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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

“Presente-tralha” e sobre a arte de dar presentes


Todo mundo gosta de ganhar presentes. Como chocolate, essa é uma das poucas (quase) unanimidades da vida. E como, para dar presentes, muitas vezes são necessários estímulos extras (não é sempre que estamos apaixonados!), foram inventadas aquelas datas simbólicas que se repetem ano a ano (inclusive nosso aniversário) e, ainda assim, nem sempre nos garantem ser presenteados – tem gente que ignora o bom efeito que um presente pode dar nas relações. Porém, há um sub-assunto velado no que diz respeito a presentes e que muita gente prefere não comentar: bons e maus presentes. É inegável: quem nunca recebeu um “presente-tralha”: algo que não é do seu gosto, que você não queria, não precisava e que não sabe o que vai fazer com o dito cujo? Além da forte impressão de que a pessoa comprou só para se livrar da obrigação de te presentear. E presentes-tralha são tão facilmente reconhecidos: podem até não ser baratos, mas são dispensáveis... Tipo anjinhos de porcelana ou enfeites para a casa...
Não é todo mundo que tem bom senso e disposição em abrir a carteira e o coração em busca de um bom presente. Pois, sim, pares de meia, por mais que custem vinte reais, são brochantes. Panos de prato, bugigangas de 1,99, gravatas e velas perfumadas (quase sempre) também. Se houvesse uma etiqueta sobre como presentear, o que dar de presente ou, ainda, acertar na escolha, acho que conteria nela:

- Em primeiro lugar, exceto em chás de panela, o presente é para a pessoa. Essa mania de dar coisas pra casa deve ser muito triste para as mães, a não ser que elas tenham pedido.
- Chocolates geralmente agradam. E agradam bem mais se forem chocolates finos, trufas ou cestas.
- Vinhos baratos são deselegantes. Se vai dar um vinho barato, dê logo um garrafão, que aí a pessoa pelo menos faz um bom sagu.
- Para presentear com roupa, só se houver certeza que a peça irá agradar. Pois as roupas são parte da nossa identidade e um acessório dessa espécie é sempre de gosto muito particular.
- Perfumes são uma boa pedida, desde que você já tenha ouvido falar neles.
- Livros para quem gosta de ler são sempre bem-vindos. Mas é preciso conhecer o gosto do leitor. O mesmo se aplica a DVDs.
- Presentes de formatura, 15 anos, casamento e outros eventos mais formais devem ter ainda mais bom senso. Se for fazer fiasco, não presenteie. Lembre-se: é melhor ficar sem presente que receber presente tralha.

- NUNCA, JAMAIS dê:
1. Artigos Religiosos – A não ser que a pessoa peça ou você saiba que ela queira, não dê presentes desse tipo. E a dica fica multiplicada por 10 se o artigo for da SUA religião, não da dela. A relação de cada um com Deus é muito pessoal e não tem coisa pior do que alguém tentando te convencer das verdades ou necessidades espirituais dela.
2. Artigos de time de futebol – Principalmente com artigos do SEU time. Parece piada, mas já recebi um presente do time da outra pessoa. E eu não quero artigos nem do meu time, por que eu iria querer do time dos outros?
3. Meias, roupas íntimas (a não ser que sejam um casal) e gravatas – Ninguém gosta de ganhar isso. Portanto, acredite quando a pessoa disser: “Não precisava...”.

- Por fim, capricho na embalagem. Uma embalagem bonita é cartão de visita, mesmo que o presente seja simples.

E o que fazer quando é você que recebe algo inútil, que não gostou ou que sabe que só vai trancar canto, mas não quer magoar a pessoa?
Bem, meu conselho é... Desfaça-se. Com certeza há alguém que ficará muito feliz com o que você não gostou. Uma ideia: se o produto está novinho, na caixa, faça um embrulho bem bonito e coloque sob a árvore de Natal. Faça com que cada pessoa que visitar sua casa nos dias de festa saia presenteada, pois o que não lhe agradou pode agradar outras pessoas. Ou saia distribuindo os presentes na rua. Louco? Ué, e quem é normal?

De todo modo, doe, dê, venda. Mas, não mantenha em sua casa algo que não gosta e não usa só porque alguém te deu. Se perguntarem, diga que perdeu, que quebrou. Mantenha as energias circulando. Para prosperar, precisamos sempre estar dispostos ao desapego!
Por fim, observo que quem dá bons presentes parece ter um bom gosto inato (a mim, são sempre as mesmas pessoas). Qualidades em comum que essas pessoas têm são generosidade, bondade e bom gosto: elas não se importam em gastar um pouco mais e dar uma coisa boa. As que dão “maus” presentes também são sempre as mesmas, o que me leva crer que talvez haja algo intrínseco entre presente e personalidade. Os presentes dizem mais de quem dá do que de quem recebe.

Todos gostamos de receber bons presentes. Bonitos, úteis, que denotem o carinho que o outro tem por nós. Então, por que não pensar assim na hora de presentear? Não se trata só de elegância, ponderação e finesse. Quem dá melhores presentes é melhor lembrado, quem dá melhores presentes se distingue na multidão de tralhas que recebemos todos os anos. Afinal, bons presentes não precisam ser caros no valor, mas caros no afeto.

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