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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Non Sense




Tem uns dias que, de repente, a vida aperta pause. Passa em slow motion, desbota, destoa. E, nesses dias, tudo perde o sentido. Não tem mais sentido lutar por aquela pele perfeita. Não tem mais sentido desejar ter a maior casa do quarteirão. Simplesmente é ridículo almejar de mais, porque naquele momento fica tão óbvio que em um dado momento tudo acaba. Que não tem sentido, não tem sentido, não tem sentido...! São aqueles dias cinzas, meio mortiços. São aqueles dias frios, dentro da gente. Em que você fica sabendo que alguém que não via há tempos morreu, mas só consegue lembrar do sorriso da pessoa. E matuta em como a vida a conduziu àquilo. Porque, até então, nada era assim tão óbvio... Tão óbvio que todos nós morreremos um dia. Tão óbvio que peles perfeitas ou mansões não vão nos livrar disso nem amenizar nossa dor. Tão óbvio que tudo o que fazemos a maior parte do tempo não nos conduz a nada verdadeiramente real... Pois passamos mais tempo idealizando que amando. Pois sempre haverá amanhãs promissores, mais um dia para um abraço, mais um dia para uma ligação. Sempre haverá mais um dia. Mais um dia com sentido...? Porque somos totalmente esquecidos que, na maior parte deles, não fazemos nada com sentido nenhum... Só um monte de tarefas rituais. Acumulando desejos e um pouquinho de ostentação... Mais um dia de obrigações, mais um dia comum, mais um dia até meu futuro chegar... Mas, dias comuns até que são bons. Num dia comum seu cachorro não é envenenado, num dia comum seu melhor amigo de infância não se suicida. De danar mesmo é o non-sense de tudo, é a ausência-presença, é o vazio existencial, é a morte que acontece antes, de dentro. Porque eu acho que se as pessoas parassem pra pensar com seriedade o mundo que vivemos, elas enlouqueceriam. Todas elas. Se as pessoas parassem pra sentir de verdade o caos que nós estamos, elas desesperariam. Todas elas. De verdade.
Mas, o que temos a maior parte das vezes não são coisas de verdade. São banais, cotidianas. São distantes, frias, indolores. São todas longe da gente. Sem sentido.
Tem uns dias que, de repente, a gente para e pensa e vê que, se quisesse, poderia ser lúcido. Mas, aí, a gente trata de afundar logo nas nossas atividades, voltar logo pras nossas coisas banais, que é pra não pensar demais e acabar querendo mudar o mundo. Ou mudar de mundo. E, nesses dias, que a gente se sente um pouquinho mais perto de Deus e menos perto até da gente mesma, a gente só faz uma prece de dor ou um minuto de silêncio e volta loguinho pro nosso mundo real, esse inventado. Se refugiar aqui, nessa farsa maravilhosa, é muito melhor e muito mais fácil. Não é preciso pensar nem sentir, só tocar os dias.