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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 1 de novembro de 2014

Ser quem somos


No vídeo da minha formatura, comecei com um poema sobre aquilo que a gente luta para ser. Estive refletindo o quanto nunca chegamos a ser algo, embora lutemos para fazer coisas, ter objetos e vestir roupas que representem um pouco daquilo em que acreditamos, ou, que queremos que nos manifestem.
Inevitavelmente, somos associados ao que aparentamos. Isso inclui nossos cabelos, nossa pele, nossos dentes e nosso “estilo”. As músicas que ouvimos (e as que não ouvimos), os livros que lemos (ou não lemos), as postagens no blog ou na rede social. Cria-se uma confusão: nós somos mesmo isso ou nós queremos ser? A pessoa que posta muito sobre política realmente entende sobre política, ou apenas deseja ser reconhecida como tal? Quantos são os artefatos que nos utilizamos para passar as imagens que queremos passar? O que nos compõe e, por quanto tempo? Ainda sou a mesma da semana passada? Dá tempo de ser alguma coisa?
É difícil falar de ser algo quando nada que podemos ser é palpável. Vestir uma camiseta de banda não o faz roqueiro, nem entender daquela banda, mas automaticamente é assim que as pessoas veem quem usa camiseta de banda, pois é essa a representação, a imagem que vende. O conceito embutido nas marcas pode dizer alguma coisa sobre como quem as usa quer ser visto. Mais difícil ainda para saber quem alguém é (ou quem eu mesmo sou) é o fato de que a acessibilidade misturou tudo: todos são mil coisas ao mesmo tempo, muito rapidamente; todos tornaram-se marketeiros de si mesmos. Pequenos retoques e temos um conceito: a menina de óculos retrô é a inteligente descolada; o carinha de cabelo no olho é emo (isso ainda existe? WTF); a de tubinho curto é periguete. Quem sabe, no fundo, despidos de tudo isso, ninguém seja nada, apenas não possamos fugir de nossas classificações. São rótulos investidos por imagens (sempre elas!) que ditam ao mundo a o que nos associar, ou, deixar de fazê-lo.

Desde que o SER deixou de simbolizar uma essência para ser expresso através da posse, são os objetos, a moda, que caracterizam quem somos ou quem as pessoas pensam que somos (e quem elas pensam que são). Como disse, creio que nunca chegamos a “ser” nada... Levamos tempo demais buscando nos integrar a algo para, em seguida, aquela conquista deixar de fazer sentido, de nos representar. Passamos tempo demais procurando fora o que deveria ser trabalhado por dentro. Procuramos títulos, prestígios, bens, ouros, para dizer que somos algo, mas no máximo chegamos a estar... Estou inteligente, estou boho chic, estou orgulhosa, estou professora, estou filha, estou namorada... Mas, posso mudar. Afinal, a mudança é característica do imperfeito. E imperfeitos é a única coisa que, mais que estarrmos, ainda seremos por um longo tempo.

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