About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Um lugar de passagem...


Esse parece um daqueles lugares que a gente passa rapidamente e vê da janela de um ônibus de viagem, numa cidade estranha, um bairro desconhecido – um lugar de passagem, onde se tem a vontade de descer ali, mas não a oportunidade.
Só de olhar pelo vidro você percebe a paz e, se tem alguma pessoa nele, você a inveja e admira em segredo, sem nunca saber o que estará pensando em seu silêncio reflexivo.
Esse parece um daqueles lugares para onde se quer voltar quando dele se precisa sair.

Um lugar para se instalar e ficar e onde as horas se abandonam...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Paciência, Tempo e Dinheiro


Parece utopia, mas é tão simples. Todo e qualquer sonho que se tem pode ser conquistado com essa fórmula: paciência, tempo e dinheiro. Exatamente nessa ordem.
Esse discurso, evidentemente, é para os sonhos materiais, aqueles tangíveis. E não é para milionários. Aqueles que podem colocar tempo e dinheiro na frente da paciência, às vezes, podem realizar todo e qualquer sonho, mas podem também passar pela vida sem aprender essa preciosa lição.
Esse discurso é, então, para quem acredita em alguma coisa, mas por horas a acha muito distante. Os sonhos são assim mesmo quando ainda incubados. Mais desejos que sonhos, eles têm aquele magnetismo do que precisa ser para ontem. Pressa. Parece que só vai ser bom se for agora. Se ignora todo o plantio, a adubagem. Só a colheita é reconhecida. Bobagem... Tudo vem na hora certa!
Paciência, Tempo e Dinheiro. Então, existe um segredo. Paciência, aliás, é importante sempre. Pois, nem sempre só o dinheiro basta.
Tempo é importante também. Ele amadurece, faz crescer. Ele faz o fruto ficar doce, polpudo, na medida. Tudo o que se colhe antes do tempo tem um sabor diferente do que teria, caso colhido no momento apropriado.
E o dinheiro... Ah, o dinheiro! O dinheiro é uma parte essencial nos sonhos tangíveis. Mas, não, a mais essencial. Ele é a última parte. Ele é aquilo que se pode conseguir com paciência e tempo – mas o contrário não sucede.
Com paciência, tempo e dinheiro o desejo pode virar sonho. E, se for só mais um capricho, fica perdido nas dobras temporais.
Com paciência, tempo e dinheiro os sonhos podem virar realidade. E quanto mais paciência e mais tempo, mais gostosa essa realidade vai ser. Por isso, friso: tudo tem uma hora certa para acontecer. Não adianta colocar a carruagem na frente dos bois: não vai andar. Não adianta apressar, tirar da panela cru: vai desandar.

Tudo tem um tempo certo. E é com paciência que saberemos reconhecê-lo, independente da condição temporal e do dinheiro que isso exija. Tudo é possível, é só você acreditar. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Outras ruas. Outras esquinas.




Quem nunca teve vontade de acordar em outro quarto? De escancarar a janela e ver nova paisagem? Abrir a porta da casa e dar de cara com outra cidade, outras pessoas, outras flores?

Outras ruas. Outras esquinas.

sábado, 29 de novembro de 2014

Datas que já não importam


Os anos vão passando e nos trazendo sempre constatações. Coisas que importavam demais há cinco anos atrás, hoje não fazem a mínima diferença. Pessoas que eram o nosso mundo, em dado momento, hoje não têm a menor importância. Datas que eram comemoradas com sofreguidão antes, agora, passam em branco.
Não é que o que aconteceu tenha perdido o significado, propriamente. A verdade é que, com o passar do tempo, as coisas se rearranjam, e aquela lembrança bonita fica esquecida no passado.
As memórias já não trazem a mesma substância – vêm com um olhar mais maduro, menos sentimental, mais abrangente sobre o que aconteceu.

Não é que se voltasse no tempo, seria diferente. Não seria. A gente sempre dá tudo o que pode e, por isso mesmo, os resultados são sempre os melhores que podem ser. É só que, nesse tempo, agora, aquilo deixou de importar. Aquele dia, aquela pessoa, aquele sonho, aquelas conversas. Foi embora e abriu espaço pra mais gente, mais sonhos, mais conversas chegarem. São fatos que simplesmente passaram e se assentaram no tempo. São datas que já não importam mais.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Quando foi...?


Quando foi que eu me tornei tão crítica? Olhar tão impassível sobre tudo, jeito tão exagerado de contemplar...?
Quando foi que me tornei insensível...? De passar por um pedinte em trapos e sequer lhe endereçar um olhar?
Quando foi que passei a ser coadjuvante... perdida em ilusões e devaneios, em disputas com dragões e fogueiras...?
Quando foi que parei de me ver como realmente sou...? Que passei a me olhar com os olhos dos outros...? O que aconteceu com os meus, por que tudo mudou tão drasticamente?
Quando foi que meu orgulho passou a importar mais...? Que o sorriso infantil deixou de me enlevar...? Quando foi que eu permiti que as agruras do mundo me tomassem desse jeito...?
Quando foi que eu me tornei tão triste... tão pequenina num mundo tão grande...?
Quando foi que perdi o sentido... mesmo com sonhos e realizações gigantes...?
Quando foi que, mesmo tão jovem, passei a me sentir velha e fraca?
Quando foi que me perdi de mim... Que passei a viver só sob as lentes do meu cansaço...?
Ah, quando foi, eu já não sei... Mas, tem muita coisa que eu não gosto em mim. No meu jeito, na minha visão, no meu aspecto, no meu ceticismo... E não é um ceticismo por ter perdido a fé. É que ela parece nunca ter existido em relação à humanidade. Mas, tenho a impressão que uma vez cheguei a pensar que essa raça pudesse ser boa. Agora, ando amarga. Parei de ver o lado bom das pessoas. Será que eu perdi o meu?
Quando foi que eu me tornei isso...? Não sei... Mas, nunca é tarde pra mudar o olhar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Hoje eu não vou te cobrar nada


Hoje eu não vou te cobrar nada. Nem que acerte o passo, nem que acerte o ritmo. Não vou te cobrar que tire o relógio para ficar à vontade, ou os sapatos. Não vou te cobrar que faça o que puder, o esforço que não pode. Nem que tenha pressa ou calma, paciência ou fôlego; não vou te cobrar aquilo que só te incomoda.
Hoje eu não vou te cobrar que abrace. Que coma mais um pouco ou passe a tarde sem comer. Não vou te cobrar que leia mais depressa, ou mais coisas. Não vou te cobrar que mate a saudade e viva simplesmente o dia. Não, eu não vou te cobrar.
Hoje eu não vou te cobrar que pare de ter medo. Não vou te cobrar que sinta confiança, que apenas se entregue. Não vou te cobrar as palavras, ou o silêncio. Não vou te cobrar a serenidade que tanto quer receber.
Hoje eu não vou te cobrar que consiga escrever sobre as coisas que te são mais caras. Eu sei que nunca consegue. É engraçado, pois nessa hora parece criança a fazer garatujas, tudo se engasga dentro de si e não sai nada que preste. Deixa pra lá, hoje eu não vou te cobrar.
Hoje eu simplesmente não vou te cobrar. Vou deixar que seja o que seja. Vou largar para o deus-dará. Vou soprar ar em seus pulmões, mas não vou te cobrar que respire. Vou permitir que deixe tudo ir embora, assim. Que não reste nada, a não ser a ansiedade que entrelaça os dedos. Não vou te cobrar respostas, questionamentos. Não vou te cobrar plenitude, a paz que não tem.

Hoje eu não vou te cobrar nada e esse será o meu presente. Não vou te cobrar, sequer, que não se presenteie com algo que goste; que deixe o dinheiro lá, e não mexa; não vou te cobrar que reflita, você, que já reflete demais. Sinta o que tiver de sentir, faça o que tiver de fazer... E permaneça inteira. Porque hoje – só hoje – eu não vou mesmo te cobrar nada.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sonhei com você


Tão nítido. E ao acordar, a saudade veio me abraçar. Estava mais vivo, mais pleno. Estava como vive nas minhas melhores lembranças.
Hoje eu ouvi falar de você e, então, as lágrimas vieram. Elas nunca foram embora, a dor nunca se dissipou – é só disfarce. Eu sonhei com você como sempre, aquele meu presente que doeu muito me desfazer. Eu lembrei de como você me protegia, de como éramos tão ligados, e eu senti falta desse amor que nunca mais encontrei. Reviver aquele dia me asfixia. Remexer aquelas memórias ferem fundo. Quase sete anos e tudo o que eu tenho é um amor ainda maior, sem igual. Mas, me consola que, sempre que sonho com você, me acontece tanta coisa boa... Como no dia em que, em prantos, pousei a cabeça no travesseiro e pedi a Deus: mande alguém que me ame.... Mostre-me em sonhos alguém que me dê motivos para continuar, para prosseguir, pois já não tenho forças... E, na manhã seguinte, acordei chorando... Com você muito vivo em mim, eu quase podia tocá-lo...

Eu sei que você está bem, e é isso que me consola. Eu vou buscar forças no seu amor agora, para vencer tudo o que vier – dizem que o amor vence tudo! Nada pode ser mais forte e, melhor, nada nem ninguém pode tirar o que aconteceu. Continue voando, firme e forte, pois em meu amor, sempre encontrará um ombro amigo para pousar.

sábado, 8 de novembro de 2014

Morar sozinho promove autoconhecimento


Morar só é uma forma perfeita de se autoconhecer. Perceber os próprios horários, os próprios ritmos. Se prefere o barulho ou o silêncio. Gerenciar os próprios gastos, gostos. Se tende mais para bagunceiro ou organizado. Estudar as próprias manias, cozinhar mais que macarrão instantâneo, cuidar das próprias coisas... E, realmente, não ter ninguém para pôr a culpa é um exercício de amadurecimento muito grande!
Eu já disse aqui antes que acho que todos deveriam ter a experiência de morar sozinhos por pelo menos 1 ou 2 anos. Em tempos de Geração Canguru, a maioria só sai da casa dos pais com a vida feita, para o casamento ou estudos que exijam distanciamento – mas, nesses dois casos; no primeiro, já passam a viver com outra pessoa; no segundo, continuam dependentes economicamente.
Mesmo defendendo que todos deveriam experimentar, entendo também que isso não é para qualquer um. Planejar, ter certa disciplina, sustentar-se, viver-se. Muitos não ficam bem relegados à própria companhia.
Quando eu fui pesquisar sobre morar sozinha, tempos atrás, me deparei com coisas muito bizarras. Como textos com a frase “Bati o pé e fui morar sozinha”; sites sobre o assunto que carregavam tanto no merchan que, com certeza, as leitoras pagavam o aluguel da dona do site; pessoas que não sabiam que o lixo não se tirava sozinho (conte-me mais quão inútil você é...) e outras (ou as mesmas) que buscavam ter seu próprio canto para, ilusoriamente, promover festinhas 24 horas e buscar uma suposta “liberdade” dos velhos (que os continuariam bancando). Acho a maioria dessas expressões muito ridícula, pois legitima essa cultura brasileira de uma geração que se acha genial e pensa que merece tudo. São terneirões que mamam nas tetas dos pais enquanto conseguem e só pensam em sair de casa se isso significar alguma espécie de vantagem.
Eu não achei nenhum material que enlevasse o autoconhecimento. O mais próximo disso, dizia respeito a quanto ficamos exigentes com as companhias; como era bom não ter de bater na porta do banheiro; como a solitude pode ser requisitada (mesmo assim, usavam a palavra solidão, não solitude). Acredito que existem várias razões para ter a vontade de morar sozinho, mas para realizá-la não é preciso encontrar razões. A partir de certa idade, em certas situações, passa mesmo a ser uma necessidade, um exercício de autorrespeito, uma condição que não prescinde. É praticar o amor próprio, é desvincular-se de quem lhe vampiriza, é priorizar a qualidade do tempo e do espaço ao invés do dinheiro que se poupa com a ausência dela (no caso de quem não sai de casa pela questão das despesas). Percebo que ter a coragem (pois, sim, muitas vezes é preciso coragem) para romper com o estabelecido e se lhe impor uma nova maneira de atuar no mundo é buscar amadurecer, além de já ser, por si, bastante amadurecedor! Cair, levantar, aprender com os erros, permitir-se errar, deixar de ser amparado. Os pais de hoje pensam que estão protegendo os filhos, ao lhes oportunizarem tudo o que “não tiveram”;  resguardam-nos dos “perigos” do mundo, mas não compreendem que eles mesmos estão a lhes fazer um mal, uma vez que a vida não passa a mão na cabeça de ninguém. É preciso educar para a autonomia, deixar se ralar um pouco – tanta superproteção está nos dando uma geração de adultos mimados, que pensam que tudo pode ser do jeito deles. Corpos grandes e mentes pequenas. Não se esforçam por nada, não cativam nada; tudo é angariado com o bolso do pai e o colo da mãe.  
Se é para sair de casa e continuar sendo sustentado pelos pais, é melhor não sair. Administrar e trabalhar pelo próprio dinheiro também faz parte de “ser gente grande”. Ser dono do próprio espaço também implica responsabilidade, atitude, e não um sonoro “bati o pé e resolvi sair”. Se a novinha bateu o pé e os pais permitiram, vai continuar a ser uma inútil, aquela criança de 5 anos para quem a negativa no supermercado significa apenas o esforço do escândalo. Um disfarce. E, não, desculpa. Morar sozinho exige bem mais que isso. VIVER exige bem mais que isso! Não é de quem pensa que a louça se lava sozinha e que ter um apê significa surubas ardentes que o mundo está precisando. Mas, tem alguma coisa errada, porque é dessas pessoas que ele tem se alimentado.
Por fim, morar só vai ainda além do autoconhecimento. É um teste às capacidades, é uma prova de que se é idôneo para assumir a si mesmo. Tanto nas coisas mais básicas do dia-a-dia como nas mais complexas, imprevisíveis. Abastecer o próprio carro e comprar a própria comida, ver de onde sai. Não ficar emburrado ao encontrar opiniões como essas, ler o texto até o final. Porque bater o pé e sair de casa é fácil. Quero ver não ter diarista, mesada e receber as contas; quero ver ser apenas um adulto, isso que está meio em extinção, mesmo na maquiagem da falsa maturidade.

 E é claro que dá pra dançar sozinha, promover jantinhas, receber o gato ou ficar desesperado, sem grana. Claro que dá pra chamar os amigos, beber cerveja, jogar vídeo game e ficar deitado até tarde. Mas, melhor que isso é perceber-se competente, realizador. Melhor que isso é perceber-se capaz, passar a ser útil (para os pais, a sociedade e para si mesmo). Porque trocar a lâmpada e desentupir o banheiro (seja como isso for...) também agregam caráter. Mexer com a merda nos torna pessoas melhores. E o autoconhecimento e a autoeducação são o mais perto que podemos chegar de progredir um pouquinho. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

No que sou como elas?


Se é verdade que cada defeito que nos incomoda nas outras pessoas tem um correspondente na gente, tem bastante coisa em mim que eu estou procurando.
Estou procurando o meu lado que se intromete onde não é chamado e dá palpite em tudo.
Procuro meu lado que implica, por vezes, pelo puro prazer de teimar.
Estou procurando meu dedo apontado para a jugular dos outros.
Minha opinião nas dietas, cortes de cabelo e decisões das outras pessoas.
Procurando meu arzinho arrogante, crítico de toda obra, como se pudesse, atestadamente, fazer melhor.
Sério, tem pessoas que tomam liberdades que eu também estou procurando em que momento eu permiti que se atrevessem.
Eu não me importo se os outros estão normais ou de perna pra cima.
Muitas vezes, eu me calo, mesmo tendo um puta argumento, somente para não entrar em uma discussão inútil.
Por mais que julgue mentalmente, sou educada o bastante para não dar opiniões que não sejam solicitadas. E quando as dou, o faço com toda prudência.
As decisões dos outros, por mais equivocadas que me pareçam, omitem toda a bagagem e motivações que os levou a tomá-las, por isso respeito.

Mesmo assim, por todos os lados, sempre atraio pessoas com defeitinhos detestáveis, e agora quero perscrutar em mim onde eles estão se escondendo. Se é verdade que somos reflexo dos que nos chegam, deve ser também que seus defeitos deixarão de me incomodar, assim que corrigi-los em mim.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Não gosto de visitas


Não gosto de gente em casa: simples assim. Nem que vem de surpresa, nem com hora marcada. Não sei receber direito, nunca sei se ser eu mesma basta ou se preciso ficar atendendo protocolos. Não gosto de ter que agradar, ser meio falsa. Tem dias que a gente está mais pra dentro, e isso não se escolhe. Não gosto das pilhas de louças engorduradas depois do almoço, dos dedos furungando as almofadas, ansiosos; não gosto do povo pegando nas coisas sem lavar as mãos... Sou muito chata pra isso e não acho que é exagero meu que se tenha as mãos higienizadas após pegar o celular ou acariciar o cachorro... Ainda mais, ao sentar à mesa! Mas, como vou educar essa gente? Colar cartazes, escrever na lousa da cozinha, promover uma campanha no facebook? Fico constrangida.
Não gosto de visitas que vêm em turmas, em manadas... Tipo, famílias inteiras, com os namorados das filhas e o linguicinha. Não gosto de visitas que têm crianças... Mexericam meus livros na estante, meu PC, meu violão... Não gosto de cozinhar pra visitas... Tachos e tachos, barulho, sujeira... Vamos esquecer esse negócio de comunhão... Há bons restaurantes pra isso. Também não gosto quando todas as visitas falam ao mesmo tempo, mas até prefiro quando a visita que veio só pra comer se flagra e vai abrindo os armários, metendo-se a fazer a sobremesa...
Não gosto das visitas matinais – principalmente naqueles dias que se quer dormir até mais tarde. Não gosto também das visitas que se convidam, ligando meia hora antes pra saber se vai ter gente em casa.
Eu não gosto de visitas. O que não corresponde a não gostar de receber quem eu gosto em casa. Se for combinado, de comum acordo; se for em pequenas quantidades ou reuniões mais íntimas. Gosto de reunir os amigos em pequenos jantares, onde podemos fazer uma boa refeição juntos e jogar conversa fora. Todos colaboram, fazem supermercado, opinam na sobremesa, cozinham. Esses encontros que eu e alguns amigos promovemos já há alguns anos e que constituem visitas mútuas, mas sem a obrigação da polidez ou de ter de ficar medindo as próprias ações.

E não gosto também de hóspedes. Para mim, são só o exponencial das visitas, com o agravante de que vou ter que dividir minha privacidade. Mas, tem uma atitude das visitas que realmente me deixa satisfeita: não, não é só quando ligam desmarcando... Verdadeiramente, quem lava as mãos antes das refeições, sem eu mandar, sempre ganha um ponto comigo!

PS: Eu gosto de visitas no blog, whatever.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Solitude


Sinto falta de solitude, gosto de estar comigo. O tempo me fez exigente quanto a barulhos alheios, suas expressões de tristeza e dor que mereciam vivenciar a sós. Tem coisas mesmo que é preciso fazer sozinho: tocar seu violão quando está triste, ouvir sua música no volume que quiser, buscar o silêncio contemplativo. Talvez esteja é meio calejada de não viver minha solitude, de não atendê-la quando se apresenta ou de lidar com os que fogem das suas.

Solitude... Como gosto de estar contigo.

sábado, 1 de novembro de 2014

Ser quem somos


No vídeo da minha formatura, comecei com um poema sobre aquilo que a gente luta para ser. Estive refletindo o quanto nunca chegamos a ser algo, embora lutemos para fazer coisas, ter objetos e vestir roupas que representem um pouco daquilo em que acreditamos, ou, que queremos que nos manifestem.
Inevitavelmente, somos associados ao que aparentamos. Isso inclui nossos cabelos, nossa pele, nossos dentes e nosso “estilo”. As músicas que ouvimos (e as que não ouvimos), os livros que lemos (ou não lemos), as postagens no blog ou na rede social. Cria-se uma confusão: nós somos mesmo isso ou nós queremos ser? A pessoa que posta muito sobre política realmente entende sobre política, ou apenas deseja ser reconhecida como tal? Quantos são os artefatos que nos utilizamos para passar as imagens que queremos passar? O que nos compõe e, por quanto tempo? Ainda sou a mesma da semana passada? Dá tempo de ser alguma coisa?
É difícil falar de ser algo quando nada que podemos ser é palpável. Vestir uma camiseta de banda não o faz roqueiro, nem entender daquela banda, mas automaticamente é assim que as pessoas veem quem usa camiseta de banda, pois é essa a representação, a imagem que vende. O conceito embutido nas marcas pode dizer alguma coisa sobre como quem as usa quer ser visto. Mais difícil ainda para saber quem alguém é (ou quem eu mesmo sou) é o fato de que a acessibilidade misturou tudo: todos são mil coisas ao mesmo tempo, muito rapidamente; todos tornaram-se marketeiros de si mesmos. Pequenos retoques e temos um conceito: a menina de óculos retrô é a inteligente descolada; o carinha de cabelo no olho é emo (isso ainda existe? WTF); a de tubinho curto é periguete. Quem sabe, no fundo, despidos de tudo isso, ninguém seja nada, apenas não possamos fugir de nossas classificações. São rótulos investidos por imagens (sempre elas!) que ditam ao mundo a o que nos associar, ou, deixar de fazê-lo.

Desde que o SER deixou de simbolizar uma essência para ser expresso através da posse, são os objetos, a moda, que caracterizam quem somos ou quem as pessoas pensam que somos (e quem elas pensam que são). Como disse, creio que nunca chegamos a “ser” nada... Levamos tempo demais buscando nos integrar a algo para, em seguida, aquela conquista deixar de fazer sentido, de nos representar. Passamos tempo demais procurando fora o que deveria ser trabalhado por dentro. Procuramos títulos, prestígios, bens, ouros, para dizer que somos algo, mas no máximo chegamos a estar... Estou inteligente, estou boho chic, estou orgulhosa, estou professora, estou filha, estou namorada... Mas, posso mudar. Afinal, a mudança é característica do imperfeito. E imperfeitos é a única coisa que, mais que estarrmos, ainda seremos por um longo tempo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Lone star state of mine


The more I hurt,
The less I feel,
The more I know,
The less I rest in this...

Lone star state of mine.

The more I hurt,
The less I feel,
The more I know,
The less I rest in this...

Lone star state of mine.

Say it straight,
Don't bend my ear,
When I'm walking in an evening air,
You two-step into my idle home,
And tearing my song all up with minor chords now.

The more I solve,
The less I work,
That can't be good for some boy out of love,
Out of touch, out of lust, out of soul,

N'Out of song.

*Canção composta por River Jude Phoenix.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

À Vontade


É assim que me sinto quando visualizo o meu cantinho. Chegar a casa e me libertar das sapatilhas, dançando no piso fresquinho como Nureiev... Baixar a agulha da vitrola e curtir um som baixinho... Ou deixar o silêncio preencher os cômodos enquanto relaxo apreciando meia taça de vinho tinto. Pijamas e meias, roupão e toalha na cabeça, avental e cozinhas vegetarianas.... À vontade com a bagunça das araras, para falar com a samambaia e misturar a biografia de Chanel aos apelos hobbesianos do Leviatã. Estante colmeia cuspindo clássicos de capas coloridas, penteadeira provençal, minha maravilhosa cama queen size com capitonê e um quarto inteiro como closet... Afinal, o apêzinho tem dois quartos e irei dormir espalhafatosamente em apenas um deles... Home Office bem espaçoso, um cantinho para costura e um lugar especial para leitura. Seria bom ter um ateliê, mas quem precisa de um também tem criatividade para transformar qualquer ambiente em arte!
Há mais vida ali que metros quadrados. Mais livros que tempo para lê-los! E mais gostosura que festa de criança... O cheiro das flores no aparador parece delatar que sua moradora é uma romântica insuperável. O perfume no ar parece memorar que anda apaixonada... Apaixonada por quem? Pela vida. Agora, ela pode sorrir e dizer que já encontrou o seu lugar. Refugiar-se com um almofadão no tapete felpudo e assistir um filme ou, simplesmente, olhar para o teto. No janelão, uma luneta aponta pra lua, aquele lugar que passa tanto tempo... É que depois de girar com o dedo o globo decorativo, é sempre bom saber que existe um lugar só da gente. Mesmo que ele não esteja no mapa.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

17 de março: meu segundo aniversário


- Eu já lhe falei que eu quase fui atingida por um raio? Duas vezes?!

Hoje faz 7 meses. Enquanto ouço os estrondos dos trovões e vejo os clarões pela minha janela, sinto como se estivesse naquele dia. Parece que foi ontem. Mas... 7 meses. Ontem um raio matou uma menina em Canguçu. E quando li a história dela, não pude deixar de pensar naquele dia.
Eu havia descido ao litoral para ajudar minha mãe com os papeis de um terreno. O tempo estava se preparando para desaguar um toró quando resolvi ligar ao meu irmão na cidade, para avisar que havíamos chegado. Quando voltava do telefone público, com o cartão na mão, fui surpreendida por um raio cortando os ares entre meu corpo e o portão da casa. Eu devia estar a centímetros do portão e foi por essa brecha que o raio passou: um fio fino, luminoso, quente. Senti seu calor na pele do meu braço e os pelos eriçarem; ouvi seu barulho ensurdecedor como se estivesse sentada em uma cadeira elétrica: ZZZZZZzzzz. Então, a atmosfera ficou diferente, o ar parecia suspenso... Acho que meu coração parou por um instante. Só depois, gritei. Um grito agudo, curto. Eu não estava assustada. Eu estava viva.
O canto da janela do vizinho, de madeira, onde o raio pousou, ficou destruído. No chão, seu rastro perfurador. Eu nunca vou ter palavras para descrever o que eu vi. Mas, de minha memória, aquele clarão e aquele ZZZzzz nunca mais sairão.
Corri pra dentro e larguei cartão de orelhão e mais alguma coisa – minha chave, talvez – na mesa. Voltei-me rapidamente ao varal, quase junto à varanda, para recolher umas toalhas ainda úmidas do banho. Foi quando aconteceu o segundo raio, ainda mais violento que o primeiro, porém mais curto. Outra vez, passou ao lado do meu braço esquerdo, mas arriscaria dizer que ainda mais perto. Esse foi verdadeiramente um quase. Eu estava na rota dele. Dessa vez, eu dei por mim mais depressa. Larguei o que estava fazendo e fui acalmar as batidas do meu coração. Minha mãe testemunhou tudo. Ela sabe que eu estou aqui por... sorte? Ou porque Deus tem outros planos pra mim...?
Naquela segunda-feira eu nasci outra vez. Aquela semana eu pensei muitas coisas, eu apertei pause. Eu pensei o que eu queria da vida e o que ela queria de mim. Eu pensei que, se tivesse morrido aquele dia, não tinha dito ao meu irmão no telefone que o amava, e nem às outras pessoas importantes na minha vida. Eu me perguntei se estava fazendo o que gostava e se havia me esforçado o suficiente pelos sonhos que não realizei. Esqueci as preocupações, os medos. Lembrei das estrelas, lembrei de Deus...
Hoje faz 7 meses e acho que precisava trazer tudo isso de volta para entender que, se estou aqui, há um motivo. Deve haver um motivo para as coisas serem como são – ou não?
Precisava rememorar aquele 17 de março – que nunca mais sairá de mim – para dar um abraço em mim mesma e festejar a pessoinha incrível que eu sou. E perceber que, se os últimos dias ou tempos não têm sido fáceis, posso, ao menos, me reconfortar com as imagens inolvidáveis desse outro dia, e meditar que, alguma razão teve para aqueles raios não me atingirem.
Se eu tivesse morrido em 17 de março de 2014, eu teria, sim, tido momentos grandiosos na vida, mas meus últimos dias antes da morte estariam de pouco acordo com quem eu quero ser, com o que acredito... De todas as promessas que fiz a mim mesma, as que precisam se cumprir são a minha alegria, a minha leveza... a minha verdade e a minha esperança de que dias melhores me aguardam...
Obrigada, 17 de março, por me fazer enxergar; por, desde então, me acompanhar.

Como a fênix, talvez eu tenha de renascer muitas vezes ainda.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sem palavras


Ultimamente, passo horas com a caneta na mão, mas as palavras não vêm. A folha em branco tem se mostrado mais implacável que nunca – as letras bailam, se atropelam, tropeçam. Porém, não formam pensamentos lineares, não conversam – bruscamente se buscam e se repelem para voltarem a soar no vazio. Nosso casamento tem estado em crise.
- Você só quer servir à veia científica – reclama a veia literária.
- É você que domina a mente dela, assediando com mil propostas indecorosas e impede que se dedique inteiramente a mim – a veia científica replica, indignada.
É uma luta silenciosa, sem palavras. Sinto como se mergulhasse minha anima numa folha de jornal gigante e me engasgasse engolindo alfabetos inteiros – mas sempre soltos, sem sentido. Formo mil anagramas, jogo palavras cruzadas, jogo palavras ao vento. Perco-me e encontro-me no cemitério dos textos esquecidos. Só que nunca volto inteira... Por mais que as palavras me completem, não é sempre que elas não toam perfeitamente estranhas a mim.
- Talvez esteja na hora de escrever um novo livro... – a veia literária presta-se a nova sedução, indecente.
- Você tem que terminar a dissertação – queixa-se a veia científica, sentindo-se ameaçada.

- Não tenho palavras pra vocês – dou minha palavra final. E com essa frase de efeito, corro publicar um texto no blog: pelo menos assim, me engano.

sábado, 4 de outubro de 2014

Que pensem que sou mais uma arigó


Pra quem te vê como você não é. Ou não te vê como você é. Sabe aquele parente que não dá nada por você? Ou aqueles conhecidos que adoram ostentar de tudo. Se você usa camiseta e jeans porque se sente bem, as pessoas ignoram o quanto sua elegância é natural num tecido de corte. Se você não se gaba das aventuras turísticas ou evita a shoppinguização dominical de praxe, parece que você está excluído.
Eu tenho deixado que pensem que sou mais uma arigó. Que todos têm, são, sabem mais que eu, em todos os sentidos. Tenho ficado séria, mas rido por dentro. Rido daquelas pessoas que “corrigem” pronúncias em inglês. Rido daquelas que perguntam como está o trabalho. Rido das que supõe minha vida comum. E sei que parece pretensão, porque a maioria está, de fato, ocupada com sua própria vida. Mas, basta um encontro social, um telefonema, que você já percebe o que cada um pensa de si. Da sua vida pessoal, financeira, afetiva. Os olhares e as falas denunciando os pensares, sempre deixando entrever. “Estudas, estudas, perdes tempo, nada tens!”. Pensam que sou mais uma arigó. Que ganho pouco, tenho um mal emprego (inclusive do meu tempo), pouca ou nenhuma conquista prática. Que não tenho boca ou personalidade; que fico para trás, como se competir com eles me importasse. E eu me contorço de rir (por dentro, claro, porque sou muito respeitosa). Ah, se essa gente soubesse o que penso dela... Ah, se conhecesse pormenores da minha vida... O nível das pessoas que me relaciono e o pouco que me impressiono com o que para eles é um Oh!... Ah, se soubessem que pra mim os arigós são eles...

Entretanto, tenho preferido que me vejam assim, como num plano secreto... Pois, jeans e camiseta são tão confortáveis, mas... tem muito tecido de corte esperando a arigó aqui 8) 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sem face, Sem nome


Sem face.
Ele podia ter o seu rosto.
Ele podia ter o meu rosto.
Ele podia ser qualquer pessoa.
Menos mais um na multidão.
E ele podia passar dias em crise, tocar seu violino, escrever poesias.
Ele podia odiar o seu mundo e voltar a amá-lo ainda em um dia.
Se perder, se achar era mesmo com ele, tinha a ambiguidade de um camaleão.
Perdia-se em trabalhos, cigarros, garagens...
Achava-se em cartazes, causas, molecagens...
E quando com sua força ainda estava brigando
Queria dar um tempo, um pause, um restart.
E quanto de si estava desrespeitando? Ferido, mutilado, encarniçado...
Com a vida, com os astros, com os vermes do chão...
Quanto mais ainda podia suportar...?
Queria ter mais voz, mais tom, mais pulso...
Mas as vozes exteriores sempre o faziam voltar.
Achava que o limite já havia chegado e queria poder desfrutar mais as delícias da solidão. Mas, sozinho, era tudo e era nada; agarrava-se às horas com a melancolia fazendo morada...
Ele podia pensar como eu, como tu.
Vivia semanas previsíveis, ultrajado com sua pequenez.
Podia acreditar nas propagandas, nas boas intenções e no horário eleitoral. Proteínas, teorias, no bem e no mal.
Podia ser mais um, mas não escolhera ser.
Sem nome.

Sem nome.
Podia ser mais um, mas não escolhera ser.
Podia acreditar nas propagandas, nas boas intenções e no horário eleitoral. Proteínas, teorias, no bem e no mal.
Vivia semanas previsíveis, ultrajado com sua pequenez.
Ele podia pensar como eu, como tu.
Achava que o limite já havia chegado e queria poder desfrutar mais as delícias da solidão. Mas, sozinho, era tudo e era nada; agarrava-se às horas com a melancolia fazendo morada...
Mas as vozes exteriores sempre o faziam voltar.
Queria ter mais voz, mais tom, mais pulso...
Quanto mais ainda podia suportar...?
Com a vida, com os astros, com os vermes do chão...
E quanto de si estava desrespeitando? Ferido, mutilado, encarniçado...
Queria dar um tempo, um pause, um restart.
E quando com sua força ainda estava brigando
Achava-se em cartazes, causas, molecagens...
Perdia-se em trabalhos, cigarros, garagens...
Se perder, se achar era mesmo com ele, tinha a ambiguidade de um camaleão.
Ele podia odiar o seu mundo e voltar a amá-lo ainda em um dia.
E ele podia passar dias em crise, tocar seu violino, escrever poesias.
Menos mais um na multidão.
Ele podia ser qualquer pessoa.
Ele podia ter o meu rosto.
Ele podia ter o seu rosto.

Sem face.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

O que te impede?


O que te impede de tomar a decisão que vai mudar a sua vida?
O que te impede se libertar das amarras que um dia o tempo escreveu?
O que te impede avançar, sair, dar o ponto final, tentar, agir?
O que te impede jogar fora, deixar pra lá, descartar...?
O que te impede escolher, renunciar e ser responsável por isso?
O que te impede fluir...? O que te impede ignorar...? O que te impede ser você, dar outro final, o que te impede ser feliz...?

O que te impede de voar?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A arte de viver em segredo


Ninguém sabe o que jantou na sexta; que gosta de sushi, que está lendo Fernando Pessoa. Não contou a ninguém que está super feliz, que está muito triste, que assaltou a geladeira. Alcançou cem coisas secretas, muitas boas, muitas ruins. Não compartilhou sua indignação pelo jogo de futebol; sua descrença na política, o credo da sua religião. Começou e terminou relacionamentos. Frequentou restaurantes, aprendeu francês. Não publicou que realizou um velho sonho de consumo; deixou em off uma conversa maravilhosa; não comentou que estava ocupado demais vivendo...

Prestou serviço voluntário, vestibular, concurso. Doou sangue, livros, tempo. Fez um curso de desenho, cozinhas, costura. Reformulou toda a vida, as gavetas, os e-mails. Bateu novas fotos, perdeu cinco quilos. Mas, para os outros, desapareceu, ele e sua insignificante vida. O que aconteceu com sua vontade de contar ao mundo que está progredindo, rindo muito, sendo feliz? Não aconteceu nada, literalmente. É que aprendeu a desfrutar seus sucessos e fracassos em segredo. Parou de se expor, de se colocar na vitrine. Caiu na real. Anda vivendo do lado de cá, sem timelines. Só não tem facebook, tem vida

sábado, 27 de setembro de 2014

Você me emociona


Eu não sei onde você está , mas você me emociona. Tenho sentido sua falta por todo esse tempo. Vacilando na vida, nada é tão inteiro. Parece que cada presença denuncia a sua ausência e o rombo em minh’alma não se deixa enganar. Por que não vem logo, como prometeu? Por que só aparece em meus sonhos mais doces? Você ainda não entendeu que não é mais uma fantasia boba? Eu estava aqui o tempo todo, estive crescendo, mas está difícil...
Eu te procurei naqueles meninos roqueiros, de jeans. Gostava de te vislumbrar com os cabelos dourados, olhos amendoados e um sorriso só meu. Mas, o mundo trai e nos alucina em nossos melhores ideais. Nenhum deles era o que você é e parece não importar mais como você seja. Importa só que você me fez uma promessa, o tempo está passando e não tem vindo para cumprir.Importa só que eu me sinto sozinha... e pequena, apenas uma pequena infeliz! E você seca minhas lágrimas, mas não impede que elas caiam; você também me busca, mas não anseia o encontro. Eu não te emociono?

Os anos vieram e se foram, eles já não são os mesmos. O tempo está correndo – eu já não sou mais a mesma. A próxima música é uma resposta ou foi só coincidência? Eu não sei onde você está, mas queria entender porque não posso encontrá-lo. Você me emociona e sinto saudades. Seja de que tempo for... 

sábado, 20 de setembro de 2014

Quem se presta ao silêncio?


Busco o silêncio fora, por que ele nunca se faz dentro. E eu gosto de ouvir o barulho de dentro. Não suporto pessoas que não toleram o silêncio: precisam ligar o rádio, a TV, puxar assunto. Jamais se recolher para dentro de si mesmas, preferem preencher o silêncio com qualquer lixo. Silêncio, hoje em dia, é artigo raro. Incomoda, como entender verdades complicadas, se autoconhecer ou passar um tempo só. Quem se presta ao silêncio? Quem quer realmente silenciar para ouvir? É difícil, quando respeito também se tornou artefato de luxo.

É preciso ler esse texto com os fones de ouvido. É preciso reunir a turma com o rádio ligado. É preciso dirigir com o volume alto, almoçar com a tevê ligada, chegar em casa e ligar alguma coisa. Quietude oprime, pressiona, obriga a buscar algo em si mesmo. E é aí que se vê quão vazio, sem sentido e sem significado se tem vivido. É aí que se vê como se vive no tédio, na ilusão e no... barulho. É aí que se nota quais relações são superficiais, porque o silêncio constrange. É aí que se vê como somos surdos àquilo que realmente importa.