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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

O que te impede?


O que te impede de tomar a decisão que vai mudar a sua vida?
O que te impede se libertar das amarras que um dia o tempo escreveu?
O que te impede avançar, sair, dar o ponto final, tentar, agir?
O que te impede jogar fora, deixar pra lá, descartar...?
O que te impede escolher, renunciar e ser responsável por isso?
O que te impede fluir...? O que te impede ignorar...? O que te impede ser você, dar outro final, o que te impede ser feliz...?

O que te impede de voar?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A arte de viver em segredo


Ninguém sabe o que jantou na sexta; que gosta de sushi, que está lendo Fernando Pessoa. Não contou a ninguém que está super feliz, que está muito triste, que assaltou a geladeira. Alcançou cem coisas secretas, muitas boas, muitas ruins. Não compartilhou sua indignação pelo jogo de futebol; sua descrença na política, o credo da sua religião. Começou e terminou relacionamentos. Frequentou restaurantes, aprendeu francês. Não publicou que realizou um velho sonho de consumo; deixou em off uma conversa maravilhosa; não comentou que estava ocupado demais vivendo...

Prestou serviço voluntário, vestibular, concurso. Doou sangue, livros, tempo. Fez um curso de desenho, cozinhas, costura. Reformulou toda a vida, as gavetas, os e-mails. Bateu novas fotos, perdeu cinco quilos. Mas, para os outros, desapareceu, ele e sua insignificante vida. O que aconteceu com sua vontade de contar ao mundo que está progredindo, rindo muito, sendo feliz? Não aconteceu nada, literalmente. É que aprendeu a desfrutar seus sucessos e fracassos em segredo. Parou de se expor, de se colocar na vitrine. Caiu na real. Anda vivendo do lado de cá, sem timelines. Só não tem facebook, tem vida

sábado, 27 de setembro de 2014

Você me emociona


Eu não sei onde você está , mas você me emociona. Tenho sentido sua falta por todo esse tempo. Vacilando na vida, nada é tão inteiro. Parece que cada presença denuncia a sua ausência e o rombo em minh’alma não se deixa enganar. Por que não vem logo, como prometeu? Por que só aparece em meus sonhos mais doces? Você ainda não entendeu que não é mais uma fantasia boba? Eu estava aqui o tempo todo, estive crescendo, mas está difícil...
Eu te procurei naqueles meninos roqueiros, de jeans. Gostava de te vislumbrar com os cabelos dourados, olhos amendoados e um sorriso só meu. Mas, o mundo trai e nos alucina em nossos melhores ideais. Nenhum deles era o que você é e parece não importar mais como você seja. Importa só que você me fez uma promessa, o tempo está passando e não tem vindo para cumprir.Importa só que eu me sinto sozinha... e pequena, apenas uma pequena infeliz! E você seca minhas lágrimas, mas não impede que elas caiam; você também me busca, mas não anseia o encontro. Eu não te emociono?

Os anos vieram e se foram, eles já não são os mesmos. O tempo está correndo – eu já não sou mais a mesma. A próxima música é uma resposta ou foi só coincidência? Eu não sei onde você está, mas queria entender porque não posso encontrá-lo. Você me emociona e sinto saudades. Seja de que tempo for... 

sábado, 20 de setembro de 2014

Quem se presta ao silêncio?


Busco o silêncio fora, por que ele nunca se faz dentro. E eu gosto de ouvir o barulho de dentro. Não suporto pessoas que não toleram o silêncio: precisam ligar o rádio, a TV, puxar assunto. Jamais se recolher para dentro de si mesmas, preferem preencher o silêncio com qualquer lixo. Silêncio, hoje em dia, é artigo raro. Incomoda, como entender verdades complicadas, se autoconhecer ou passar um tempo só. Quem se presta ao silêncio? Quem quer realmente silenciar para ouvir? É difícil, quando respeito também se tornou artefato de luxo.

É preciso ler esse texto com os fones de ouvido. É preciso reunir a turma com o rádio ligado. É preciso dirigir com o volume alto, almoçar com a tevê ligada, chegar em casa e ligar alguma coisa. Quietude oprime, pressiona, obriga a buscar algo em si mesmo. E é aí que se vê quão vazio, sem sentido e sem significado se tem vivido. É aí que se vê como se vive no tédio, na ilusão e no... barulho. É aí que se nota quais relações são superficiais, porque o silêncio constrange. É aí que se vê como somos surdos àquilo que realmente importa.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Como é que pode ter tanta coisa na cabeça?


Eu gosto do que poucos gostam. Eu busco o que poucos buscam. Às vezes, fico aqui brigando comigo, tentando me convencer a querer o que o senso comum acha bom. Não ligar muito, sabe...
Ontem estava em uma palestra e o palestrante estava falando coisas como a impossibilidade de pensar o tempo; que em tudo buscamos justiça (se sinto sede, busco a justiça de saciá-la; se sinto frio, é justo me aquecer – aqui a justiça foi substituta do sumo bem dos filósofos); por que Alfred Nobel criou o Prêmio Nobel da Paz etc. Aí, uma garota que estava sentada ao meu lado me olhou e disse:
- Mas, esse cara filosofa, né...?! Como é que pode ter tanta coisa na cabeça?
- Como é que pode NÃO ter tanta coisa na cabeça? – me perguntei intimamente. Mas, compreendi. Ela devia ter um monte de coisas na cabeça, como o namorado, as provas do semestre (ou não, porque essa é uma preocupação da última semana de aulas), a festa do fim de semana e os sonhos legitimamente mundanos e comuns. E acho que não ser assim, consciente, deve ser muito mais fácil. No embalo, também percebi que não adianta brigar comigo: Kelly, seu mundinho próprio nunca existirá. Ele estará sempre limitado ao que identifica sua alma e àquilo que constrói, e só. Todo o resto é múltiplo: verá o branco e o preto, mas também todas as nuanças de cinzas. Sentirá o doce, o amargo além de todos os níveis do agridoce. Nunca será como ela. Sempre irá refletir sobre a impossibilidade de pensar os segundos, se realmente buscamos justiça, o que seria do mundo se Nobel não tivesse inventado a dinamite e por que é mais confortável não ter tanta coisa na cabeça.

Mas sempre se questionará também se, talvez, não seria melhor não ter tanta coisa na cabeça. Só por um dia. E se prestar a perguntas como essa.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Estou farta de ser educada


Estou farta de engolir sugestões, palpites, críticas e conselhos que não pedi. De pseudoparentes cuidando da minha vida, do meu corte de cabelo, do meu trabalho e da minha vida sentimental. De sorrir e concordar ou, simplesmente, calar, quando tenho vontade de dar uma no meio. Estou farta de não ser ouvida, de ser comparada. Estou farta de perguntas cujas respostas interessam a mim, e mais ninguém. Estou farta do desconforto que elas trazem. Farta de pessoas que não pagam minhas contas, mas mesmo assim insistem em sugerir o que é melhor pra mim. Farta da burrice alheia, que não entende meus argumentos mesmo que eu desenhe; e de todos aqueles que estão às voltas com suas vidas de mentira e ficam tentando me chamar pra roda, me obrigando a ser deselegante.
Estou farta de ser educada. De atender o telefone quando não quero falar. De receber visitas que não quero receber. Ouvir e discordar, mas não me manifestar – eu não quero mais fazer isso quando tem a ver comigo. Estou farta de aceitar convites por obrigação (convidar por obrigação já não faço mais). Estou farta das regras de conduta, convenções, protocolos, etiquetas. De como as coisas têm de ser. Compre, consuma, case e se reproduza, trabalhe 8 horas, assista televisão. Beba, viaje, faça sexo, tenha um carro e poste no facebook. Farta, farta, farta!! Farta das mentiras que os homens contam, da hipocrisia que a sociedade exige, farta até de mim, naquilo que estou farta e não tomo atitudes!

Farta de ser educada para uma civilização que não é. E questionando até onde posso aguentar mais com isso.

terça-feira, 9 de setembro de 2014


- Eu observo pessoas.
- Com que frequência?
- Todo o tempo.

domingo, 7 de setembro de 2014

Você é o carro que dirige?


Há uma marca famosa de postos de combustíveis que se utiliza do seguinte slogan em suas propagandas:

Apaixonados por carro como todo brasileiro.

Dado o número de veículos nas ruas, que só faz crescer (entre 2001 e 2011 foi registrado um crescimento de 119%, fonte aqui); também graças à expansão do crédito, talvez tal afirmação tenha um fundo de verdade. O automóvel tem conquistado um lugar cativo de status ainda mais forte que antes e, quem não tem, não troca ou não quer ter, é julgado e causa estranhamento. Parece haver um consenso de que, realmente, todo brasileiro é apaixonado por carros. E, para grande parte destes apaixonados, só existe uma explicação para quem não usufrui de transporte privado: não pode ter.
Todavia, existem algumas variáveis que não parecem ser consideradas ao taxar uma pessoa que não tem seu próprio carro:
1)      Aquela pessoa pode morar em uma boa localização e, por isso, dispensa transportes a maior parte do tempo;
2)      Aquela pessoa prefere andar de bicicleta ou a pé e pode se dar a esse luxo, pela razão citada antes;
3)      Aquela pessoa está desenvolvendo educação financeira e não quer pagar dois carros ao invés de um, esperando para comprar apropriadamente à vista;
4)      Aquela pessoa pode ser ativista ambiental com uma forte consciência de causa;
5)      Aquela pessoa simplesmente não sente falta e tem outras prioridades na frente de um carro, pois este incide em altos custos mensais.
Recentemente, assisti a reprise de uma entrevista do ator Mateus Solano onde ele dizia ter tirado carteira de habilitação somente após os 30 anos de idade, e para fazer um personagem. Antes disso, nunca sentira necessidade ou preocupação, pois não era uma coisa que o incomodava. O engraçado era o espanto de quem lhe enviara a pergunta (não sem um tom levemente machista, que quase passa batido) e, mesmo do entrevistador, já que parecia anormal alguém agir desse jeito. Como ele tinha namoradas? No Brasil, essa cultura do carro ainda é muito arraigada e, pessoalmente, não tenho esperanças que um dia deixe de ser. Os dois fatores que poderiam desempenhar uma nova consciência da população ainda estão seriamente comprometidos: o transporte público e a educação com qualidade.
Famílias que possuem um automóvel para cada membro não o fazem por necessidade, e sim, não vão e não querem ser mais conscienciosas acerca dos problemas do tráfego ou da emissão de poluentes. Preferem manter seu individualismo doentio a integrar sua parte de responsabilidade em diversos números que o trânsito apresenta diariamente. E, tão grave quanto as famílias abastadas com acesso às informações, são aquelas pertencentes à base do dispêndio consumidor, onde ter um automóvel é como um passaporte a outra esfera social. Valendo-se de seu signo de pertencimento, adoram ostentar, chegando aos lugares com a chave na mão e um arzinho de superioridade; apertando o botão do alarme com toda a pose que seu possante financiado em 60 vezes os investe.
Se ainda fosse verde...
Outra característica comum no Brasil é presentear o filho ou filha assim que completa 18 anos com um carro. Um vizinho fez isso, mas com seu jeitinho peculiar: mesmo “tendo condições” (aquilo que a classe média se gaba tanto), deu um maravilhoso fusca branco à filha que chegava a essa idade. Esse fato já conta cinco anos e dá pra contar nos dedos as vezes que a moça saiu com o carro, sempre na calada da noite, para evitar testemunhas (mesmo assim, eu vi, Muahahaha!). Já, no ônibus, usava encontrá-la com mais frequência, sem vergonha de ser flagrada.
Carro no Brasil é emponderador. E a maioria gosta de estar associada a alguma espécie de poder, mesmo que ilusório. Carro no Brasil é necessário também, pois nosso transporte público é de péssima qualidade, caro, falho e privado. Por isso, não vou discutir os benefícios de ter um veículo, pois, em muitos casos, tais benefícios são inquestionáveis. O questionável é:
1)      Julgar quem não tem carro – carro é caro, mas nem sempre o motivo para não se ter um é falta de grana. Até porque, se parar pra julgar quem tem, muitas vezes se vai achar muito mais endividados e que gastam o que não poderiam com um carro acima de seu padrão;
2)      Desrespeitar quem prefere andar de bicicleta – Acidentes que envolvem e matam ciclistas, infelizmente, são rotina no Brasil. E a discussão pela implantação de ciclovias nas cidades onde elas não existem é sempre permeada por muita polêmica. Os motoristas não gostam de abrir mão do seu espaço e não veem razões para ciclistas reivindicarem seus direitos. Uma consequência do desrespeito a quem prefere andar de bicicleta são os atropelamentos: em São Paulo, por exemplo, morre um ciclista por semana (fontes aqui e aqui). Lembrando que respeito não é tolerância. É mais do que obedecer à lei, e sim, compreender as razões e ter consideração pela escolha do outro.
3)      Julgar quem não troca de carro – Se, dada a utilidade como meio de transporte, um carro mais velho em boas condições cumpre a mesma função de um zero quilômetro, por qual razão se vai trocar de carro?

O que levanto nesse texto não é a questão da necessidade do carro, mas a vaidade de que se precisa carro novo, grande, trocado a cada ano, e o julgamento que se estende àqueles que, por alguma razão, não possuem automóvel. Ou, de que cada membro da família precise ter seu próprio carro, mesmo quando esquemas de caronas e revezamentos são possíveis. Ou, o ajuizamento míope e pretensioso que se faz a partir do carro que a pessoa tem ou deixa de ter. Ou, até que ponto o carro representa quem o dirige.
Não há resposta e reflexão sem se apropriar da pergunta. Dentre todos os questionamentos válidos que essa breve exposição buscou, a que mais precisa de um olhar ainda é:

ATÉ ONDE SOU A EXTENSÃO DO MEU CARRO?


Porque não se olha. Não se reflete. Não se apropria. Apenas, segue-se o gado e o resultado a gente vê todo dia. Pessoas que pensam que são o carro que dirigem. E agem de modo tal a fazer os outros acreditarem nisso.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sofre de poesia


- Sofre de uma doença incurável! Tem a poesia dentro dela.
Diagnóstico dado, desde cedo lutaram por lhe medicar. Injetaram-lhe as mazelas do mundo, ministraram-lhe imundícies diversas, abusaram de porcarias lícitas, mas só parecia piorar. A febre poética corroia-lhe as veias, as vistas. Dobrava-se, apoplética, sem inclinação a se curar.
Havia também quadros em que a poesia se fazia ausente e todos ao redor dela achavam que o tratamento de choque estava adiantando. Mas, mais que em seu corpo, a poesia estava profunda, arraigada, e tentar tirá-la dela era como cutucar: o tumor crescia, causando mais estragos. Os sintomas pioravam: sensibilidade aguçada, fantasia, sonhos impossíveis, utopias de um mundo melhor. Tinha poesia nos lábios, na tez, nos cabelos. Poesia nas mãos, colo, pernas, cotovelos. Quando recaía era pior, pois a poesia derramava-se por suas coisas... Poesias em cadernos, livros, na cama, na lousa...
- Seu estado agravou, não é mais possível recuperá-la...
- Mas, como? Tentamos de tudo...! Desilusões, maus tratos, abandono, mentiras, torturas, fealdade, falsidade, medos e segredos...
- Oh, então não sabe... É de tudo isso que a poesia vive. Veneno na dose certa é remédio... Só esperemos que a poesia dentro dela não se espalhe, não epidemize... Pois, se muita gente no mundo tivesse poesia... estaríamos ruídos...
E ela voltou para casa doente. Cheia de poesia.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Persona


Segunda, terça-feira.
Sorri para cumprimentar, finge interesse.
Quer falar de si, só do outro ouve.
Ri por fora e chora por dentro.
Acha que vive, mas tem certeza que morre.
É legal, simpatia, amizade, mas de si é quase indiferença.
São tantas máscaras a cada dia...
Escolha uma mais adequada ao seu trabalho.
Vá à entrevista e vista uma mais profissional.
Utilize uma bem doce com o seu amor.
Disfarce toda sua vileza com uma comum.
E não esqueça de vestir a impassível, porque ninguém pode ver que estás de máscara. Afinal, ninguém está.