About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 29 de novembro de 2014

Datas que já não importam


Os anos vão passando e nos trazendo sempre constatações. Coisas que importavam demais há cinco anos atrás, hoje não fazem a mínima diferença. Pessoas que eram o nosso mundo, em dado momento, hoje não têm a menor importância. Datas que eram comemoradas com sofreguidão antes, agora, passam em branco.
Não é que o que aconteceu tenha perdido o significado, propriamente. A verdade é que, com o passar do tempo, as coisas se rearranjam, e aquela lembrança bonita fica esquecida no passado.
As memórias já não trazem a mesma substância – vêm com um olhar mais maduro, menos sentimental, mais abrangente sobre o que aconteceu.

Não é que se voltasse no tempo, seria diferente. Não seria. A gente sempre dá tudo o que pode e, por isso mesmo, os resultados são sempre os melhores que podem ser. É só que, nesse tempo, agora, aquilo deixou de importar. Aquele dia, aquela pessoa, aquele sonho, aquelas conversas. Foi embora e abriu espaço pra mais gente, mais sonhos, mais conversas chegarem. São fatos que simplesmente passaram e se assentaram no tempo. São datas que já não importam mais.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Quando foi...?


Quando foi que eu me tornei tão crítica? Olhar tão impassível sobre tudo, jeito tão exagerado de contemplar...?
Quando foi que me tornei insensível...? De passar por um pedinte em trapos e sequer lhe endereçar um olhar?
Quando foi que passei a ser coadjuvante... perdida em ilusões e devaneios, em disputas com dragões e fogueiras...?
Quando foi que parei de me ver como realmente sou...? Que passei a me olhar com os olhos dos outros...? O que aconteceu com os meus, por que tudo mudou tão drasticamente?
Quando foi que meu orgulho passou a importar mais...? Que o sorriso infantil deixou de me enlevar...? Quando foi que eu permiti que as agruras do mundo me tomassem desse jeito...?
Quando foi que eu me tornei tão triste... tão pequenina num mundo tão grande...?
Quando foi que perdi o sentido... mesmo com sonhos e realizações gigantes...?
Quando foi que, mesmo tão jovem, passei a me sentir velha e fraca?
Quando foi que me perdi de mim... Que passei a viver só sob as lentes do meu cansaço...?
Ah, quando foi, eu já não sei... Mas, tem muita coisa que eu não gosto em mim. No meu jeito, na minha visão, no meu aspecto, no meu ceticismo... E não é um ceticismo por ter perdido a fé. É que ela parece nunca ter existido em relação à humanidade. Mas, tenho a impressão que uma vez cheguei a pensar que essa raça pudesse ser boa. Agora, ando amarga. Parei de ver o lado bom das pessoas. Será que eu perdi o meu?
Quando foi que eu me tornei isso...? Não sei... Mas, nunca é tarde pra mudar o olhar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Hoje eu não vou te cobrar nada


Hoje eu não vou te cobrar nada. Nem que acerte o passo, nem que acerte o ritmo. Não vou te cobrar que tire o relógio para ficar à vontade, ou os sapatos. Não vou te cobrar que faça o que puder, o esforço que não pode. Nem que tenha pressa ou calma, paciência ou fôlego; não vou te cobrar aquilo que só te incomoda.
Hoje eu não vou te cobrar que abrace. Que coma mais um pouco ou passe a tarde sem comer. Não vou te cobrar que leia mais depressa, ou mais coisas. Não vou te cobrar que mate a saudade e viva simplesmente o dia. Não, eu não vou te cobrar.
Hoje eu não vou te cobrar que pare de ter medo. Não vou te cobrar que sinta confiança, que apenas se entregue. Não vou te cobrar as palavras, ou o silêncio. Não vou te cobrar a serenidade que tanto quer receber.
Hoje eu não vou te cobrar que consiga escrever sobre as coisas que te são mais caras. Eu sei que nunca consegue. É engraçado, pois nessa hora parece criança a fazer garatujas, tudo se engasga dentro de si e não sai nada que preste. Deixa pra lá, hoje eu não vou te cobrar.
Hoje eu simplesmente não vou te cobrar. Vou deixar que seja o que seja. Vou largar para o deus-dará. Vou soprar ar em seus pulmões, mas não vou te cobrar que respire. Vou permitir que deixe tudo ir embora, assim. Que não reste nada, a não ser a ansiedade que entrelaça os dedos. Não vou te cobrar respostas, questionamentos. Não vou te cobrar plenitude, a paz que não tem.

Hoje eu não vou te cobrar nada e esse será o meu presente. Não vou te cobrar, sequer, que não se presenteie com algo que goste; que deixe o dinheiro lá, e não mexa; não vou te cobrar que reflita, você, que já reflete demais. Sinta o que tiver de sentir, faça o que tiver de fazer... E permaneça inteira. Porque hoje – só hoje – eu não vou mesmo te cobrar nada.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sonhei com você


Tão nítido. E ao acordar, a saudade veio me abraçar. Estava mais vivo, mais pleno. Estava como vive nas minhas melhores lembranças.
Hoje eu ouvi falar de você e, então, as lágrimas vieram. Elas nunca foram embora, a dor nunca se dissipou – é só disfarce. Eu sonhei com você como sempre, aquele meu presente que doeu muito me desfazer. Eu lembrei de como você me protegia, de como éramos tão ligados, e eu senti falta desse amor que nunca mais encontrei. Reviver aquele dia me asfixia. Remexer aquelas memórias ferem fundo. Quase sete anos e tudo o que eu tenho é um amor ainda maior, sem igual. Mas, me consola que, sempre que sonho com você, me acontece tanta coisa boa... Como no dia em que, em prantos, pousei a cabeça no travesseiro e pedi a Deus: mande alguém que me ame.... Mostre-me em sonhos alguém que me dê motivos para continuar, para prosseguir, pois já não tenho forças... E, na manhã seguinte, acordei chorando... Com você muito vivo em mim, eu quase podia tocá-lo...

Eu sei que você está bem, e é isso que me consola. Eu vou buscar forças no seu amor agora, para vencer tudo o que vier – dizem que o amor vence tudo! Nada pode ser mais forte e, melhor, nada nem ninguém pode tirar o que aconteceu. Continue voando, firme e forte, pois em meu amor, sempre encontrará um ombro amigo para pousar.

sábado, 8 de novembro de 2014

Morar sozinho promove autoconhecimento


Morar só é uma forma perfeita de se autoconhecer. Perceber os próprios horários, os próprios ritmos. Se prefere o barulho ou o silêncio. Gerenciar os próprios gastos, gostos. Se tende mais para bagunceiro ou organizado. Estudar as próprias manias, cozinhar mais que macarrão instantâneo, cuidar das próprias coisas... E, realmente, não ter ninguém para pôr a culpa é um exercício de amadurecimento muito grande!
Eu já disse aqui antes que acho que todos deveriam ter a experiência de morar sozinhos por pelo menos 1 ou 2 anos. Em tempos de Geração Canguru, a maioria só sai da casa dos pais com a vida feita, para o casamento ou estudos que exijam distanciamento – mas, nesses dois casos; no primeiro, já passam a viver com outra pessoa; no segundo, continuam dependentes economicamente.
Mesmo defendendo que todos deveriam experimentar, entendo também que isso não é para qualquer um. Planejar, ter certa disciplina, sustentar-se, viver-se. Muitos não ficam bem relegados à própria companhia.
Quando eu fui pesquisar sobre morar sozinha, tempos atrás, me deparei com coisas muito bizarras. Como textos com a frase “Bati o pé e fui morar sozinha”; sites sobre o assunto que carregavam tanto no merchan que, com certeza, as leitoras pagavam o aluguel da dona do site; pessoas que não sabiam que o lixo não se tirava sozinho (conte-me mais quão inútil você é...) e outras (ou as mesmas) que buscavam ter seu próprio canto para, ilusoriamente, promover festinhas 24 horas e buscar uma suposta “liberdade” dos velhos (que os continuariam bancando). Acho a maioria dessas expressões muito ridícula, pois legitima essa cultura brasileira de uma geração que se acha genial e pensa que merece tudo. São terneirões que mamam nas tetas dos pais enquanto conseguem e só pensam em sair de casa se isso significar alguma espécie de vantagem.
Eu não achei nenhum material que enlevasse o autoconhecimento. O mais próximo disso, dizia respeito a quanto ficamos exigentes com as companhias; como era bom não ter de bater na porta do banheiro; como a solitude pode ser requisitada (mesmo assim, usavam a palavra solidão, não solitude). Acredito que existem várias razões para ter a vontade de morar sozinho, mas para realizá-la não é preciso encontrar razões. A partir de certa idade, em certas situações, passa mesmo a ser uma necessidade, um exercício de autorrespeito, uma condição que não prescinde. É praticar o amor próprio, é desvincular-se de quem lhe vampiriza, é priorizar a qualidade do tempo e do espaço ao invés do dinheiro que se poupa com a ausência dela (no caso de quem não sai de casa pela questão das despesas). Percebo que ter a coragem (pois, sim, muitas vezes é preciso coragem) para romper com o estabelecido e se lhe impor uma nova maneira de atuar no mundo é buscar amadurecer, além de já ser, por si, bastante amadurecedor! Cair, levantar, aprender com os erros, permitir-se errar, deixar de ser amparado. Os pais de hoje pensam que estão protegendo os filhos, ao lhes oportunizarem tudo o que “não tiveram”;  resguardam-nos dos “perigos” do mundo, mas não compreendem que eles mesmos estão a lhes fazer um mal, uma vez que a vida não passa a mão na cabeça de ninguém. É preciso educar para a autonomia, deixar se ralar um pouco – tanta superproteção está nos dando uma geração de adultos mimados, que pensam que tudo pode ser do jeito deles. Corpos grandes e mentes pequenas. Não se esforçam por nada, não cativam nada; tudo é angariado com o bolso do pai e o colo da mãe.  
Se é para sair de casa e continuar sendo sustentado pelos pais, é melhor não sair. Administrar e trabalhar pelo próprio dinheiro também faz parte de “ser gente grande”. Ser dono do próprio espaço também implica responsabilidade, atitude, e não um sonoro “bati o pé e resolvi sair”. Se a novinha bateu o pé e os pais permitiram, vai continuar a ser uma inútil, aquela criança de 5 anos para quem a negativa no supermercado significa apenas o esforço do escândalo. Um disfarce. E, não, desculpa. Morar sozinho exige bem mais que isso. VIVER exige bem mais que isso! Não é de quem pensa que a louça se lava sozinha e que ter um apê significa surubas ardentes que o mundo está precisando. Mas, tem alguma coisa errada, porque é dessas pessoas que ele tem se alimentado.
Por fim, morar só vai ainda além do autoconhecimento. É um teste às capacidades, é uma prova de que se é idôneo para assumir a si mesmo. Tanto nas coisas mais básicas do dia-a-dia como nas mais complexas, imprevisíveis. Abastecer o próprio carro e comprar a própria comida, ver de onde sai. Não ficar emburrado ao encontrar opiniões como essas, ler o texto até o final. Porque bater o pé e sair de casa é fácil. Quero ver não ter diarista, mesada e receber as contas; quero ver ser apenas um adulto, isso que está meio em extinção, mesmo na maquiagem da falsa maturidade.

 E é claro que dá pra dançar sozinha, promover jantinhas, receber o gato ou ficar desesperado, sem grana. Claro que dá pra chamar os amigos, beber cerveja, jogar vídeo game e ficar deitado até tarde. Mas, melhor que isso é perceber-se competente, realizador. Melhor que isso é perceber-se capaz, passar a ser útil (para os pais, a sociedade e para si mesmo). Porque trocar a lâmpada e desentupir o banheiro (seja como isso for...) também agregam caráter. Mexer com a merda nos torna pessoas melhores. E o autoconhecimento e a autoeducação são o mais perto que podemos chegar de progredir um pouquinho. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

No que sou como elas?


Se é verdade que cada defeito que nos incomoda nas outras pessoas tem um correspondente na gente, tem bastante coisa em mim que eu estou procurando.
Estou procurando o meu lado que se intromete onde não é chamado e dá palpite em tudo.
Procuro meu lado que implica, por vezes, pelo puro prazer de teimar.
Estou procurando meu dedo apontado para a jugular dos outros.
Minha opinião nas dietas, cortes de cabelo e decisões das outras pessoas.
Procurando meu arzinho arrogante, crítico de toda obra, como se pudesse, atestadamente, fazer melhor.
Sério, tem pessoas que tomam liberdades que eu também estou procurando em que momento eu permiti que se atrevessem.
Eu não me importo se os outros estão normais ou de perna pra cima.
Muitas vezes, eu me calo, mesmo tendo um puta argumento, somente para não entrar em uma discussão inútil.
Por mais que julgue mentalmente, sou educada o bastante para não dar opiniões que não sejam solicitadas. E quando as dou, o faço com toda prudência.
As decisões dos outros, por mais equivocadas que me pareçam, omitem toda a bagagem e motivações que os levou a tomá-las, por isso respeito.

Mesmo assim, por todos os lados, sempre atraio pessoas com defeitinhos detestáveis, e agora quero perscrutar em mim onde eles estão se escondendo. Se é verdade que somos reflexo dos que nos chegam, deve ser também que seus defeitos deixarão de me incomodar, assim que corrigi-los em mim.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Não gosto de visitas


Não gosto de gente em casa: simples assim. Nem que vem de surpresa, nem com hora marcada. Não sei receber direito, nunca sei se ser eu mesma basta ou se preciso ficar atendendo protocolos. Não gosto de ter que agradar, ser meio falsa. Tem dias que a gente está mais pra dentro, e isso não se escolhe. Não gosto das pilhas de louças engorduradas depois do almoço, dos dedos furungando as almofadas, ansiosos; não gosto do povo pegando nas coisas sem lavar as mãos... Sou muito chata pra isso e não acho que é exagero meu que se tenha as mãos higienizadas após pegar o celular ou acariciar o cachorro... Ainda mais, ao sentar à mesa! Mas, como vou educar essa gente? Colar cartazes, escrever na lousa da cozinha, promover uma campanha no facebook? Fico constrangida.
Não gosto de visitas que vêm em turmas, em manadas... Tipo, famílias inteiras, com os namorados das filhas e o linguicinha. Não gosto de visitas que têm crianças... Mexericam meus livros na estante, meu PC, meu violão... Não gosto de cozinhar pra visitas... Tachos e tachos, barulho, sujeira... Vamos esquecer esse negócio de comunhão... Há bons restaurantes pra isso. Também não gosto quando todas as visitas falam ao mesmo tempo, mas até prefiro quando a visita que veio só pra comer se flagra e vai abrindo os armários, metendo-se a fazer a sobremesa...
Não gosto das visitas matinais – principalmente naqueles dias que se quer dormir até mais tarde. Não gosto também das visitas que se convidam, ligando meia hora antes pra saber se vai ter gente em casa.
Eu não gosto de visitas. O que não corresponde a não gostar de receber quem eu gosto em casa. Se for combinado, de comum acordo; se for em pequenas quantidades ou reuniões mais íntimas. Gosto de reunir os amigos em pequenos jantares, onde podemos fazer uma boa refeição juntos e jogar conversa fora. Todos colaboram, fazem supermercado, opinam na sobremesa, cozinham. Esses encontros que eu e alguns amigos promovemos já há alguns anos e que constituem visitas mútuas, mas sem a obrigação da polidez ou de ter de ficar medindo as próprias ações.

E não gosto também de hóspedes. Para mim, são só o exponencial das visitas, com o agravante de que vou ter que dividir minha privacidade. Mas, tem uma atitude das visitas que realmente me deixa satisfeita: não, não é só quando ligam desmarcando... Verdadeiramente, quem lava as mãos antes das refeições, sem eu mandar, sempre ganha um ponto comigo!

PS: Eu gosto de visitas no blog, whatever.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Solitude


Sinto falta de solitude, gosto de estar comigo. O tempo me fez exigente quanto a barulhos alheios, suas expressões de tristeza e dor que mereciam vivenciar a sós. Tem coisas mesmo que é preciso fazer sozinho: tocar seu violão quando está triste, ouvir sua música no volume que quiser, buscar o silêncio contemplativo. Talvez esteja é meio calejada de não viver minha solitude, de não atendê-la quando se apresenta ou de lidar com os que fogem das suas.

Solitude... Como gosto de estar contigo.

sábado, 1 de novembro de 2014

Ser quem somos


No vídeo da minha formatura, comecei com um poema sobre aquilo que a gente luta para ser. Estive refletindo o quanto nunca chegamos a ser algo, embora lutemos para fazer coisas, ter objetos e vestir roupas que representem um pouco daquilo em que acreditamos, ou, que queremos que nos manifestem.
Inevitavelmente, somos associados ao que aparentamos. Isso inclui nossos cabelos, nossa pele, nossos dentes e nosso “estilo”. As músicas que ouvimos (e as que não ouvimos), os livros que lemos (ou não lemos), as postagens no blog ou na rede social. Cria-se uma confusão: nós somos mesmo isso ou nós queremos ser? A pessoa que posta muito sobre política realmente entende sobre política, ou apenas deseja ser reconhecida como tal? Quantos são os artefatos que nos utilizamos para passar as imagens que queremos passar? O que nos compõe e, por quanto tempo? Ainda sou a mesma da semana passada? Dá tempo de ser alguma coisa?
É difícil falar de ser algo quando nada que podemos ser é palpável. Vestir uma camiseta de banda não o faz roqueiro, nem entender daquela banda, mas automaticamente é assim que as pessoas veem quem usa camiseta de banda, pois é essa a representação, a imagem que vende. O conceito embutido nas marcas pode dizer alguma coisa sobre como quem as usa quer ser visto. Mais difícil ainda para saber quem alguém é (ou quem eu mesmo sou) é o fato de que a acessibilidade misturou tudo: todos são mil coisas ao mesmo tempo, muito rapidamente; todos tornaram-se marketeiros de si mesmos. Pequenos retoques e temos um conceito: a menina de óculos retrô é a inteligente descolada; o carinha de cabelo no olho é emo (isso ainda existe? WTF); a de tubinho curto é periguete. Quem sabe, no fundo, despidos de tudo isso, ninguém seja nada, apenas não possamos fugir de nossas classificações. São rótulos investidos por imagens (sempre elas!) que ditam ao mundo a o que nos associar, ou, deixar de fazê-lo.

Desde que o SER deixou de simbolizar uma essência para ser expresso através da posse, são os objetos, a moda, que caracterizam quem somos ou quem as pessoas pensam que somos (e quem elas pensam que são). Como disse, creio que nunca chegamos a “ser” nada... Levamos tempo demais buscando nos integrar a algo para, em seguida, aquela conquista deixar de fazer sentido, de nos representar. Passamos tempo demais procurando fora o que deveria ser trabalhado por dentro. Procuramos títulos, prestígios, bens, ouros, para dizer que somos algo, mas no máximo chegamos a estar... Estou inteligente, estou boho chic, estou orgulhosa, estou professora, estou filha, estou namorada... Mas, posso mudar. Afinal, a mudança é característica do imperfeito. E imperfeitos é a única coisa que, mais que estarrmos, ainda seremos por um longo tempo.