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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Amar sem exigir



Cansei de impor o meu ponto de vista aos outros. Por melhor que sejam suas intenções, sempre corre-se o risco de lhe acusarem de egoísta, simplesmente porque você mostrou um caminho – mas não quis fazê-lo pela pessoa. Crescimento é pessoal e intransferível. Saber lidar com as próprias emoções é ser dono de si, dizer NÃO quando preciso e reconhecer firmeza, não maldade, nisso. Sim, nós devemos estar em primeiro lugar. Como pensar em ser o que quer que seja de bom para os outros, se formos sempre os últimos, os menos favorecidos ante nós mesmos? Amar a si é não permitir invasões. Invasão de energia, de carga alheia, da culpa que tentam nos impor, do vampiro que se sente melhor ao nosso lado. É amar sem apego. É saber que o outro pode ter caminhos diferentes, mas sempre vai estar na nossa torcida. Que ele não precisa fazer a estrada junto; que nossas únicas obrigações são para conosco mesmos. Que o que o outro diz pode estar ferindo mais a ele do que a nós, mas ele precisa dizer. Por fim, não nos magoarmos, não nos ofendermos. Podemos não nos agradar com a posição de outrens, mas é a compreensão que ilumina o bom senso, a sensatez, para respeitar quem pensa diferente de nós. Não podemos exigir que nos aceitem, nos acreditem, nos atestem, mas podemos estender a caridade de nossa compreensão até o pensamento daquele que, para nós, está errado. Porque o acerto e o erro são relativizados. Amanhã somos nós quem defendemos o outro lado e poderemos ver os motivos dele.
Acima de tudo, não esquecer que existe um Deus que legisla acima de nossas frontes. Ele é todo Amor e Bondade e não dá cruz que não possamos carregar. Tudo está certo e, pelo que passamos, é exatamente aquilo necessário para que possamos sair, ao final, mais fortes. É a força que nos move. Que nos torna firmes, mas doces; contrários, mas compreensivos; amorosos, mas não exigentes. Porque o Cristo nos amou sem nada pedir em troca. E porque nós só estamos aqui para seguir o exemplo dEle.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A outra história do atentado em Boston: espetáculo em cinco atos





Cai a cortina. E, como em qualquer espetáculo teatral, o público aplaude os atores. Eles desfilam em seus carros com luzes que piscam vermelhas e azuis, os tanques antibombas passam sob um frenesi de uma sociedade que, desde 11 de setembro de 2001 vive a frustração por não ter conseguido caçar os terroristas que abalaram o orgulho nacional

CAÇADA HUMANA,
ESPETÁCULO EM CINCO ATOS (OU, CINCO DIAS)
Roteiro, Direção e Sonoplastia – CIA, FBI, POLÍCIA DE BOSTON
Participação Especial – Sociedade Americana
Narração – Fox News


Era Boston, início da tarde de 15 de abril, numa primavera sonolenta e ainda fria, quando dois irmãos saíram de casa. Nas costas carregavam um elemento cada dia mais demonizado pela sociedade americana: mochila. E essa tinha seus perigos. Ela transportava uma bomba. Caseira, rudimentar, de baixo impacto, de fácil feitura, numa panela de pressão. Mas continuava sendo uma bomba. E bombas, de nêutrons ou caseiras, são construídas com o mesmo objetivo. Para matar. Sempre.
Os jornais da cidade de Boston naquela segunda-feira, dia da “segunda maratona do mundo” (a primeira continua sendo a grega) trazem notícias corriqueiras., além do assunto do dia, a maratona . Nas primeiras páginas do jornais de Boston, New York, Washington, Chicago, Miami, nenhuma linha sobre o que acontecera na véspera, domingo, 14 de abril. Naquele dia, 30 pessoas, entre elas oito crianças, foram mortas por um drone no Afeganistão. A máquina da morte confundiu uma cerimônia de casamento com ato terrorista. Há quem concorde.
São 2h17min da tarde de 15 de abril na bela e culta cidade de Boston. Correrias, sirenes, multidão em polvorosa. A bomba havia explodido. Quatro pessoas são envolvidas em sacos plásticos. Mortas. Outras 160 se espalham pela rua interditada e pelas calçadas. Feridas. Comoção nacional. Não pelo drone que matou 30 pessoas inocentes. Mas pelo “ato terrorista” que matou quatro inocentes, entre eles um garoto e 160 feridos. Um deles, com pernas amputadas.
24 horas do atentado, nenhum suspeito. Nada. Nenhuma testemunha mas (as conjunções adversativas sempre mudam a história do mundo), surge a primeira imagem, um primeiro suspeito. Alguém que andava sobre os telhados na hora da maratona.
As especulações qual coriscos ensandecidos, riscam os céus de Miami, Chicago, Washington, New York e Boston. “Isso é coisa do Tea Party”, reclamam uns. “Parece que foi ação de quem é contra a alta de impostos”, bradam outros. Ninguém se lembra de que o Congresso dos EUA está, nesse momento, discutindo uma Lei de Migração menos draconiana. A discussão arrepia e traz pesadelos para a extrema direita e seu atual líder, senador pela Flórida, Marco Rúbio. Filho de cubanos fugidos da ilha nos 60.
Quarta-feira, 17 de abril. A câmera de um “anônimo” traz, finalmente, aquilo que mais de 300 milhões de americanos esperavam. A imagem de dois rapazes. Eles e suas mochilas. Os dois próximo à lixeira onde a bomba fora deixada.
Ainda é 17 de abril. A voz da âncora da Fox News ecoa pelos ares de um país em pânico. Mas, antes de qualquer pronunciamento oficial, a âncora da Fox News canal de televisão de Rupert Murdoch (a mesma que se recusou a acreditar na reeleição de Obama) deixa escapar o cheiro da panela. Um cheiro de Islam servido num samovar.
17 de abril, em Boston, a câmera com imagem dos dois irmãos, de nomes impronunciáveis no Ocidente, se junta a outras câmeras. A CIA entra em ação para ampliar as imagens que mais a interessavam A dos dois irmãos. A Polícia de Boston nega ter feito a captura de qualquer suspeito.
Já é quinta-feira, 18 de abril. CNN, com seu noticiário desbotado e Fox News exigindo vingança passam a centralizar o noticiário na busca dos “terroristas”. Às nove da noite desse dia, as imagens dos dois irmãos surge nas telas das redes sociais com a tarja “Wanted” (Procurados). A mesma tarja utilizada na colonização da costa Oeste do país para encontrar pistoleiros ou ladrões de gado, de banco…
Ainda é quinta-feira. Dez da noite. O lado Leste dos EUA já se entregou ao sono. A sociedade estadunidense dorme cedo. Mantém até hoje hábitos rurais, com algumas exceções. Na Fox News, uma voz embargada de emoção anuncia que uma loja de conveniências foi assaltada. Eram os dois irmãos. Eles também fizeram um refém, o dono de uma Mercedes SUV (Sport Utility Vehicule), um jeep possante. O refém escapa enquanto os irmãos assaltam a loja. Nem o FBI, nem a CIA, nem a Polícia de Boston mostra a loja do assalto e muito menos o cidadão sequestrado.
A partir daí, a tarja “Wanted” pode ser substituída pela tarja “Fiction”. Ou, acredite, se quiser. Porque, nessa tragédia, com cinco mortos (os quatro pela bomba e um dos irmãos pela polícia) a verdade de substantivo abstrato, torna-se substantivo volátil.
10h30min da noite de quinta-feira, os dois irmãos, mesmo num carro possante, não tinham se afastado tanto do local do sequestro seguido de roubo. A Polícia cerca o carro. Uma câmera imóvel filma o tiroteio. O som dos tiros são nitidamente de armas do mesmo calibre. Mas a versão oficial informa que a polícia foi recebida com bombas, embora o vídeo de câmara parada não mostre nenhuma explosão.
O mais velho dos irmãos é preso (ou se entrega, ninguém sabe). E morre “a caminho do hospital”. Ou vocês pensavam que só bandido brasileiro morre a caminho do hospital depois de “intensa troca de tiros”?
O irmão caçula, ferido, consegue escapar. Deixa um rastro de sangue, mas a polícia não segue as pegadas frescas. Desloca-se para uma pacata cidadezinha, Watertown para vasculhar a casa onde, afirmam as autoridades, viviam os irmãos. A essa altura, o telespectador já sabe que eles são estrangeiros. Vieram da sofrida Chechênia, país localizado numa região onde a morte chega pelas mãos das tropas de ocupação do Afeganistão. Ou, pela arma mais abjeta criada pela indústria armamentista dos Estados Unidos, o drone.
Os repórteres, âncoras e comentaristas se entreolham decepcionados. Por que Chechênia? Afinal de contas, Chechênia, é um país invadido pela Rússia. Seus imigrantes têm direito ao status de “refugiados”. Ou seja, os dois estavam fugindo do antigo inimigo número um dos EUA, a poderosa União Soviética. Um fantasma que por mais de cinco décadas povoou os pesadelos dos americanos. Não fazia sentido, bradavam os analistas e especialistas em Segurança e Terrorismo.
Helicópteros, carros antibombas, agentes com colete do FBI, Polícia de Boston, sirenes incessantes. A casa é cercada. São 10h30 da manhã de 19 de abril. A caçada fora iniciada doze horas antes. O movimento é acompanhado por centenas de jornalistas e canais de TV. As ruas da cidade foram fechadas. Ninguém entra ou sai. Os vôos, cancelados. Boston e seus arredores transformam-se em cidades sitiadas. “Estou no meio da guerra” dizia ao microfone um repórter da Fox News num cenário onde não se via carros ou pessoas.
Pé ante pé, rodeados por câmeras de grandes e pequenos canais de TV, batalhões de policiais, agentes do FBI, especialistas em desarmar bombas, helicópteros de guerra sobrevoam a pacata Watertown.
A âncora da Fox News baixa o tom de voz dramaticamente para dizer, “o procurado é uma pessoa de extrema periculosidade”. Ela está rouca e muito excitada. A polícia, qual seriado de TV, põe a arma em diagonal (nunca entendi porque as armas ficam na diagonal da mão quando a polícia busca criminosos). Chegam à casa onde viveriam os dois irmãos. Não se ouve nada. Nenhum som.
Frustração. Os policiais abandonam o interior a busca. E saem declarando que havia um verdadeiro arsenal dentro da casa vazia. E muitas bombas, algumas delas de alto poder destrutivo e que “exigem treinamento para sua fabricação. Não há imagens do arsenal.
Só um protesto diante da cena. A tia dos dois irmãos é advogada. Sem papas na língua. E vive no Canadá. Quando uma jornalista lhe pergunta o que acha do fato de seus sobrinhos terem bomba em casa, ela, voz firme, com forte sotaque do Leste europeu: “Evidências. Quero evidências de que havia bombas. Quem está informando sobre as bombas é o FBI e a CIA. Mas não há evidências”. E até agora as evidências continuam no anonimato.
Ninguém contesta a informação. Ninguém se pergunta por que os dois irmãos, “pessoas de extrema periculosidade” deixaram em casa bombas potentes e usaram uma outra de baixo impacto.
“Necessidade de treinamento para a fabricação”. A frase, parece solta ao acaso. Mas não se iludam. É o primeiro passo, o primeiro elo com o “terrorismo” (leia-se “terrorismo islâmico”).
14h30min de 19 de abril. A caçada continua sem pistas da pessoa de “extrema periculosidade”. A essa altura, na cozinha da Fox News, a panela de pressão assovia. Na tela o sinal de “Alert”, ou seja, vem notícia bombástica (sem trocadilhos).
E, para um público que, passivamente se deixa impregnar pelo noticiário como se fossem gansos alimentados para que seus fígados engordem e se transformem em paté de “foie gras”, a voz que alicia multidões diz que…tchan…tchan…tchan, o mais velho dos irmãos passou “seis meses na Chechênia.
Que absurdo! Como é que um checheno tem a ousadia de passar seis meses na Chechênia, mesmo morando no país mais rico e poderoso do planeta? Isso é crime. É sinal explícito de militância terrorista.
Mas ainda não era tudo. Os ponteiros do relógio avançavam. A caçada ia a passos de um velho celacanto. Nessa época do ano, o dia invade a noite. Só se deixa vencer quando não mais consegue provar o poder do sol.
As tropas tomam outra direção. Agora procuram um barco ancorado na terra. Lá está um adolescente. Ferido. Sangrando.
São 19h30 em Boston e seus arredores. A claridade é suficiente para encontrar filhotes de esquilo em mata fechada. Os helicópteros continuam vasculhando céu, terra. As tropas do país mais armado do mundo parecem perdidas. O bombardeio da Foz News sobre os gansos repete exaustivamente as mesmas informações. Em tons de filme macabro ou novela policial, os âncoras se revezam em adjetivos. Os gansos estão quase a ponto de virar patê de foie gras, explodindo de ódio contra os seguidores do Alcorão.
A luminosidade cede lugar às primeiras escuridões. A Fox News, num tom solene anuncia que o aparato policial “avança com cautela” porque quer pegar o irmão sobrevivente “vivo”. Como se fosse uma grande concessão.
21 horas. Já é noite de 19 de abril em Boston, em Watertown, Miami, New York e Washington. Em Chicago ainda há luz. A escuridão impede imagens nítidas mesmo para câmeras poderosas. E… “cantemos ao senhor”, a pessoa de “extrema periculosidade” é capturada. Está ferida. Perdeu muito sangue por quase 24 horas. Debruçados sobre um corpo magro, os paramédicos impedem telespectadores de olhar a cara do “terrorista” que é levado para o hospital. Os helicópteros com luzes infravermelho retornam à base.
Cai a cortina. E, como em qualquer espetáculo teatral, o público aplaude os atores. Eles desfilam em seus carros com luzes que piscam vermelhas e azuis, os tanques antibombas passam sob um frenesi de uma sociedade que, desde 11 de setembro de 2001 vive a frustração por não ter conseguido caçar os terroristas que abalaram o orgulho nacional.
O espetáculo que se encerra com os habitantes de toda uma cidade carregando flores ou velas protegidas por saco de papel cantando “God save America. My home, sweet home/ God save America/ my home sweet home, numa verdadeira catarse nacional.

SEÇÃO EXCEPCIONALMENTE

Na secção “Excepcionalmente”, apresento textos de outra autoria, mas que calam fundo em meus valores.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Friday I’m in Love



É sexta-feira e eu estou apaixonada. Apaixonada por mim mesma, pelo meu dia, pelo sol lá fora, pelo brilho aqui dentro. Apaixonada por tudo que venho fazendo, pelos resultados que venho alcançando, pelos meus sonhos e o que realizo, pelos meus desejos e minhas descobertas. Ultimamente tenho estado tão apaixonada, mas não por uma pessoa nem por dinheiro nenhum no mundo; só por tudo que tem sido, por como tenho conseguido ser grata, pelos passarinhos a voar no céu e por cada dia frio ou de calor. Apaixonada pela música que me encanta, pelas tintas que escolho pintar minha realidade, pela minha vida e pelas dos outros, pela simples expressão de ser. Apaixonada em escrever ouvindo The Cure, pelas sextas-feiras, mas pelas quintas também. E segundas e terças e quartas, e por todas as noites estreladas e aquelas de chuva. Tenho visto paz onde ninguém mais vê, tenho sentido Deus em cada pequena coisa. Tenho um estranho sol dentro de mim que não para de me aquecer e brilhar, que não me deixa encobrir por nuvem alguma, que não me permite fazer exigências perante a vida – tenho tudo o que preciso. Apaixonada pelas cores, pelo quente, pelo frio, apaixonada por você. Apaixonada pelas letras, pelas artes, pelos seres maravilhosos da criação. E pela filosofia e por toda a ciência e por todo equívoco e engano, pois devido a eles continuamos a buscar a verdade. E, sobretudo pela harmonia, a plenitude, pois embora eu fale de paixão, essa sensação não tem nada da coisa louca que costuma ser aquela. É uma paz, uma chama, um amor infinito, um equilíbrio, assim, como se nada mais existisse, como se tudo estivesse bem... Cada vez mais apaixonada pelo conhecimento, por onde posso ir, pelos meus passos e onde eles vão me levar. Friday I’m in love, in love, in love... I’m in love. 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Nem 36 nem “plus size”



Não sou uma garota gorda. Tenho certeza disso. Minha barriga é tipo a da Marilyn, nessa foto linda. Mas, não é do que as revistas de moda e as lojas do shopping querem me convencer. O padrão de beleza está obcecado. Não existe meio termo entre magras e gordas: ou se é uma coisa ou outra.
Em meu caso particular já usei 36, e até uso de vez em quando. Mas, desde que tenho consciência de mim, me recuso terminantemente a virar escrava da moda. Conheço meninas que tinham corpos lindos, femininos, com curvas, porém andavam sempre às voltas com o espelho, se achando gordas. E, de uma maneira ou de outra, tomando coscarque, herbalife, malhando, com dieta do dr. Atkins ou da lua, todas elas secaram, deixando silhuetas fininhas e uma pergunta: será que queriam mesmo isso?
Plus size, algo como “tamanho grande”, é toda e qualquer mulher que use mais que manequim 40. Sim, você não leu errado: 40. Quadris largos, bumbum grande, pernas grossas: qualquer expressão legítima da feminilidade brasileira está banida. E o pior de tudo: as mulheres acreditam nisso.
O estereótipo é tão forte que a maioria só pode ser classificada em três categorias: gostosas (que é o mesmo que “falsa magra”), magrinhas ou gordas. Gorda: toda e qualquer mulher que não esteja no padrão, que não seja uma vareta ou uma gostosa em potencial, que usa a partir de manequim 40 – gorda! E o tal do padrão de medidas é outra coisa misteriosa, pois parece ter reduzido nos últimos anos. O que corresponde ao 36 hoje parece pertencer à sessão infantil – e é difícil, em qualquer número, achar uma calça que se acerte em nosso corpo em todos os aspectos: batata da perna, coxa e cintura. Se você não tem 1,75m e 40kg – ou, de preferência, ambas as coisas – sempre vai ter de ajustar a calça em algum lugar.
Na minha percepção, o padrão de beleza está doente. É difícil conhecer uma pessoa – especialmente se for mulher – desapegada da ideia de que um pedaço de torta vai engordá-la, que precisa comer salada, que a academia é sua religião, que os homens preferem as saradas. Estria, celulite, culote: ai, credo, meu Deus do céu, para de tortura! Isso é pior que a fome na África ou o desmatamento desenfreado! Nunca, jamais, está me entendendo?, ouse dizer que meus interesses fúteis e mesquinhos são menos importantes que os problemas mundiais!
Mas, falando sério: é compreensível que pessoas gordas de mais devam se preocupar em reduzir o estômago, fazer dieta ou procurar algum meio eficaz de cuidar de sua saúde, controlando todos os excessos e os venenos de sua alimentação. Esta última parte, aliás, deveria ser uma responsabilidade de todos nós. Todavia, causar distúrbios alimentares em si mesma, tendo uma imagem distorcida do próprio corpo e comprando a ideia da constante insatisfação que a indústria da moda e da publicidade vendem não deveria ser a realidade da maior parte de nossas meninas. A busca por um corpo “perfeito” virou neurose; dizer que usa calça 38, vergonha e, ter qualquer grama a mais que 50kg, motivo de falta de sono até a eliminação do dito cujo! E não adianta tentar ser totalmente relax, pois por mais que você não encuque com o fato, sempre vai ter aquela tia mexerica dizendo que está mais magrinha ou gordinha que o habitual ou aquela vendedora de loja que vai te olhar e dar diagnóstico, ou ainda, aquela amiga exibida tentando te comparar...


Acabou-se o encanto renascentista, se é que algum dia significou mais do que não passar fome: é desconhecida figura do gênero feminino satisfeita com sua autoimagem, que malha por saúde, se nutre saudavelmente por prazer e se veste pra si mesma, não “pras outras”. Quando não transformam o próprio corpo numa versão personalizada do Arnold Schwarzenegger feminino, ou ainda, num estilo frangão assado, desfilam com aparência de 12 anos, a la nadadora: nada de bunda, nada de costas, nada de peito... Não sei se sou a melhor pessoa para falar sobre isso, afinal estes detalhes são meramente conceituais e masculinos, mas o que acho mais triste é mulherada ofendendo, atacando, discordando destas linhas. Parece faltar-lhes a elementar diferenciação entre silhueta e saúde na sua correlação mais íntima e a aceitação, de que, há variedade no mundo – uma vez que não aceitam nem o que veem no espelho. A mulher está negando sua natureza, muitas vezes evitando ter filhos ou fumando para não engordar; não se permitindo pequenos prazeres esporádicos, refém de um padrão, de uma ilusão de beleza e de um número na etiqueta da calça, que nem sempre corresponde até mesmo à sua genética, senão à sua verdade mais profunda. Cada vez mais cedo elas abrem mão de si mesmas, de se perguntar quem são, do que gostam, submetendo-se essencialmente ao que ditam as regras dos padrões estéticos, industriais, têxteis; ao que ditam a top model do comercial e o último emagrecedor tarja preta.
Infelizmente, falta a observação de que não deveria ser nem oito nem oitenta. Nem céu, céu ou terra, terra, é preciso haver equilíbrio. Antes de tudo, mental, para se perceber o que é certo pra mim, no meu momento e o que posso seguir de acordo com as tendências e no que devo ser eu mesma, só de acordo comigo. Pois é isso que não se vê: nem 36 nem plus size, mas personalidade e consistência de se ser apenas a garota que se é, sem ligar 24 horas por dia pro ponteiro da balança. Ser senhora de si, da cabeça aos pés, do estômago à barriga. Sem essa necessidade de forçar a natureza. Sem essa necessidade de sacrificar a vida. Afinal, só você pode saber a medida certa. De tudo. Da sua cintura e do seu equilíbrio. Do seu desejo e do seu limite. Tenho dito.   

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Nenhuma dependência pode ser boa



Dependemos do agasalho para abrasar o frio. Dependemos do alimento para saciar a fome. Dependemos da fome para combater a sede. Isso está fora de questão. Porém, não dependemos de nada nem de ninguém para ser feliz. E está fora de questão também.

Há quem acredite no contrário: que dependemos de pessoas, situações e elementos para alcançar a felicidade. Que é impossível atingir paz e bem estar sozinhos, que não podemos ir a lugar algum – realmente válido – sem considerar aqueles ao nosso redor e que nos apoiam, impulsionando para o alto. Em parte, isso é verdade. A superação é algo muito mais fácil e agradável ao lado daqueles que amamos. Mas, isso não significa depender deles. Significa compartilhar, conviver, estar.
Filósofos e cientistas se debruçaram por séculos para tentar descobrir como alcançar a felicidade e o que seria ela. Religiões prometem-na para depois desta vida, a publicidade a cumpre todos os dias em amostras de consumo desenfreado. Todavia, nunca se chegou a um consenso sobre o que seria essa tal felicidade nem como se chegar a ela, a não ser por momentos fugidios que o empirismo ora e outra permite a cada um de nós. E que, por vezes, não passam de fulgores, sempre incertos, acerca da permanência de tal estado de espírito. Quando afirmo que não dependemos de nada nem de ninguém, o que tento dizer nessas pretensas linhas é exatamente dessa oriunda aplicabilidade: a felicidade como um estado de espírito. Considerando que vem de dentro pra fora, nenhuma compulsão por drogas, sexo, comida, compras ou outro prazer pode o suprir de forma verdadeira, porque estes são externos. Supostamente, a felicidade é autossuficiente, não é dependente nem cria expectativas. Nenhuma dependência pode ser boa, pois quando precisamos de algo estamos admitindo que somos incapazes de nos fazer por nós próprios; estamos condicionando essa característica a um fator independente de nós.


Acreditar na dependência é submeter-se, não reconhecer a própria força, ser míope. Recuse-se! Se um dia tiver de se afastar de alguém, você vai. Se amizades, romances, sociedades tiverem de terminar, eles vão. Não existem pactos. Não existe dependência (real). Cada organismo é sujeito a executar suas próprias funções, processá-las e distribuí-las com perfeição. Ninguém pode respirar por nós ou comer ou amar ou fazer qualquer coisa que nos compita. Se nossa compleição já pressupõe a independência, por que aceitar os grilhões de nossa mente?
Se for para a felicidade de ambos, separações virão. Aqueles que amam sabiamente, auxiliam o amado a independer-se, para que possa seguir sem correntes, mesmo estando com alguém. Independer-se do externo, do ausente, do presente. Do ego, do outro, do ambiente. Da condição, do tempo, da pergunta e da resposta. Do senso, do julgamento, do dito e do omisso. Do que se pode ver ou não, tocar ou não, do conhecido e do que não se conhece.
Independer-se é ser livre. Mas, nós não somos livres. Resultamos de todas essas variáveis (acima descritas), e ainda outras. Dependemos do que nos ensinaram, do que não nos ensinaram, do que condicionamos que somos, que não somos, onde estamos. Dependemos dos conceitos instituídos, dos conformes sociais e valores religiosos, dos costumes, da História e das crenças todas. Nascemos seres dependentes, mas isso não significa que não possamos deixar de depender. Mesmo dependendo. O emprego de esforços para fazer essa distinção depende de nós. 

domingo, 14 de abril de 2013

A decisão mais sábia



...é não reagir.

Precisamos que o que fazemos e dizemos tenha sentido, e isso só acontece quando derivam de nossas ações. É mais forte quem sabe manter o controle. Não se deixa levar por provocações, nem abater por suposições; não agride nem se vinga. NÃO REAGE. Age, apenas. A diferença é salutar.

Você é alguém que age ou que reage?   

sábado, 13 de abril de 2013

Pessoas difíceis de lidar



Há uma característica que vai, aos poucos, minando a tentativa de diálogo com as pessoas, mas não sei se tem nome. Se tiver, eu poderia chutar que se chama pessoalidade. Algo parecido com o ego, mas não necessariamente ele. A pessoa está tão convicta de si mesma, tão fechada em seus conceitos, que qualquer sugestão ou comentário diferente disso soa como crítica. Ela simplesmente se ofende ao invés de tentar ouvir. São aquelas pessoas suscetíveis de mais, que talvez levaram tempo de mais para firmar sua identidade, e cujas personalidades e estima sofreram fortes abalos, ainda se deixando atingir. A confiança em si mesma é uma farsa. E se torna difícil de lidar com essa pessoa, pois ela exige que se seja sempre muito criterioso com o que se vai dizer, mesmo que o dito não se dirija em nenhum momento a ela. Uma interpretação errônea do que você diz, um sentido subjetivo imaginado, e pronto: a bomba de sua reação explode. Elas precisam de aprovação constante. São muito sensíveis, muito influenciáveis, muito dependentes. Têm dificuldade em crescer, ter autonomia e responsabilidade por si mesmas. Uma palavra do outro pode fazê-la dar pulos de alegria ou ruir toda a ilusão de um castelo firmado em terra firme. O que elas não sabem é que nada que o outro diga ou pense pode fazer mudar quem elas são. Portanto, a saída não deveria ser reagir, porque a externação do pensamento alheio não é um ataque, pode até ajudar.
Precisamos ser seguros, ser fortes e, se não soubermos como fazer isso, talvez ouvir as críticas seja um bom começo. Pode apontar o que parecemos ao outro. Mas, sem implicar que sejamos, de fato. Pode nos ajudar a desenvolver a impessoalidade – a arte de não se envolver emocionalmente com cada opinião, cada ilusão ou vaidade acerca de nós mesmos e o que cerca o nosso mundo. Uma vez que o certo e o errado são relativos, nem sempre o que acreditamos pode ser tomado como o melhor para todos em todas as situações.
Tolerância, saber ouvir, saber ceder, ser impessoal – eis alguns dos grandes pilares que constroem bases sólidas a um ser humano. São pequenas coisas que tornam nossa convivência possível, uma bênção, desejável. Quando damos os primeiros passos para o desenvolvimento dessas qualidades, ligamos menos para o que nem deveria nos afetar, vemos as verdades do outro nas palavras dele (e não necessariamente as nossas), ficamos como que clarividentes a respeito das intenções do que é dito e o quanto isso pode nos auxiliar ou não. E simplesmente ignoramos o que não serve – básico e essencial.
Cada vez que você acusa alguém de egoísta, três pessoas acusam você. Assim é. Quando amadurecemos, de um jeito ou de outro, nos tornamos pessoas “gostosas” de lidar. Flexíveis, abertas, compreensivas, tolerantes. E, melhor que isso: atraímos pessoas assim também. Porque, como já dizia Lacan, cada pessoa é um espelho. E a gente só pode refletir aquilo que é. O que tem refletido você? Pense nisso.