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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 4 de maio de 2014

Fé, humildade, simplicidade – Ayrton Senna do Brasil


Fé, humildade, simplicidade. O legado de Senna para a humanidade foi muito além do mito do esporte. Como explicar tamanha modéstia em cada ação, em cada palavra? Olhando para ele em vídeos antigos, há uma pureza tão grande em seu ser que creio que não sou a única a notar. Algo maior e mais poderoso em seu semblante transparece. Um olhar perspicaz de quem representa mais do que está mostrando.
Seus olhos. Havia neles uma beleza, uma verdade, uma candura decidida. Senna tinha muita maturidade e preparo espiritual para lidar com tudo o que veio para ele. Algo profundo e perturbador.
Eu tinha oito anos, mas lembro bem. Foi minha primeira experiência de luto, um sentimento que não sabia o que significava. Lembro-me de ter ficado triste e chorado. O que era a morte? Não sabia. O que sabia é que perdíamos Ayrton. Talvez meu espírito intuísse que se perdia um ser humano grandioso. Gigante.
Senna foi e ainda é nosso gigante invencível. E o herói saído das histórias mitológicas não partiu de uma construção midiática ou de uma lavagem cerebral coletiva, mas de um homem comum, ao mesmo tempo, tão incomum. Sabia-se só de olhar para ele que havia um homem antes do piloto.
De tudo isso, ficou uma coisa que 20 anos não bastaram para apagar e que Prost sabia. Ayrton Senna era o melhor e sempre será. A Fórmula 1 mudou por ele e nunca mais foi a mesma, por causa dele. Aos demais – não importa quantos títulos tenham – resta aceitar. E a sua fé, tão candente, tão sublime, o acompanhou até no último dia de sua vida quando, pela manhã, pediu para Deus conversar com ele. Afinal, quem de nós pode saber se essa não é a última manhã de nossas vidas? A última vez que acordamos, o último dia comum?
Não foi seu capacete que entrou pra história. Não foi seu tri campeonato ou sua rivalidade com Prost. Foi a compenetração de sua alma. Sua paixão pelo que fazia, sua determinação pela vitória, sua simplicidade mesmo dispondo de tudo o que o dinheiro pode comprar, seu orgulho pelo Brasil.
Mesmo sua morte precoce (para nós) vem provar a sentença rousseauniana de que mais vale viver dezoito anos bem vividos que se chegar a longínqua idade sem ter sabido viver.

Ayrton Senna foi muito mais e talvez se só nos espelhássemos naquelas três palavrinhas – FÉ, HUMILDADE, SIMPLICIDADE – seríamos pessoas muito melhores. E o mito de Senna não estaria perdido.   

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