, extraindo delas um aceite ou não, para tocar a leitura.
Não é meu estilo, não é do meu gosto, não provo de jeito nenhum, vou sempre por aqui, faço sempre assim. Há algo muito nebuloso em cada uma dessas premissas. Por trás delas, há aqueles que não podem ver que, se há tantos caminhos, jeitos e paladares, por que manter sempre os mesmos?
Não concebo essa falta de abertura ao novo. Essa previsibilidade, essa gente enjoada, incapaz de se abrir pra vida. Porque, se o que temos já estivesse bom, não estaríamos sempre insaciados. Porque, se todos se contentassem com a mesmice, invenções e descobertas não seriam mais realizadas.

É preciso abrir-se ao novo. Não resistir, não teimar, tentar diferente, permitir. Só assim começamos a mudar. E quem resiste à mudança, não evolui.

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