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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Bolsa de Pós-Graduação CAPES/PROSUP – Como consegui a minha



Não é do meu feitio compartilhar textos dessa natureza aqui no blog, mas, como antes de conquistar minha bolsa, procurei informações em inúmeras fontes e nada me socorreu, resolvi escrever esse post para ajudar outras pessoas que, assim como eu, são inteligentes o bastante para receber salário para estudar.
Para começar, esqueça a ideia de ganhar a bolsa antes de entrar na pós, como é possível na graduação através do PROUNI. Na pós-graduação, não é levada em consideração a sua renda ou necessidade, mas o mérito e o desempenho, tanto que, 100% dos locais pesquisados por mim conferem as bolsas de estudo aos primeiros colocados no processo seletivo. De todo modo, pesquise junto à universidade pretendida: como é cada IES (Instituição de Ensino Superior) que faz suas regras para conferir a bolsa, é possível que alguma leve em conta a situação social dos favorecidos.
O processo seletivo varia de instituição para instituição, mas geralmente consiste em várias etapas, tais como prova escrita, pré-projeto de pesquisa, entrevista, análise do currículo Lattes, provas de línguas etc.
O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) distribuem, anualmente, algumas bolsas de estudos e ou auxílios para taxas escolares diretamente às IES. De acordo com a conceituação do curso (que é avaliado, geralmente, a cada ano e pode obter conceitos de 3 a 7), é distribuído um número de bolsas que contempla alunos da pós, geralmente de acordo com o mérito, ou seja, a colocação. Quanto mais alto for o conceito do curso (crescentemente), mais o programa é recomendado, tendo aí a possibilidade de o número de bolsas disponíveis ser maior.
A bolsa consiste no pagamento das taxas escolares e um abono mensal no valor de R$2.000,00 para doutorandos e R$1.350,00 para mestrandos, pagos em uma conta corrente no Banco do Brasil. Trata-se de conta especial, sem tarifas, e que muitos funcionários do banco não sabem existir – precisei ir em 3 agências para, na terceira, enquadrarem minha Conta Corrente da maneira correta, com a renda da bolsa. Não é uma conta corrente comum, embora se possa optar por conta universitária e os benefícios oferecidos por ela.
O auxílio se estende por todo o período da pós-graduação stricto sensu e exige comprometimento por parte do aluno, boas notas e a ausência da percepção de outros vencimentos através de vínculo empregatício (isso exime professores da educação básica pública, tutores de EAD da UAB e professores substitutos em instituições federais). Ou seja, você recebe para estudar.
Você vai ouvir muito:
- Mas você ganha pra estudar?
E a resposta é: não.
Na verdade, serão papers, artigos, pesquisas, seminários e uma infinidade de trabalhos, além da dissertação ou tese. Se o beneficiário da bolsa desistir no meio do caminho, deve devolver os valores integralmente à CAPES ou CNPq (acho justo, e acho que o PROUNI deveria adotar prestação de contas semelhante). Para congressos importantes, há uma reserva que contribui na cobertura das despesas – viagens no Brasil e América Latina para mestrandos e também no exterior para futuros doutores. E, eventualmente, há reajuste nas bolsas, inclusive um muito esperado para o corrente ano de 2013.
Então, o segredo é o processo seletivo: quanto melhor sua colocação nele, mais chances de ser bolsista. Investigue junto à sua IES quantas bolsas e auxílios para taxas ela costuma receber anualmente e quais os critérios para concorrer a um deles. O auxílio para taxas cobre integralmente as taxas acadêmicas (mensalidades), sem nenhum ônus para seu assistido, porém este não recebe o abono mensal de subsídio.
Como me sinto sendo uma dessas privilegiadas que premia o currículo e recebe para isso? Estou muito feliz e pretendo fazer muito por retribuir. Eu senti desde o começo que tudo daria certo e as coisas ocorreram exatamente como previsto. Se faz parte dos seus planos o mestrado e ou doutorado, no Brasil ou exterior, muna-se de coragem e mãos à obra! Quando nossa estrela é forte, mais cedo ou mais tarde ela sempre brilhará.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Gente publicitária e gente de verdade



Gente publicitária acorda linda, loira, maquiada. Com os cabelos lisos, esparramados, dá um lindo sorriso ao Brad Pitt a seu lado. Inicia o dia com um selinho e, em seguida, vai escovar os dentes brancos tom #000000001, tendo com frequência uma equipe Colgate a invadir o seu banheiro.
Gente de verdade acorda descabelada, com remela. Levanta antes que o namorado sinta o bafo e corre lavar a cara oleosa. O camisetão velho e furado não lembra em nada o lindo pijama xadrez de plush, da gente publicitária. Os pés descalços com a unha por fazer só lhe lembram quão milagrosa fora aquela receita com gengibre para curar as dolorosas frieiras.
Gente publicitária desce as escadas arrastando seus graciosos chinelinhos de pano, antiumidade. Vai para a cozinha e começa a cantarolar, enquanto prepara waffles. Logo desce a filha adolescente – linda e virtuosa – e o filho mais moço – encantador e moleque -, além, claro, do maridão: jovem, agradável e gato. Todos sorriem, desejam-se bom dia e sentam-se juntos à mesa, com a alegria digna dos panfletos de testemunhas de jeová. Com os waffles cheirosos, vêm também jarras do mais puro suco natural de laranja, cereais, e a congregação de uma família feliz, sorrindo junta com dentes alvos e perfeitos.
Gente de verdade, às vezes, nem toma café; pula da cama apressada, com um despertador irritante. Começa a insistir na porta do filho, que virou a noite na internet e nem sabe que a filha de 15 anos dormiu fora. A mesa é composta de pessoas sonolentas, que ora são interrompidas do seu mundo particular porque o caçula insiste em implicar com o gato, ora se revezam batendo na porta do único banheiro. Gente de verdade sai correndo, perde o ônibus, deixa os filhos na escola, tenta não esquecer o dentista de fim de tarde e tem um dente torto na frente. Gente de verdade, às vezes, desiste de dialogar, desiste de dizer o que acha bom, desiste de tentar se fazer entender, necessariamente, todo santo dia. É que gente de verdade pode acordar de mau humor...


Gente publicitária tem cabelos lisos e sedosos, um olhar bem delineado e claro, traços fisionômicos surreais e medidas fora do comum, mesmo que tenha 60 anos. Gente publicitária se veste bem para cozinhar, é elegante em qualquer estação; toda a estrutura de sua casa é impecável e, tal qual sua vida, tudo nela é perfeita. O casal é maravilhoso e se ama, os filhos são especiais e amados e nenhum deles jamais teve qualquer um dos problemas triviais da vida: falta de dinheiro ou dívidas, problemas de saúde; sua vida amorosa sempre foi um estouro e a beleza nunca deixou de ser característica naturalmente associada; a gravidez foi planejada; o salário já começou alto e ano a ano evoluem mais – são a família modelo do quarteirão.
Gente de verdade, volta e meia, tem dor de cabeça. Volta e meia, não consegue pagar todas as contas em dia, volta e meia é chamada na escola do filho. Gente de verdade briga com a mãe, com o marido; reconhece que os filhos não são perfeitos, mas os ama e educa. Gente de verdade tem cabelo crespo, caspa, carapinha; gente de verdade faz depilação e dói; tem espinhas no rosto aos 17 anos; vai mal na escola e se preocupa em como vai contar isso aos pais. Gente de verdade namora gente feia, mas sincera; se irrita quando precisa de silêncio e seu familiar tá ouvindo rock; faz dieta na segunda e engorda tudo de novo na sexta.
O que eu gostaria de lembrar é que gente publicitária não existe! As pessoas dos comerciais e dos filmes e, mesmo a vida perfeita dos “artistas” e celebridades não passam de ilusão. É um erro pautar comportamentos e padrões de acordo com um modelo estabelecido, revelando no mínimo, falta de bom senso. Acreditar que existe mundo perfeito e vai casar com seu ídolo é o caminho mais curto para se frustrar. No mundo real, há cansaço, há desânimo, há luta. No mundo real, há conquistas, há cores e incertezas. Sobretudo, há coisas reais que nenhuma boneca pode vivenciar. O grande porém de tudo isso é a compra cega que se faz o tempo todo, de modelos fabricados: de como ser, como pensar, o que querer. Ninguém é incentivado a desvendar – até mesmo no mundo acadêmico, tudo exige fontes, provas, que alguém tenha pensado antes da gente.
Esqueça essa perfeição de comercial de margarina, sim? Ao longo da sua vida conhecerá pessoas cheias de defeitos, dificuldades, cheias de desejos insatisfeitos. Mas, ainda assim, as mais dignas e admiráveis que poderia esperar. Porque, gente de verdade está em toda parte: ao seu lado, na sua academia, em frente ao espelho ou em um jaguar. Farão refletir, reavaliar e, podem não nos servir de modelo, mas de inspiração. Não serão perfeitas, mas serão de verdade

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A arte da convivência



Conviver é muito difícil, às vezes. Nas rodas superficiais, em encontros esporádicos com aqueles que pouco vemos, todos são agradáveis, tolerantes, companheiros e todas aquelas coisas que são ensinados a ser. As poucas exceções, mimadas e que querem impor seu ego e seus defeitos logo de cara, a gente simplesmente se afasta e pronto. Nada disso é tão fácil, porém, com as pessoas de nosso círculo íntimo. Elas podem ser sua fortaleza, seus defensores ou o lado que o põe pra baixo. Geralmente são as duas coisas, alternadamente. Conviver é uma arte, pois, é preciso driblar problemas pequenos que, de repente, se tornam tão grandes, pela falta de tolerância de quem vive no mesmo teto. É em casa que vamos expor nossas manias, rabugices, vícios – coisas que muitas vezes farão descambar situações dramáticas, complicadas, desnecessárias. Mas, que o ego prevalente fará se sobressaírem. A paz é perdida por muito pouco e um erro qualquer é crucificado.
Estar com outras pessoas sempre será um desafio, especialmente porque parecemos ser menos tolerantes para com aqueles que mais deveríamos ser. Somos gentis e queridos com os estranhos na rua, mas em casa, brigamos à toa. Sorrimos quando contrariados por um amigo, mas compramos discussão quando quem pensa diferente é alguém ao nosso lado. E o que a convivência deveria proporcionar era justamente o contrário: o incentivo à pessoalidade de cada um, o estímulo à diferença, a tolerância com os erros e defeitos alheios, a reeducação de nossas próprias imperfeições. Deveríamos começar exercitando a caridade no seio familiar, sendo mais pacientes, compreensivos, menos invasivos, intolerantes. Mas, é difícil. As pessoas acham que por serem parentes, ou mais velhos, ou pais; que têm direitos sobre as outras e que isso lhes dá intimidade; como tentar exercer controle, opinar invasivamente, decidir por elas. Falta o respeito pela inteligência e dignidade dos outros; a consciência de que também se erra e que, quando isso acontece, esperamos compreensão e também desejamos que nossas escolhas sejam respeitadas.
Conviver é difícil e fica cada vez mais, com pessoas que não se conhecem verdadeiramente nem fazem questão disso; que moram na mesma casa, todavia não habitam uma dentro da outra. E, talvez, isso explique até a dificuldade em conviver, como um círculo vicioso. Pois, aprendendo assim, não é simples construir uma nova imagem de como a vida familiar pode ser rica e prazerosa, apenas por poder usufruir juntos das melhores coisas da vida.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pare de bater fotos – A banalização da fotografia



Às vezes, gostaria de sacudir algumas pessoas e enfiar na cabeça delas a seguinte ordem:
- Pare de bater fotos e apenas viva o momento! Não poderá registrar o ar, os raios de sol, o seu sorriso...
É tão falso e tão premeditado o que se vê na maioria das fotografias: com exceção daquelas espontâneas (quando não se sabe que está sendo fotografado), elas dizem muito pouco sobre quem aparece na imagem. E é tão irritante quando uma pessoa fica interrompendo a mesa do sorvete ou do lanche, ou a conversa na praia ou o churrasco, pedindo para alguém bater suas fotos. Não parece estranho estar em um lugar lindo e, antes mesmo de desfrutá-lo, já ir arregaçando a câmera, fazendo poses e caras (que acham o máximo) e fotografar? Pois é, mas não soa estranho. É natural.
Salvo fases do bebê, casamentos, aniversários e datas afins, onde a importância do registro se justifica, tentar minutar a vida somente através das lentes é um tanto estúpido, ingênuo, para não dizer, egoísta. Intencionar a captação de cada momento vivido chega a ser doentio – não há registro melhor que viver, aproveitando intensamente o momento e as pessoas, sem querer aprisioná-las no tempo.


Quem me conhece poderá dizer que eu mesma já fui chata com fotografia, e não nego. Mas, reconheço que são poucos – quase raros – aqueles que têm o dom da verdadeira fotografia, de registrar através da sua câmera um olhar diferente do mundo, um ângulo inédito ou fantástico. A maioria das fotos batidas é banal, e isso se aplica à vida particular ou à esfera profissional de fotógrafos, publicitários e jornalistas. A verdadeira fotografia alia sensibilidade e técnica, enquanto grande parte dos profissionais têm apenas a segunda. Entretanto, a questão aqui não é a foto profissional, mas a doméstica, onde qualquer pessoa com cartão de crédito acha que pode sair comprando uma câmera profissional em 48 vezes e se achar fotógrafo. Dos adolescentes que estendem o bração e fotografam a própria cara fazendo biquinho, às dezenas de flashs que espocam diariamente em frente a espelhos e de viagens onde só se vê um sujeito sem graça parado em frente a um monumento. Quer dizer, tudo isso é muito insano. Antigamente, quando atuávamos com câmeras a filme, havia muito cuidado com o que se fotografaria, pois a revelação era cara e havia um número máximo de poses. Acontecia ainda de os famosos filmes queimarem, não nos deixando uma única lembrança do verão com os amigos ou daquele aniversário. Mas, com o cenário da fotografia digital, tudo mudou, e para pior. O preço popular das câmeras faz com que zilhares de pretensos fotógrafos descarreguem seus cartões de memória horrendos diariamente nas redes sociais e até em sites especializados! De registros básicos, passamos a ter 4 fotos iguais, onde se escolhe a que estamos melhor para publicar aos outros. Os editores de foto fazem o resto do serviço, mentindo ao mundo que não existem pessoas feias. São álbuns e álbuns repletos de fotos muito parecidas, com a cara sorridente de uma mesma pessoa.
E o que tem de mais nisso? A fotografia está se perdendo. Assim como não são escritores que estão publicando livros, estamos esvaindo pouco a pouco a arte de fotografar. Não se reconhece mais a fotografia artística. Em um mundo que todo mundo pode ser o que quiser, não faz mais sentido reconhecer o talento, ou ainda, os momentos verdadeiramente especiais, e que merecem ser fotografados.
Eu já fui chata com fotos, de ser muito poseira e fotogênica, de tentar registrar o irregistrável. Mas, quando afastei o olhar e vi a situação com olhar crítico, tive a melhor constatação sobre o assunto: não se vivem retratos. Se revisitam, nostalgem, relembram, mas não se vivem. E, para viver, acessórios são dispensáveis. O que se exige é apenas uma boa dose de coragem e a sabedoria de pousar um olhar sobre tudo como se fosse a primeira vez. Sem retratos ou aparatos. Só o frescor da primeira vez.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Amigos invejosos – Como reconhecer



Já li várias coisas a respeito da inveja: como a atraímos, como não ser alvo e quais os aspectos dela. Porém, sempre sou muito ingênua com relação a pessoas, o que garante que continuamente eu tope com algum invejoso e nem me aperceba disso. Mesmo que seus elogios sejam dissimulados ou que mês após mês a pessoa que chamo de amiga me copie e realize todos os meus sonhos compartilhados antes de mim – mesmo quando a pessoa não tem nem vergonha na cara, ainda assim eu passava por cima e fechava os olhos. Em todos os casos, hesitei muito tempo em acreditar que se tratasse de inveja.
As pessoas costumam torcer o nariz para essa palavra: inveja. É um sentimento repugnante, logo, ninguém o quer associado a si – as pessoas não o admitem de forma alguma. Assumir a inveja é como um atestado de inferioridade, onde o outro se sagra vencedor de uma competição que só existe na cabeça do invejoso.
Minha primeira experiência com a inveja aconteceu bem cedo, aos oito anos. Na verdade, teve outras antes desta (quando fui rainha da classe por dois anos seguidos), mas essa com a idade de oito, certamente foi a mais marcante. Havia uma colega de classe chamada Dadiane, uma menina bonitinha, porém nariguda. Ela fazia balé, tinha vídeo game e o pai a levava à escola de carro, em uma escola onde a maioria das crianças não tinha nem uniforme. Sempre muito inocente, a única coisa que eu fazia era fitá-la com meus grandes olhos cor de mel e observá-la, mas alguma coisa em mim fazia com que Dadiane me detestasse. Ela implicava comigo gratuitamente, falava mal de mim às outras crianças, disputava a atenção com a professora, procurava se gabar daquelas coisas que tinha. E tudo que eu fazia era admirá-la. Fui colega de Dadiane desde a terceira até a sétima série e, ano após ano, o despeito dela parecia crescer. Por vezes, eu até tentava cativá-la, sendo simpática, mas ela sempre me esnobava e tentava formas de fazer com que eu me sentisse mal. Nunca me senti. Demorei muitos anos para constatar que o que Dadiane sentia por mim era inveja, e inveja de algo que até hoje eu não saberia dizer – talvez o simples fato de não ser eu a invejá-la.
Já conheci invejosos que se sentiam culpados. A culpa fazia com que tentassem se redimir de alguma forma, tentando compensar o invejado. Tentavam lutar com o sentimento, mas mesmo assim não deixavam de tentar superar o alvo em alguma coisa, evitando deixar transparecer. E há ainda os invejosos que procuram diminuir o invejado através de indiretas e declarações, talvez para se sentirem melhor consigo mesmos.


A forma mais primitiva da inveja é o ciúme. Ciúme não é amor coisíssima nenhuma! O ciúme é a inveja do outro por reconhecer que ele pode ser feliz sem a sua presença. E é muito custoso reconhecer isso. Mas, quando se ama de verdade, se quer o ser amado feliz, perto ou longe da gente. Ciúme está mais perto da inveja que do amor, embora muitos não possam acreditar nisso.
Embora tenha a sua raiz na comparação, assim como a paixão a inveja também deriva da admiração , mas com esta vem o despeito em reconhecer que o outro possa ser melhor em alguma coisa. Ela pode ser usada para aperfeiçoamento pessoal, mas são muitos os invejosos que preferem destruir a pessoa invejada a tentar vencer esse pecado capital. QUERER O QUE O OUTRO TEM NÃO É INVEJA, É COBIÇA. A inveja se caracteriza por não querer que o outro tenha. O que por si só, já diz muito. É a existência dele que ameaça, sua felicidade incomoda. Por isso, muitas vezes não importará se o invejoso superar o invejado em alguma coisa, ele vai tentar ofuscá-lo em todas as outras.
Engana-se quem pensa que a inveja está longe dos recintos familiares e dos círculos de amigos, estando restrita aos ambientes de trabalho. Muitas vezes, são eles os cenários mais frequentes. Criam-se rivalidades silenciosas, a possibilidade de conquista do outro tira o sono. Apenas a existência daquele ser e sua alegria se tornam uma ameaça, que passa a tomar conta da vida do invejoso. Invejam coisas materiais, situação profissional, aparência física, mas também e com mais força, talento, carisma e virtudes, pois no íntimo sabem ser mais difícil de superar.
E, como reconhecer um parente ou amigo invejoso?
- É mais comum que a inveja aconteça entre pessoas do mesmo sexo, idade parecida e relativamente próximas;
- Quando o (a) invejoso (a) é seu amigo (a) ou conhecido (a), procura sempre saber da sua vida, sempre bisbilhotando os passos que deu para conseguir algo e fazendo perguntas indiscretas;
- Quando você compra algo, ele procura comprar igual ou parecido. Quando você viaja, depois ele vai para o mesmo destino. Quando você prospera, ele fica infeliz e se você diz que vai fazer determinada atividade, adivinha: é esta que ele vai fazer!
- Tem o tipo de invejoso que elogia de mais, chega a vampirizar;
- Tem o tipo de invejoso que critica sempre, rebaixando você e suas conquistas e lhes atribuindo sorte ou facilidade;
- Tem o tipo de invejoso que amarga o seu sucesso em silêncio;
- Até mesmo os objetos são suscetíveis à energia da inveja: seu notebook quebrou, seu celular caiu no chão após o invejoso ter visto ou tocado;
- Se você diz que pretende fazer algo, a pessoa sempre faz antes que você;
- Quando você conta uma conquista, a pessoa não o olha nos olhos e o silêncio que se segue após o anúncio do sucesso;
- O invejoso não consegue partilhar da sua alegria. Às vezes, é penoso até lhe dar parabéns, mas quando o faz, é possível perceber a falsidade;
- Dissimulação, sutileza, gestos, olhares, linguagem corporal, tom e modulação da voz;
- A energia: se você é sensível, sentirá a energia da inveja em sua direção, em seus objetivos, em sua vida.
Esses são alguns sinais que permitem reconhecer um (a) amigo (a) invejoso (a). Para se proteger, mais que amuletos, é preciso confiar que a vida faz tudo certo e seus projetos não serão prejudicados pelos maus votos de outra pessoa. É muito importante não dar força a essa crença, pois quando acreditamos que a inveja pode nos prejudicar, é exatamente isso que começa acontecer. É muito mais mental que real. É preciso abençoar cada conquista e enviar bons fluídos ao invejoso.
Já se quem inveja é você, em primeiro lugar, perdoe-se por isso. Procure alimentar sua estima, não se comparar e perceber que nesta vida cada um tem um caminho. Procure desejar o bem ao invejado e lembrar que nem tudo é como acredita ser. A pessoa que passou em um concurso virou noites e noites estudando; a gordinha que emagreceu, abriu mão de muita coisa; o carro novo pode estar financiado por mais de 60 meses. O bebê lindo também pode ser seu daqui um tempo; o casamento perfeito pode ser de fachada; tanta beleza física pode ter um preço alto.
Dizem que é dado a cada um segundo suas obras. Dizem que nada acontece a alguém se não lhe merece. A luta nos conduz a qualquer vitória e a vida é muito curta para viver a vida de outra pessoa. Isso é o que eu gostaria de dizer aos meus amigos invejosos: comecem a ter seus próprios sonhos. Há mais lugares com neve que Bariloche, há coisas melhores que ter cabelo liso, tem muita atividade no mundo além daquelas que eu faço ou pretendo fazer. Ame a si mesmo, seja sempre você, siga lutando em seu caminho único. A plenitude da vida está justamente em descobrir permanentemente quem somos, em quem estamos nos transformando. E mudar. Afinal, ninguém se compara com a gente.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

A aprovação dos outros



Você se lembra como era chato na sua adolescência quando precisava esperar a aprovação dos seus pais para tudo? Todo e qualquer comportamento, saída com amigos, namoro, viagem; pareciam poder controlar até o que você pensava! E, na escola, então, em que tudo precisava passar pelo aval do professor? Idas ao banheiro, cochichos em classe, as provas semestrais: tudo era aprovado ou reprovado de acordo com a vontade alheia. A sua nunca imperava, era preciso ser feito o que os outros esperavam, fazia parte do treino.
Sim, nossa sociedade é treinada para obedecer. Quantas coisas já deixou de fazer por medo da desaprovação alheia e quantas outras fez, sem as querer realmente, porque era o esperado e aquilo que os outros aprovariam?
Além da sociedade, há as religiões, apontando o dedo acusador de um deus criado por elas, que condena ou aprova, através da imposição do medo. Nossas ações são avaliadas por esse deus inventado, como se o Soberano não soubesse de nossas imperfeições. A espera por aprovação está na vida privada, doméstica, social, religiosa e até sexual. Tenho uma conhecida que morre de vontade de dar o rabo, mas quer casar virgem por medo de desagradar a Deus.
Viver não é esperar aprovação!
Se Deus não nos aprovasse como somos, não nos teria criado imperfeitos. Quem não aceita são os homens: hipócritas, falsos moralistas, com sua pesada máscara social! Erguem o dedo para condenar o outro, mas no segredo de seu recôndito cometem barbáries muito mais horrendas.
A aprovação que basta é a da nossa consciência. E, por haverem diferentes graus de consciência no orbe, a escala pode ser infinita, mas nada que ultrapasse a satisfação de fazer algo que se quer, que o deixa feliz, sem esperar a aprovação de ninguém! Desde que não prejudique o vizinho nem seja nociva a qualquer espécie de vida, nada pode esperar aprovação. Eu desaprovo.

Também sou chata



Não gosto de gente que fala o tempo todo e não ouve.
Ou que povoa seus discursos com “Eu... Eu... Eu...”.
Ou de gente que não sabe apreciar as belezas simples da vida.
Ou gente fresca para comer.
Gente que não gosta de café.
Ou, gosta de pisar em formigas.
Não gosto de gente que julga o que não conhece.
E gente que não consegue ouvir.
Não gosto de gente que não procura, não retorna.
Que não justifica porque não atendeu o telefone ou não respondeu o e-mail.
Gente cheia de não-me-toques, que se acha melhor que os outros.
Gente fútil, gente vazia.
Gente burra, que não quer aprender.
Gente mimada, metida a besta.
Que quer dar ordens, aparecer.
Não gosto de gente ranzinza, mal humorada. Gente azeda, rabugenta.
Não gosto de gente que se queixa.
Não gosto de gente enjoada, gente mala.
Mas, por minha vez também sou chata.
Ou só seja um pouco exigente.
Acho que quase não gosto de gente...