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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sem palavras


Ultimamente, passo horas com a caneta na mão, mas as palavras não vêm. A folha em branco tem se mostrado mais implacável que nunca – as letras bailam, se atropelam, tropeçam. Porém, não formam pensamentos lineares, não conversam – bruscamente se buscam e se repelem para voltarem a soar no vazio. Nosso casamento tem estado em crise.
- Você só quer servir à veia científica – reclama a veia literária.
- É você que domina a mente dela, assediando com mil propostas indecorosas e impede que se dedique inteiramente a mim – a veia científica replica, indignada.
É uma luta silenciosa, sem palavras. Sinto como se mergulhasse minha anima numa folha de jornal gigante e me engasgasse engolindo alfabetos inteiros – mas sempre soltos, sem sentido. Formo mil anagramas, jogo palavras cruzadas, jogo palavras ao vento. Perco-me e encontro-me no cemitério dos textos esquecidos. Só que nunca volto inteira... Por mais que as palavras me completem, não é sempre que elas não toam perfeitamente estranhas a mim.
- Talvez esteja na hora de escrever um novo livro... – a veia literária presta-se a nova sedução, indecente.
- Você tem que terminar a dissertação – queixa-se a veia científica, sentindo-se ameaçada.

- Não tenho palavras pra vocês – dou minha palavra final. E com essa frase de efeito, corro publicar um texto no blog: pelo menos assim, me engano.

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