About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Desenha-me um carneiro...


Está tudo uma bagunça, eu nem consigo escrever. É como surgir do nada e dizer coisas sem sentido. O que já amei eu desprezo, não ligo muito para nada, sei lá. Tudo o que posso fazer é viver das minhas fantasias e debochar das do mundo. O que posso fazer é me refugiar no meu próprio B 612. Com pernas cansadas e tão fortes. Com a mente sadia, e tão doente.
Nada à minha volta agora me corresponde. Me sinto uma alma velha em um corpo tão jovem. Vejo faces sem expressão e todas elas se fazem espelho. Onde o caminho se perdeu de mim e me perdi de si?
Ruas e desventuras. Sonhos e agruras. Já nem sei de mim, se me sou. Fraca e desnorteada. Profunda e tão rasa.
Está tudo uma bagunça e eu nem consigo escrever. Por isso, é sempre tão mais fácil concluir do jeito que eu começo o texto...

3 comentários :

Robson Corrêa disse...

"Nada, nada tinha importância e eu sabia por que. Do fundo do meu futuro, durante toda esta vida absurda que eu levara, subira até mim, através dos anos que ainda não tinham chegado, um sopro obscuro, e esse sopro igualava, à sua passagem quente, tudo o que me haviam proposto nos anos, não mais reais, que eu vivia. Que me importavam a morte dos outros, o amor de uma mãe, que me importavam o seu Deus, as vidas que as pessoas escolhem os destinos que as pessoas elegem, já que um só destino devia eleger a mim próprio e comigo milhares de privilegiados que, como ele, se diziam meus irmãos. Ele compreendia? Ele compreendia o eu queria dizer? Todos eram privilegiados. Só havia privilegiados. Também os outros seriam um dia condenados. Também ele seria um dia condenado. Que importava se, acusado de um crime, ele fosse executado por não ter chorado no enterro de sua mãe? O cão Salamano valia tanto quanto a mulher dele. A mulherzinha-autômato era tão culpada quanto a parisiense com quem Masson se casara, ou quanto Marie, que queria que eu me casasse com ela. Que importava que Raymond fosse tão meu amigo quanto Céleste, que valia mais do que ele? Que importava que Marie oferecesse hoje a boca a um novo Meursault? Será que compreendia, portanto, este condenado? E que do fundo do meu futuro… sufocava gritar tudo isso."

L'Étranger (em português O estrangeiro) é o mais famoso romance do escritor Albert Camus. A obra foi lançada em 1942

Felipe disse...

Gosto do seu blog.Bem poetico e sincero.

Kelly Phoenix disse...

Obrigada, Felipe. Bem-vindo!

Postar um comentário