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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

20 anos sem River Phoenix




Eu escuto com muita frequência a pergunta: “Por que você assina Phoenix?” Isso, claro, de quem sabe que esse não é meu verdadeiro sobrenome. Nos últimos 10 anos, ele é tão habitual, que já é difícil não concebê-lo como uma parte de mim. Entretanto, muitas pessoas julgariam erroneamente essa atitude como um fato insólito de uma fã boba. Como aquelas que assinam “Juliana Bieber” ou “Daiana Pitt”. O meu motivo para assinar Phoenix no meu nome é diferente. E eu vou tentar explicar em poucas palavras.
Em primeiro lugar, isso é um assunto encerrado para mim. Eu jamais falo de River a quem quer que seja, a não ser que me perguntem ou tenha alguma razão evidente para isso. Eu não fico falando dele deslumbradamente, com poucas exceções, porque eu não gosto dessa ideia de “idolatrar” ou de parecer apaixonada, ou qualquer coisa. Eu simplesmente o tenho como alguém muito especial, que admiro; que não conheci, mas estranhamente sinto que conheço...
Quando eu tinha uns 9 anos, estava folheando uma revista de 1991 (eu lembro do ano, mas não lembro do nome) e havia a foto de um cavalo quarto de milha nela. Eu o recortei, porque sentia que gostava de cavalos, e continuei folheando a revista, até que uma foto me deteve. Era de um rapaz louro, de cabelos quase aos ombros e com um sorriso encantador. A foto me chamou muito a atenção, mas era uma matéria pequena. Não sei se a li. Recortei aquela foto também e colei em um caderno de colagens que tinha, bem como a imagem do cavalo. Eu gostava de escrever e cheguei a criar uma personagem que, em minha mente, se parecia com aquele rapaz. Mas ele ficou como uma imagem em um caderno antigo, alguém sem nome e que eu não sabia por que, me parecia tão familiar. Não vivi Phoenix, eu não o conheci – era criança demais quando ele deixou esse mundo e, também não sabia, que sua partida o deixou mais pobre e triste.
Em 2003, logo no começo do advento da informática, já me embrenhava na biblioteca pública da minha cidade para acessar a internet. No começo da adolescência, como outras meninas da idade, meu passatempo era pesquisar “homens bonitos” e foi em um desses dias que eu vi River Phoenix pela primeira vez. Eu já tinha assistido Stand by me e o declarava aos quatro cantos como sendo meu filme predileto, mas o enigma de Chris Chambers, embora me cativasse, não me trazia mais que uma estranha nostalgia através daqueles olhos verdes, que Milton Nascimento descreveu tão bem. E ver River Phoenix como River Phoenix pela primeira vez me foi muito anti natural... Sua imagem me chamou (outra vez), eu quis saber tudo sobre ele e, naquele dia, soube que ele já tinha morrido... Se não me engano era 17 de novembro de 2003. Eu lembro como se fosse ontem a estranha tristeza que se apossou do meu coração... E quando eu li do que ele morrera... eu não podia crer... eu estranhamente sentia que ele era mais do que a foto me mostrava. Mas dizia-se que tinha morrido de overdose. Logo, todos os preconceitos e o que eu ouvia falar de pessoas que morrem por motivo de drogas bailaram em minha mente, só que eu não podia senti-lo como alguém vazio, que viveu inutilmente...
Nesse mesmo dia, nesse site, fui criar uma conta de e-mail e a página oferecia um endereço com extensão @phoenix.com.br. E minha primeira conta foi kelly17@phoenix.com.br. Foi “pura casualidade”... Mantive o e-mail por bastante tempo, mas num belo dia, experimentei assinar uma de minhas obras como Kelly Phoenix e vi que o nome casava perfeitamente... tanto que hoje, muita gente me conhece mais por Phoenix que pelo meu sobrenome de verdade.
Estranho mesmo foi depois de tudo isso, ao longo desses 10 anos, “descobrir” quem fora Phoenix, além dos filmes. Não aquele criado pela mídia sensacionalista, nem aquele venerado por fãs que se iludem com rostinhos bonitos, mas o River Phoenix de verdade, com tudo que tinha de mais puro e mais bonito. Estranho foi, num belo dia, estar selecionando velhas coisas para jogar fora e se deparar com a foto dele colada lá, em um caderno antigo, como se sempre estivesse colado em minhas lembranças. Estranho foi perceber que eu dizia que Stand by me era meu filme favorito, mas não podia explicar isso, já que Gordie Lachance era o personagem principal e ele não me cativava... Estranha a lembrança daquele sorriso na foto, um sorriso reproduzido em meu primeiro namoradinho de infância – doce Diego, com seus olhos amendoados e seus cabelos dourados quase aos ombros... E hoje em dia eu sei que há algo a mais... Seja a identificação com alguns elementos em sua alma, seja o legado que ele deixou; seja sua postura frágil e forte ao mesmo tempo, tão lúcido e meigo, em defesa da vida e do que é belo, seu amor pela arte ou sua verdade em cada filme. Seja o mito de uma morte precoce ou a doçura que sua imagem inspira, alguma coisa em Phoenix despertou em mim e, certamente, vive em cada um que o conheceu ou sente como se o tivesse conhecido... Porque River trazia algo muito puro com ele, algo que não é daqui; algo que acessamos poucas vezes na vida, como em nossos sonhos ou na nossa idealização. Havia algo nele, havia um brilho em seus olhos, havia um idealismo em suas ações e uma sincera fé em tudo que fazia, que não posso crer que sua vida e sua morte tenham sido em vão. Ele se foi, mas algo de Phoenix ficou e ficará sempre. Não são só suas imagens nos filmes, não são só suas palavras tocantes em meia dúzia de entrevistas ou canções. É algo de seu espírito, algo maior que transpassa o tempo.
Sei que poucas pessoas compreenderão esse texto e ele não é especialmente dirigido a alguém. Mas sei também que, mesmo quem não conheceu Phoenix, pode ter conhecido outras pessoas que trouxeram o mesmo sentimento de beleza e plenitude e que partiram desse mundo cedo demais. E, a despeito de seu ar rebelde e seu all star furado, River tinha mais a dar ao mundo que sua brilhante atuação no cinema e as músicas que adorava tirar em sua guitarra. Se ele se envolveu no mundo pesado das drogas foi por não suportar a densidade de um mundo em ruínas e a insensibilidade de todos e tantos, onde dinheiro vale mais que a vida de nossos irmãos menores e qualquer coisa de bela e leve que possa existir.
É difícil viver em um mundo onde tudo tem um preço e nada mais tem valor. Eu fico pensando o que seria de Phoenix hoje, quando as coisas parecem mais e mais se defasarem e se perderem nas cifras comercializáveis. Mas, tanto ele, como outros mensageiros que, volta e meia, agraciadamente o mundo nos dá de presente, trazem apenas um recado: precisamos refletir mais sobre o que estamos fazendo nesse planeta. Qual a nossa parte, a nossa arte e o que podemos fazer para melhorar esse lugar e a nós mesmos. Porque se Phoenix nos fez sorrir e nos fez chorar, foi por nos devolver um pouquinho da gente mesma. Aquele lado nosso que quer superar o mundo, fazer a diferença e que sabe que a fé pode mover montanhas. Nosso lado que fala de amor, compõe canções e toca o coração do nosso próximo... Que dá um grito dentro da gente quando vemos um caminhão indo para o abatedouro e chegamos em casa e jantamos... carne. Que nos faz olhar para o lado... Pois foi só isso que River fez. Ele olhou para o lado e enxergou além. E quantos de nós vemos todos os dias o que tem de ser mudado e simplesmente cerramos os olhos como se nada estivesse ao nosso alcance...? Quantos de nós nos voltamos somente às nossas medíocres tarefas achando que nada podemos fazer...? Mesmo provocados, cutucados... convocados a ver que enquanto mantivermos essa postura, realmente nada irá mudar. Pois River não estava brincando de herói, não falou em mudar o mundo só porque era belo, rico ou famoso. Se não houvesse aquela centelha luminosa em suas ações e a sua crença sincera de que realmente podia mudar algo, ele seria só mais um desses atorzinhos apagados de olhos claros que até hoje temos aos montes...Mas, para ele, até mesmo seus papeis tinham que transmitir algo a mais. Esse algo que ele simplesmente carregava, que não precisava ter um nome ou uma explicação. Simplesmente River Phoenix, tão profundo como um rio. Porque todos estamos aqui de passagem... Mas, como um rio, podemos mudar tudo à essa passagem...


terça-feira, 29 de outubro de 2013

A recepção da fotografia




Filosofia da Caixa Preta – Ensaios para uma futura filosofia da Fotografia – Vilém Flusser

De modo geral, todo mundo possui um aparelho fotográfico e fotografa, assim como, praticamente, todo mundo está alfabetizado e produz textos. Quem sabe escrever, sabe ler; logo, quem sabe fotografar sabe decifrar fotografias. Engano. Para captarmos a razão pela qual quem fotografa pode ser analfabeto fotográfico, é preciso considerar a democratização do ato fotográfico. Tal consideração poderá contribuir, de passagem, à nossa compreensão da democracia em seu sentido mais amplo.
Aparelho fotográfico é comprado por quem foi programado para tanto. Aparelhos de publicidade programam tal compra. O aparelho fotográfico assim comprado será de “último modelo”: menor, mais barato, mais automático e eficiente que o anterior. O aparelho deve o aperfeiçoamento constante de modelos ao feedback dos que fotografam. O aparelho da indústria fotográfica vai assim aprendendo, pelo comportamento dos que fotografam, como programar sempre melhor os aparelhos fotográficos que produzirá. Neste sentido, os compradores de aparelhos fotográficos são funcionários do aparelho da indústria fotográfica.
Uma vez adquirido, o aparelho fotográfico vai se revelar um brinquedo curioso. Embora repouse sobre teorias científicas complexas e sobre técnicas sofisticadas, é muito fácil manipulá-lo. O aparelho propõe jogo estruturalmente complexo, mas funcionalmente simples. Jogo oposto ao xadrez, que é estruturalmente simples, mas funcionalmente complexo: é fácil aprender suas regras, mas difícil jogá-lo bem. Quem possui aparelho fotográfico de “último modelo”, pode fotografar “bem” sem saber o que se passa no interior do aparelho. Caixa preta.
O aparelho é brinquedo sedento por fazer sempre mais fotografias. Exige de seu possuidor (quem por ele está possesso) que aperte constantemente o gatilho. Aparelho-arma. Fotografar pode virar mania, o que evoca uso de drogas. Na curva desse jogo maníaco, pode surgir um ponto a partir do qual o homem-desprovido-de-aparelho se sente cego. Não sabe mais olhar, a não ser através do aparelho. De maneira que não está em face do aparelho (como o artesão diante do instrumento), nem está rodando em torno do aparelho (como o proletário roda a máquina). Está dentro do aparelho, engolido por sua gula. Passa a ser prolongamento automático do seu gatilho. Fotografa automaticamente.
A mania fotográfica resulta em torrente de fotografias. Uma torrente-memória que a fixa. Eterniza a automaticidade inconsciente de quem fotografa. Quem contemplar álbum de fotógrafo amador, estará vendo a memória de um aparelho, não a de um homem. Uma viagem para a Itália, documentada fotograficamente, não registra as vivências, os conhecimentos, os valores do viajante. Registra os lugares onde o aparelho o seduziu para apertar o gatilho. Álbuns são memórias “privadas” apenas no sentido de serem memórias de aparelho. Quanto mais eficientes se tornam os modelos dos aparelhos, tanto melhor atestarão os álbuns, a vitória do aparelho sobre o homem. “Privacidade”, no sentido pós-industrial do termo.
Quem escreve precisa dominar as regras da gramática e ortografia. Fotógrafo amador apenas obedece a modos de usar, cada vez mais simples, inscritos ao lado externo do aparelho. Democracia é isto. De maneira que quem fotografa como amador não pode decifrar fotografias. Sua práxis o impede de fazê-lo, pois o fotógrafo amador crê ser o fotografar gesto automático graças ao qual o mundo vai aparecendo. Impõe-se conclusão paradoxal: quanto mais houver gente fotografando, tanto mais difícil se tornará o deciframento de fotografias, já que todos acreditam saber fazê-las. [...]

Resumindo, eis como fotografias são recebidas: enquanto objetos, não têm valor, pois todos sabem fazê-las e delas fazem o que bem entendem. Na realidade, são elas que manipulam o receptor para comportamento ritual, em proveito dos aparelhos. Reprimem a sua consciência histórica e desviam a sua faculdade crítica para que a estupidez absurda do funcionamento não seja conscientizada. Assim, as fotografias vão formando círculo mágico em torno da sociedade, o universo das fotografias. Contemplar tal universo visando a quebrar o círculo seria emancipar a sociedade do absurdo.

SEÇÃO EXCEPCIONALMENTE

Na secção “Excepcionalmente”, apresento textos de outra autoria, mas que calam fundo em meus valores.

sábado, 19 de outubro de 2013

A resistência em se abrir ao novo


Eu observo com certa tristeza e curiosidade a dificuldade que as pessoas têm em se abrir ao novo. Frequentemente, em saídas sociais, vejo aquela teimosia, quase uma ofensa, nas expressões de quem precisa, imperiosamente, fazer algo diferente do habitual.
Uma se queixa que não é acostumada a ir por aquele caminho. Está desconfortável, insatisfeita, certa que o caminho conhecido é a melhor opção. E é o que ela fará quando estiver sozinha novamente. As mesmas ruas, os mesmos rostos, o mesmo horizonte, os mesmos prédios. Tudo rotineiro e previsível.
Outra não quer comer o que desconhece ou julga não gostar. Na verdade, definiu que ovo é ruim aos 4 anos de idade e nunca mais reexperimentou. Aquele prato não pode, pois não gosta de picles e tomate cereja. O outro nem pensar, pois não quer saber de molhos, simples ou sofisticados. Bom mesmo é o conhecido. O mesmo tempero na comida, o mesmo sabor de suco, a mesma cor de batom, a mesma disposição dos móveis. O que já decretou para si que não gosta, não gosta e pronto. Para que insistir?
O novo não é bem-vindo, é uma invasão. O novo é sórdido, pernicioso, o novo ameaça. Ameaça uma (in)discutível verdade acerca de si mesmo que não quer ser comprometida. Ameaça chegar para ficar, a formação de um conceito ou a mudança de ideia, a admissão de que nada era tão certo assim. E é preciso resistir. As pessoas se adaptam à rotina, ao mesmo, ao sóbrio, ao sempre. Buscam segurança, comodidade, estabilidade. Esquecem que nada disso existe.
Para mim, é sempre penoso testemunhar esse assombro com as rupturas. Não encaro a mudança como falta de solidez, mas como flexibilidade. Eu posso nunca ter gostado de polenta, hoje resolvi (re)experimentar. Me dou a oportunidade de mudar de ideia ou ficar com a velha concepção por mais um tempo. Posso nunca ter ouvido falar do autor, mas a história me chamou a atenção e oportunizo-me a ler as primeiras páginas, extraindo delas um aceite ou não, para tocar a leitura.
Não é meu estilo, não é do meu gosto, não provo de jeito nenhum, vou sempre por aqui, faço sempre assim. Há algo muito nebuloso em cada uma dessas premissas. Por trás delas, há aqueles que não podem ver que, se há tantos caminhos, jeitos e paladares, por que manter sempre os mesmos?
Não concebo essa falta de abertura ao novo. Essa previsibilidade, essa gente enjoada, incapaz de se abrir pra vida. Porque, se o que temos já estivesse bom, não estaríamos sempre insaciados. Porque, se todos se contentassem com a mesmice, invenções e descobertas não seriam mais realizadas.

É preciso abrir-se ao novo. Não resistir, não teimar, tentar diferente, permitir. Só assim começamos a mudar. E quem resiste à mudança, não evolui.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

“Presente-tralha” e sobre a arte de dar presentes


Todo mundo gosta de ganhar presentes. Como chocolate, essa é uma das poucas (quase) unanimidades da vida. E como, para dar presentes, muitas vezes são necessários estímulos extras (não é sempre que estamos apaixonados!), foram inventadas aquelas datas simbólicas que se repetem ano a ano (inclusive nosso aniversário) e, ainda assim, nem sempre nos garantem ser presenteados – tem gente que ignora o bom efeito que um presente pode dar nas relações. Porém, há um sub-assunto velado no que diz respeito a presentes e que muita gente prefere não comentar: bons e maus presentes. É inegável: quem nunca recebeu um “presente-tralha”: algo que não é do seu gosto, que você não queria, não precisava e que não sabe o que vai fazer com o dito cujo? Além da forte impressão de que a pessoa comprou só para se livrar da obrigação de te presentear. E presentes-tralha são tão facilmente reconhecidos: podem até não ser baratos, mas são dispensáveis... Tipo anjinhos de porcelana ou enfeites para a casa...
Não é todo mundo que tem bom senso e disposição em abrir a carteira e o coração em busca de um bom presente. Pois, sim, pares de meia, por mais que custem vinte reais, são brochantes. Panos de prato, bugigangas de 1,99, gravatas e velas perfumadas (quase sempre) também. Se houvesse uma etiqueta sobre como presentear, o que dar de presente ou, ainda, acertar na escolha, acho que conteria nela:

- Em primeiro lugar, exceto em chás de panela, o presente é para a pessoa. Essa mania de dar coisas pra casa deve ser muito triste para as mães, a não ser que elas tenham pedido.
- Chocolates geralmente agradam. E agradam bem mais se forem chocolates finos, trufas ou cestas.
- Vinhos baratos são deselegantes. Se vai dar um vinho barato, dê logo um garrafão, que aí a pessoa pelo menos faz um bom sagu.
- Para presentear com roupa, só se houver certeza que a peça irá agradar. Pois as roupas são parte da nossa identidade e um acessório dessa espécie é sempre de gosto muito particular.
- Perfumes são uma boa pedida, desde que você já tenha ouvido falar neles.
- Livros para quem gosta de ler são sempre bem-vindos. Mas é preciso conhecer o gosto do leitor. O mesmo se aplica a DVDs.
- Presentes de formatura, 15 anos, casamento e outros eventos mais formais devem ter ainda mais bom senso. Se for fazer fiasco, não presenteie. Lembre-se: é melhor ficar sem presente que receber presente tralha.

- NUNCA, JAMAIS dê:
1. Artigos Religiosos – A não ser que a pessoa peça ou você saiba que ela queira, não dê presentes desse tipo. E a dica fica multiplicada por 10 se o artigo for da SUA religião, não da dela. A relação de cada um com Deus é muito pessoal e não tem coisa pior do que alguém tentando te convencer das verdades ou necessidades espirituais dela.
2. Artigos de time de futebol – Principalmente com artigos do SEU time. Parece piada, mas já recebi um presente do time da outra pessoa. E eu não quero artigos nem do meu time, por que eu iria querer do time dos outros?
3. Meias, roupas íntimas (a não ser que sejam um casal) e gravatas – Ninguém gosta de ganhar isso. Portanto, acredite quando a pessoa disser: “Não precisava...”.

- Por fim, capricho na embalagem. Uma embalagem bonita é cartão de visita, mesmo que o presente seja simples.

E o que fazer quando é você que recebe algo inútil, que não gostou ou que sabe que só vai trancar canto, mas não quer magoar a pessoa?
Bem, meu conselho é... Desfaça-se. Com certeza há alguém que ficará muito feliz com o que você não gostou. Uma ideia: se o produto está novinho, na caixa, faça um embrulho bem bonito e coloque sob a árvore de Natal. Faça com que cada pessoa que visitar sua casa nos dias de festa saia presenteada, pois o que não lhe agradou pode agradar outras pessoas. Ou saia distribuindo os presentes na rua. Louco? Ué, e quem é normal?

De todo modo, doe, dê, venda. Mas, não mantenha em sua casa algo que não gosta e não usa só porque alguém te deu. Se perguntarem, diga que perdeu, que quebrou. Mantenha as energias circulando. Para prosperar, precisamos sempre estar dispostos ao desapego!
Por fim, observo que quem dá bons presentes parece ter um bom gosto inato (a mim, são sempre as mesmas pessoas). Qualidades em comum que essas pessoas têm são generosidade, bondade e bom gosto: elas não se importam em gastar um pouco mais e dar uma coisa boa. As que dão “maus” presentes também são sempre as mesmas, o que me leva crer que talvez haja algo intrínseco entre presente e personalidade. Os presentes dizem mais de quem dá do que de quem recebe.

Todos gostamos de receber bons presentes. Bonitos, úteis, que denotem o carinho que o outro tem por nós. Então, por que não pensar assim na hora de presentear? Não se trata só de elegância, ponderação e finesse. Quem dá melhores presentes é melhor lembrado, quem dá melhores presentes se distingue na multidão de tralhas que recebemos todos os anos. Afinal, bons presentes não precisam ser caros no valor, mas caros no afeto.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

F5 nas amizades


Esse movimento deveria ser mais frequente, mas nem sempre estamos maduros para reconhecer quem não é verdadeiramente nosso amigo. Ou, quem não é mais há algum tempo. Não se trata de atender expectativas, mas de elementos básicos em uma amizade que, naturalmente se perdem ou se fortalecem ao longo dos anos, denunciando quem também pensa nos nossos interesses ou quem, como o Coronel Jesuíno, só quer nos usar.
No final do ano, começam os destralhamentos (ou deveriam): separamos no armário as roupas que não queremos mais ou as que não servem. Nos desfazemos de calçados, brinquedos, papeis. Muitas vezes, são descartados móveis, alimentos e até hábitos... Procura-se tornar a casa um lugar mais aprazível e limpo à chegada do fim do ano, como se um ambiente organizado também ajudasse a destralhar nossa mente (e ajuda!). Então, por que não jogar fora conhecidos e pseudo-amigos? Tirá-los do armário e nos desfazer deles, doá-los, eliminá-los? Aliás, como distingui-los?
Nesse fim de 2013, resolvi dar F5 nas “amizades”. É uma medida para que 2014 me traga novas pessoas, com um brilho novo no olhar. E não se trata de usar ou ver pessoas como descartáveis. É preciso reconhecer que existem ciclos e que eles se fecham, precisando partir pra outra. Então, F5 para:
·      *  Aquelas amigas que, desde que namoram, é preciso marcar hora com a secretária delas para encontrá-las. Que não fazem nada sem o namorado e nunca estão dispostas a passar algumas horas divertidas com as amigas (e que depois são as mesmas que vem te procurar choramingando ao terminar o namoro). F5.
·         * Aqueles amigos que têm medo da namorada e ficam diferentes com a gente por causa delas. F5.
·         * Aqueles amigos com quem me desentendi, pedi desculpas, mas nunca mais fui procurada (e perdoada). O orgulho dessas pessoas é maior que o interesse na minha amizade, logo... F5.
·         * Aqueles amigos de uma estação.
·         * Aqueles amigos que só procuram por interesse. Interesses estes os mais distintos: “Revisa meu trabalho”; “Vai lá comigo”; “Estou mal... morreeendo. Preciso desabafar”. Mas, quando todas essas frases são minhas, se sai sem vergonha nenhuma com algo do tipo “Que pena, eu não posso...”. F5.
·           *  Aqueles amigos para quem sou acessório. F5.
·         * Aqueles com quem não consigo ter uma conversa inteligente. Não somam, não têm conteúdo, sequer parecem ter vontade de ser um pouco melhores. F5.
·         * Aqueles que subiram um pouquinho na vida e, desde então, se acham a última bolacha do pacote: são os que granjearam cargos na firma; compraram um corsa branco; um apartamento pelo minha casa, minha vida; arrumaram um macho e juntaram; viajaram para Minas Gerais com a passagem parcelada pro ano todo ou trocaram o corsa branco por um camaro amarelo. E desde que fizeram tais coisas, esqueceram dos amigos, só vivendo de ostentação. F5.
·         * Aqueles distantes, com quem mantive contato, mas nunca senti afinidade real. F5.
·         * E outros tipos que a percepção aguda vai mostrando. F5.
F5 F5   ops! Travou.

A amizade é maravilhosa quando podemos nos encontrar depois de dois anos e ver que nada mudou. Ou quando as pessoas sabem igualmente falar e ouvir, quando ligam para saber como a gente está ou simplesmente não “mudam” de repente. Pois, quem muda com os amigos, por qual motivo for, não é amigo de verdade. Quem não esclarece mal entendidos, quem não vibra com suas conquistas, quem compete intimamente ou não conta como emagreceu não é seu amigo. E pra quê arrastar essas pessoas vida afora, quando há tanta gente incrível por aí esperando a nossa amizade? F5.

Porque a vida é feita de momentos e os momentos são feitos com pessoas. Mas, momentos e pessoas têm de valer a pena... Caso contrário, sucesso aí e... F5.