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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

17 de março: meu segundo aniversário


- Eu já lhe falei que eu quase fui atingida por um raio? Duas vezes?!

Hoje faz 7 meses. Enquanto ouço os estrondos dos trovões e vejo os clarões pela minha janela, sinto como se estivesse naquele dia. Parece que foi ontem. Mas... 7 meses. Ontem um raio matou uma menina em Canguçu. E quando li a história dela, não pude deixar de pensar naquele dia.
Eu havia descido ao litoral para ajudar minha mãe com os papeis de um terreno. O tempo estava se preparando para desaguar um toró quando resolvi ligar ao meu irmão na cidade, para avisar que havíamos chegado. Quando voltava do telefone público, com o cartão na mão, fui surpreendida por um raio cortando os ares entre meu corpo e o portão da casa. Eu devia estar a centímetros do portão e foi por essa brecha que o raio passou: um fio fino, luminoso, quente. Senti seu calor na pele do meu braço e os pelos eriçarem; ouvi seu barulho ensurdecedor como se estivesse sentada em uma cadeira elétrica: ZZZZZZzzzz. Então, a atmosfera ficou diferente, o ar parecia suspenso... Acho que meu coração parou por um instante. Só depois, gritei. Um grito agudo, curto. Eu não estava assustada. Eu estava viva.
O canto da janela do vizinho, de madeira, onde o raio pousou, ficou destruído. No chão, seu rastro perfurador. Eu nunca vou ter palavras para descrever o que eu vi. Mas, de minha memória, aquele clarão e aquele ZZZzzz nunca mais sairão.
Corri pra dentro e larguei cartão de orelhão e mais alguma coisa – minha chave, talvez – na mesa. Voltei-me rapidamente ao varal, quase junto à varanda, para recolher umas toalhas ainda úmidas do banho. Foi quando aconteceu o segundo raio, ainda mais violento que o primeiro, porém mais curto. Outra vez, passou ao lado do meu braço esquerdo, mas arriscaria dizer que ainda mais perto. Esse foi verdadeiramente um quase. Eu estava na rota dele. Dessa vez, eu dei por mim mais depressa. Larguei o que estava fazendo e fui acalmar as batidas do meu coração. Minha mãe testemunhou tudo. Ela sabe que eu estou aqui por... sorte? Ou porque Deus tem outros planos pra mim...?
Naquela segunda-feira eu nasci outra vez. Aquela semana eu pensei muitas coisas, eu apertei pause. Eu pensei o que eu queria da vida e o que ela queria de mim. Eu pensei que, se tivesse morrido aquele dia, não tinha dito ao meu irmão no telefone que o amava, e nem às outras pessoas importantes na minha vida. Eu me perguntei se estava fazendo o que gostava e se havia me esforçado o suficiente pelos sonhos que não realizei. Esqueci as preocupações, os medos. Lembrei das estrelas, lembrei de Deus...
Hoje faz 7 meses e acho que precisava trazer tudo isso de volta para entender que, se estou aqui, há um motivo. Deve haver um motivo para as coisas serem como são – ou não?
Precisava rememorar aquele 17 de março – que nunca mais sairá de mim – para dar um abraço em mim mesma e festejar a pessoinha incrível que eu sou. E perceber que, se os últimos dias ou tempos não têm sido fáceis, posso, ao menos, me reconfortar com as imagens inolvidáveis desse outro dia, e meditar que, alguma razão teve para aqueles raios não me atingirem.
Se eu tivesse morrido em 17 de março de 2014, eu teria, sim, tido momentos grandiosos na vida, mas meus últimos dias antes da morte estariam de pouco acordo com quem eu quero ser, com o que acredito... De todas as promessas que fiz a mim mesma, as que precisam se cumprir são a minha alegria, a minha leveza... a minha verdade e a minha esperança de que dias melhores me aguardam...
Obrigada, 17 de março, por me fazer enxergar; por, desde então, me acompanhar.

Como a fênix, talvez eu tenha de renascer muitas vezes ainda.

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