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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 18 de maio de 2014

Alma alimentada e quentinha


Assistir um documentário ou uma boa estória em filme. Ler um clássico ou conteúdo rico, ouvir bossa nova, dedicar o tempo ao aprendizado de outra língua ou de um instrumento musical. É incrível o prazer que atividades tão singelas proporcionam à satisfação íntima. E, por isso também, não é fácil entender o tempo perdido e o suposto prazer que atualmente se encontra em contemplar a fealdade. Violência gratuita nas notícias, “músicas” com letras de baixo calão, sons que ferem a audição, incentivo à sexualidade animalesca.
Não é pessimismo sócio-filosófico de quem só vê que a moralidade está ruindo e ou se transformando a todo o momento, mas antes, o questionamento de quem se intriga com tais observações. Partilhando das percepções platonistas, creio que só aprecia o feio quem não teve a oportunidade de conhecer o belo. E, embora, nesse nosso tempo, tudo seja tão subjetivo, tão pluri, tão multi – há consensos sobre os quais não se pode fugir e, um desses, é sobre o que eleva a alma e sobre o que a rebaixa.
Muitos seguem sem distinguir a quentura que dá na alma de quem partilha uma leitura gostosa, aprecia boa música, peças de teatro ou ópera, mergulha em sentimentos e tempos não-seus. O aconchego interior que experimenta aquele que se aventura em tramas e enredos históricos, os quais jamais teria acesso não fosse a cultura de algo belo. Seja através de obras de arte; de viagens a lugares que falam por si; diante do êxtase de uma paisagem; um passeio silencioso por jardins ou do cantinho com poltrona fofinha e colcha patchwork em uma tarde cinza de outono.

A alma sempre ficará alimentada e quentinha diante daquilo que a enleva. O que traz vazio, incerteza ou um prazer efêmero, superficial, não corresponde àquilo que ela procura – que preenche e mantém o espírito com postura digna, ávido por maiores conhecimentos e experiências de igual teor. Só o que elucida, causa serenidade, reflexão e até nostalgia pode aquecer um pouco o frio de nossa alma. Só o que nos esclarece, humaniza, amadurece e traz verdade pode derreter o gelo da indiferença pelo outro e, ainda, por nós mesmos. Se sente euforia e acanhadas felicidades ao desfrute de fortunas e bens tão pobres, como avalias te sentires diante dos verdadeiros tesouros?

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