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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Hoje eu não vou te cobrar nada


Hoje eu não vou te cobrar nada. Nem que acerte o passo, nem que acerte o ritmo. Não vou te cobrar que tire o relógio para ficar à vontade, ou os sapatos. Não vou te cobrar que faça o que puder, o esforço que não pode. Nem que tenha pressa ou calma, paciência ou fôlego; não vou te cobrar aquilo que só te incomoda.
Hoje eu não vou te cobrar que abrace. Que coma mais um pouco ou passe a tarde sem comer. Não vou te cobrar que leia mais depressa, ou mais coisas. Não vou te cobrar que mate a saudade e viva simplesmente o dia. Não, eu não vou te cobrar.
Hoje eu não vou te cobrar que pare de ter medo. Não vou te cobrar que sinta confiança, que apenas se entregue. Não vou te cobrar as palavras, ou o silêncio. Não vou te cobrar a serenidade que tanto quer receber.
Hoje eu não vou te cobrar que consiga escrever sobre as coisas que te são mais caras. Eu sei que nunca consegue. É engraçado, pois nessa hora parece criança a fazer garatujas, tudo se engasga dentro de si e não sai nada que preste. Deixa pra lá, hoje eu não vou te cobrar.
Hoje eu simplesmente não vou te cobrar. Vou deixar que seja o que seja. Vou largar para o deus-dará. Vou soprar ar em seus pulmões, mas não vou te cobrar que respire. Vou permitir que deixe tudo ir embora, assim. Que não reste nada, a não ser a ansiedade que entrelaça os dedos. Não vou te cobrar respostas, questionamentos. Não vou te cobrar plenitude, a paz que não tem.

Hoje eu não vou te cobrar nada e esse será o meu presente. Não vou te cobrar, sequer, que não se presenteie com algo que goste; que deixe o dinheiro lá, e não mexa; não vou te cobrar que reflita, você, que já reflete demais. Sinta o que tiver de sentir, faça o que tiver de fazer... E permaneça inteira. Porque hoje – só hoje – eu não vou mesmo te cobrar nada.

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