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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sofre de poesia


- Sofre de uma doença incurável! Tem a poesia dentro dela.
Diagnóstico dado, desde cedo lutaram por lhe medicar. Injetaram-lhe as mazelas do mundo, ministraram-lhe imundícies diversas, abusaram de porcarias lícitas, mas só parecia piorar. A febre poética corroia-lhe as veias, as vistas. Dobrava-se, apoplética, sem inclinação a se curar.
Havia também quadros em que a poesia se fazia ausente e todos ao redor dela achavam que o tratamento de choque estava adiantando. Mas, mais que em seu corpo, a poesia estava profunda, arraigada, e tentar tirá-la dela era como cutucar: o tumor crescia, causando mais estragos. Os sintomas pioravam: sensibilidade aguçada, fantasia, sonhos impossíveis, utopias de um mundo melhor. Tinha poesia nos lábios, na tez, nos cabelos. Poesia nas mãos, colo, pernas, cotovelos. Quando recaía era pior, pois a poesia derramava-se por suas coisas... Poesias em cadernos, livros, na cama, na lousa...
- Seu estado agravou, não é mais possível recuperá-la...
- Mas, como? Tentamos de tudo...! Desilusões, maus tratos, abandono, mentiras, torturas, fealdade, falsidade, medos e segredos...
- Oh, então não sabe... É de tudo isso que a poesia vive. Veneno na dose certa é remédio... Só esperemos que a poesia dentro dela não se espalhe, não epidemize... Pois, se muita gente no mundo tivesse poesia... estaríamos ruídos...
E ela voltou para casa doente. Cheia de poesia.

1 comentários :

Adrian disse...

Eu queria mesmo comentar em toda postagem... mas, tem coisas que não se tem nada para acrescentar, pois tem textos que são um círculo fechado e perfeito. Ficar calado então, para mim, é sinônimo de respeito.

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