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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Como é que pode ter tanta coisa na cabeça?


Eu gosto do que poucos gostam. Eu busco o que poucos buscam. Às vezes, fico aqui brigando comigo, tentando me convencer a querer o que o senso comum acha bom. Não ligar muito, sabe...
Ontem estava em uma palestra e o palestrante estava falando coisas como a impossibilidade de pensar o tempo; que em tudo buscamos justiça (se sinto sede, busco a justiça de saciá-la; se sinto frio, é justo me aquecer – aqui a justiça foi substituta do sumo bem dos filósofos); por que Alfred Nobel criou o Prêmio Nobel da Paz etc. Aí, uma garota que estava sentada ao meu lado me olhou e disse:
- Mas, esse cara filosofa, né...?! Como é que pode ter tanta coisa na cabeça?
- Como é que pode NÃO ter tanta coisa na cabeça? – me perguntei intimamente. Mas, compreendi. Ela devia ter um monte de coisas na cabeça, como o namorado, as provas do semestre (ou não, porque essa é uma preocupação da última semana de aulas), a festa do fim de semana e os sonhos legitimamente mundanos e comuns. E acho que não ser assim, consciente, deve ser muito mais fácil. No embalo, também percebi que não adianta brigar comigo: Kelly, seu mundinho próprio nunca existirá. Ele estará sempre limitado ao que identifica sua alma e àquilo que constrói, e só. Todo o resto é múltiplo: verá o branco e o preto, mas também todas as nuanças de cinzas. Sentirá o doce, o amargo além de todos os níveis do agridoce. Nunca será como ela. Sempre irá refletir sobre a impossibilidade de pensar os segundos, se realmente buscamos justiça, o que seria do mundo se Nobel não tivesse inventado a dinamite e por que é mais confortável não ter tanta coisa na cabeça.

Mas sempre se questionará também se, talvez, não seria melhor não ter tanta coisa na cabeça. Só por um dia. E se prestar a perguntas como essa.

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