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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Hoje acordei em Londres


Manhã fria, cinzenta. Pude ver os paralelepípedos molhados pelo sereno, da minha janela. Um pijama de flanela xadrez mostrou uma preguiçosa sexy. Estou em Londres.
Londres. Meu sonho de 15 anos. A viagem mais querida. Lembro a estranha ternura que me desperta desde que a entendo como... Londres. Com seu orvalho, sua neblina. Ainda não voltei a pisar meus pés em seus paralelepípedos úmidos, mas tenho certeza que não morrerei sem isso. Porque eu já vivi ali. E esse estranho sentimento que volta e meia me sequestra é uma espécie de saudade...
Eu nunca quis fazer intercâmbio. Lembro-me de ter feito uma autopressão nesse sentido alguns anos atrás, visto a facilidade para realizá-lo e a vontade de viver algo novo. Mas nunca foi um desejo da alma. Quando penso em sair daqui para terras distantes, esse desejo sempre vem com o charme turístico, e não com as experiências extras de lavar louça em lanchonetes ou banheiros em pubs. E já ouvi dezenas de relatos. As pessoas passam um, dois anos fora e voltam como majestade, mas comeram o pão que o diabo amassou. Eu não acho que precise disso; já rebolei o suficiente por aqui mesmo, lutando pelo meu caminho. Também nunca dependi dos meus pais para essas realizações maiores, por isso, imbuída do senso de minhas próprias buscas, sei que logo, quando for a Londres – mas também a Paris, San Francisco, NY, Barcelona – eu vou de salto alto.


Quando entrei no Mestrado Acadêmico, sabia que precisava proficiência em inglês e me planejei. Me permiti três tentativas para fazer a prova e passar, caso contrário, carimbaria o passaporte para um curso preparatório pelas esquinas de minha sonhada Londres. Peguei orçamentos, emiti documentos, garanti reservas. Mas aconteceu que passei de primeira, com 100% na prova. Acabei me frustrando, pois não tinha mais uma desculpa para deixar a minha covardia...
De uma coisa, porém, estou certa: quando a gente deseja mais, quer mais, a realização é muito mais prazerosa. Por isso, parei de me afobar com meu desejo latino de amanhecer preguiçosa e sexy em Londres. Talvez, a um tempo, eu faça isso tantas manhãs, que sinta saudade é dos dias cinzas serranos que tenho experimentado por agora...

Afinal... Hoje acordei em Londres. 

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