About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Lone star state of mine


The more I hurt,
The less I feel,
The more I know,
The less I rest in this...

Lone star state of mine.

The more I hurt,
The less I feel,
The more I know,
The less I rest in this...

Lone star state of mine.

Say it straight,
Don't bend my ear,
When I'm walking in an evening air,
You two-step into my idle home,
And tearing my song all up with minor chords now.

The more I solve,
The less I work,
That can't be good for some boy out of love,
Out of touch, out of lust, out of soul,

N'Out of song.

*Canção composta por River Jude Phoenix.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

À Vontade


É assim que me sinto quando visualizo o meu cantinho. Chegar a casa e me libertar das sapatilhas, dançando no piso fresquinho como Nureiev... Baixar a agulha da vitrola e curtir um som baixinho... Ou deixar o silêncio preencher os cômodos enquanto relaxo apreciando meia taça de vinho tinto. Pijamas e meias, roupão e toalha na cabeça, avental e cozinhas vegetarianas.... À vontade com a bagunça das araras, para falar com a samambaia e misturar a biografia de Chanel aos apelos hobbesianos do Leviatã. Estante colmeia cuspindo clássicos de capas coloridas, penteadeira provençal, minha maravilhosa cama queen size com capitonê e um quarto inteiro como closet... Afinal, o apêzinho tem dois quartos e irei dormir espalhafatosamente em apenas um deles... Home Office bem espaçoso, um cantinho para costura e um lugar especial para leitura. Seria bom ter um ateliê, mas quem precisa de um também tem criatividade para transformar qualquer ambiente em arte!
Há mais vida ali que metros quadrados. Mais livros que tempo para lê-los! E mais gostosura que festa de criança... O cheiro das flores no aparador parece delatar que sua moradora é uma romântica insuperável. O perfume no ar parece memorar que anda apaixonada... Apaixonada por quem? Pela vida. Agora, ela pode sorrir e dizer que já encontrou o seu lugar. Refugiar-se com um almofadão no tapete felpudo e assistir um filme ou, simplesmente, olhar para o teto. No janelão, uma luneta aponta pra lua, aquele lugar que passa tanto tempo... É que depois de girar com o dedo o globo decorativo, é sempre bom saber que existe um lugar só da gente. Mesmo que ele não esteja no mapa.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

17 de março: meu segundo aniversário


- Eu já lhe falei que eu quase fui atingida por um raio? Duas vezes?!

Hoje faz 7 meses. Enquanto ouço os estrondos dos trovões e vejo os clarões pela minha janela, sinto como se estivesse naquele dia. Parece que foi ontem. Mas... 7 meses. Ontem um raio matou uma menina em Canguçu. E quando li a história dela, não pude deixar de pensar naquele dia.
Eu havia descido ao litoral para ajudar minha mãe com os papeis de um terreno. O tempo estava se preparando para desaguar um toró quando resolvi ligar ao meu irmão na cidade, para avisar que havíamos chegado. Quando voltava do telefone público, com o cartão na mão, fui surpreendida por um raio cortando os ares entre meu corpo e o portão da casa. Eu devia estar a centímetros do portão e foi por essa brecha que o raio passou: um fio fino, luminoso, quente. Senti seu calor na pele do meu braço e os pelos eriçarem; ouvi seu barulho ensurdecedor como se estivesse sentada em uma cadeira elétrica: ZZZZZZzzzz. Então, a atmosfera ficou diferente, o ar parecia suspenso... Acho que meu coração parou por um instante. Só depois, gritei. Um grito agudo, curto. Eu não estava assustada. Eu estava viva.
O canto da janela do vizinho, de madeira, onde o raio pousou, ficou destruído. No chão, seu rastro perfurador. Eu nunca vou ter palavras para descrever o que eu vi. Mas, de minha memória, aquele clarão e aquele ZZZzzz nunca mais sairão.
Corri pra dentro e larguei cartão de orelhão e mais alguma coisa – minha chave, talvez – na mesa. Voltei-me rapidamente ao varal, quase junto à varanda, para recolher umas toalhas ainda úmidas do banho. Foi quando aconteceu o segundo raio, ainda mais violento que o primeiro, porém mais curto. Outra vez, passou ao lado do meu braço esquerdo, mas arriscaria dizer que ainda mais perto. Esse foi verdadeiramente um quase. Eu estava na rota dele. Dessa vez, eu dei por mim mais depressa. Larguei o que estava fazendo e fui acalmar as batidas do meu coração. Minha mãe testemunhou tudo. Ela sabe que eu estou aqui por... sorte? Ou porque Deus tem outros planos pra mim...?
Naquela segunda-feira eu nasci outra vez. Aquela semana eu pensei muitas coisas, eu apertei pause. Eu pensei o que eu queria da vida e o que ela queria de mim. Eu pensei que, se tivesse morrido aquele dia, não tinha dito ao meu irmão no telefone que o amava, e nem às outras pessoas importantes na minha vida. Eu me perguntei se estava fazendo o que gostava e se havia me esforçado o suficiente pelos sonhos que não realizei. Esqueci as preocupações, os medos. Lembrei das estrelas, lembrei de Deus...
Hoje faz 7 meses e acho que precisava trazer tudo isso de volta para entender que, se estou aqui, há um motivo. Deve haver um motivo para as coisas serem como são – ou não?
Precisava rememorar aquele 17 de março – que nunca mais sairá de mim – para dar um abraço em mim mesma e festejar a pessoinha incrível que eu sou. E perceber que, se os últimos dias ou tempos não têm sido fáceis, posso, ao menos, me reconfortar com as imagens inolvidáveis desse outro dia, e meditar que, alguma razão teve para aqueles raios não me atingirem.
Se eu tivesse morrido em 17 de março de 2014, eu teria, sim, tido momentos grandiosos na vida, mas meus últimos dias antes da morte estariam de pouco acordo com quem eu quero ser, com o que acredito... De todas as promessas que fiz a mim mesma, as que precisam se cumprir são a minha alegria, a minha leveza... a minha verdade e a minha esperança de que dias melhores me aguardam...
Obrigada, 17 de março, por me fazer enxergar; por, desde então, me acompanhar.

Como a fênix, talvez eu tenha de renascer muitas vezes ainda.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sem palavras


Ultimamente, passo horas com a caneta na mão, mas as palavras não vêm. A folha em branco tem se mostrado mais implacável que nunca – as letras bailam, se atropelam, tropeçam. Porém, não formam pensamentos lineares, não conversam – bruscamente se buscam e se repelem para voltarem a soar no vazio. Nosso casamento tem estado em crise.
- Você só quer servir à veia científica – reclama a veia literária.
- É você que domina a mente dela, assediando com mil propostas indecorosas e impede que se dedique inteiramente a mim – a veia científica replica, indignada.
É uma luta silenciosa, sem palavras. Sinto como se mergulhasse minha anima numa folha de jornal gigante e me engasgasse engolindo alfabetos inteiros – mas sempre soltos, sem sentido. Formo mil anagramas, jogo palavras cruzadas, jogo palavras ao vento. Perco-me e encontro-me no cemitério dos textos esquecidos. Só que nunca volto inteira... Por mais que as palavras me completem, não é sempre que elas não toam perfeitamente estranhas a mim.
- Talvez esteja na hora de escrever um novo livro... – a veia literária presta-se a nova sedução, indecente.
- Você tem que terminar a dissertação – queixa-se a veia científica, sentindo-se ameaçada.

- Não tenho palavras pra vocês – dou minha palavra final. E com essa frase de efeito, corro publicar um texto no blog: pelo menos assim, me engano.

sábado, 4 de outubro de 2014

Que pensem que sou mais uma arigó


Pra quem te vê como você não é. Ou não te vê como você é. Sabe aquele parente que não dá nada por você? Ou aqueles conhecidos que adoram ostentar de tudo. Se você usa camiseta e jeans porque se sente bem, as pessoas ignoram o quanto sua elegância é natural num tecido de corte. Se você não se gaba das aventuras turísticas ou evita a shoppinguização dominical de praxe, parece que você está excluído.
Eu tenho deixado que pensem que sou mais uma arigó. Que todos têm, são, sabem mais que eu, em todos os sentidos. Tenho ficado séria, mas rido por dentro. Rido daquelas pessoas que “corrigem” pronúncias em inglês. Rido daquelas que perguntam como está o trabalho. Rido das que supõe minha vida comum. E sei que parece pretensão, porque a maioria está, de fato, ocupada com sua própria vida. Mas, basta um encontro social, um telefonema, que você já percebe o que cada um pensa de si. Da sua vida pessoal, financeira, afetiva. Os olhares e as falas denunciando os pensares, sempre deixando entrever. “Estudas, estudas, perdes tempo, nada tens!”. Pensam que sou mais uma arigó. Que ganho pouco, tenho um mal emprego (inclusive do meu tempo), pouca ou nenhuma conquista prática. Que não tenho boca ou personalidade; que fico para trás, como se competir com eles me importasse. E eu me contorço de rir (por dentro, claro, porque sou muito respeitosa). Ah, se essa gente soubesse o que penso dela... Ah, se conhecesse pormenores da minha vida... O nível das pessoas que me relaciono e o pouco que me impressiono com o que para eles é um Oh!... Ah, se soubessem que pra mim os arigós são eles...

Entretanto, tenho preferido que me vejam assim, como num plano secreto... Pois, jeans e camiseta são tão confortáveis, mas... tem muito tecido de corte esperando a arigó aqui 8) 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sem face, Sem nome


Sem face.
Ele podia ter o seu rosto.
Ele podia ter o meu rosto.
Ele podia ser qualquer pessoa.
Menos mais um na multidão.
E ele podia passar dias em crise, tocar seu violino, escrever poesias.
Ele podia odiar o seu mundo e voltar a amá-lo ainda em um dia.
Se perder, se achar era mesmo com ele, tinha a ambiguidade de um camaleão.
Perdia-se em trabalhos, cigarros, garagens...
Achava-se em cartazes, causas, molecagens...
E quando com sua força ainda estava brigando
Queria dar um tempo, um pause, um restart.
E quanto de si estava desrespeitando? Ferido, mutilado, encarniçado...
Com a vida, com os astros, com os vermes do chão...
Quanto mais ainda podia suportar...?
Queria ter mais voz, mais tom, mais pulso...
Mas as vozes exteriores sempre o faziam voltar.
Achava que o limite já havia chegado e queria poder desfrutar mais as delícias da solidão. Mas, sozinho, era tudo e era nada; agarrava-se às horas com a melancolia fazendo morada...
Ele podia pensar como eu, como tu.
Vivia semanas previsíveis, ultrajado com sua pequenez.
Podia acreditar nas propagandas, nas boas intenções e no horário eleitoral. Proteínas, teorias, no bem e no mal.
Podia ser mais um, mas não escolhera ser.
Sem nome.

Sem nome.
Podia ser mais um, mas não escolhera ser.
Podia acreditar nas propagandas, nas boas intenções e no horário eleitoral. Proteínas, teorias, no bem e no mal.
Vivia semanas previsíveis, ultrajado com sua pequenez.
Ele podia pensar como eu, como tu.
Achava que o limite já havia chegado e queria poder desfrutar mais as delícias da solidão. Mas, sozinho, era tudo e era nada; agarrava-se às horas com a melancolia fazendo morada...
Mas as vozes exteriores sempre o faziam voltar.
Queria ter mais voz, mais tom, mais pulso...
Quanto mais ainda podia suportar...?
Com a vida, com os astros, com os vermes do chão...
E quanto de si estava desrespeitando? Ferido, mutilado, encarniçado...
Queria dar um tempo, um pause, um restart.
E quando com sua força ainda estava brigando
Achava-se em cartazes, causas, molecagens...
Perdia-se em trabalhos, cigarros, garagens...
Se perder, se achar era mesmo com ele, tinha a ambiguidade de um camaleão.
Ele podia odiar o seu mundo e voltar a amá-lo ainda em um dia.
E ele podia passar dias em crise, tocar seu violino, escrever poesias.
Menos mais um na multidão.
Ele podia ser qualquer pessoa.
Ele podia ter o meu rosto.
Ele podia ter o seu rosto.

Sem face.