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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ser mãe não deveria ser um sonho



Vê-se por aí tantas mulheres alimentando o sonho de ser mãe. Reféns de uma imagem construída pela publicidade e pela dramaturgia, onde a maternidade reflete o que há de mais especial e iluminado em uma mulher. É assustador como não existe nenhum pré-requisito para ter filhos próprios. Adotar, que poderia ser um procedimento simples, uma vez que são crianças sem lar, torna-se um tormento burocrático, onde mil comprovações são necessárias. Todavia, ter filhos naturais não exige nada: condição psicológica, financeira, estrutura emocional, nível cultural – nada. Qualquer um faz e tem filho. Vá um pobre desgraçado, ainda que cheio de boas intenções, tentar adotar uma criança para ver se consegue?! Exige-se uma lista tão grande de qualificações que os candidatos a pais adotivos precisam ter, no mínimo, discernimento para refletir se vale mesmo a pena tentar. Entretanto, ter filhos legítimos qualquer um pode, e parir e criar de qualquer jeito. A superpopulação, aliás, mostra como estamos carentes de gente no mundo [sic!].
E quando ser mãe é um sonho, isso sempre será um problema. Essa mãe vai querer ser perfeita – objetivo impossível, até porque os ideais de perfeição variam de acordo com as noções de cada um. Na maior parte dos casos, ela vai superproteger e superestimular, muitas vezes, criando um ser humano totalmente despreparado para o mundo. Conheço algumas mães com filhos pequenos que os tratam como um “sonho realizado”. Todos os desejos atendidos dos filhos são, para elas, apenas reflexo de que possuem condições financeiras para atendê-los – indiferente à relevância do desejo. Gastos altíssimos com escolas e materiais escolares “de marca” são justificados como preocupação com a educação. Quartos imensos e grifes são necessidades e tablets e celulares permitidos desde bebê, pois “essa geração já nasceu conectada”. Essas pessoas acreditam mesmo nisso? Creio que sim. E talvez esse seja o fato mais alarmante.
Quando filhos são um sonho, a festa de aniversário de 1 aninho é mais importante que a formação do caráter. Um quarto cheio de brinquedos – que, no máximo, a criança curte meia dúzia – é padrão de sucesso e a roupa interessa mais do que sujá-la brincando como queira.
Eu tenho asco sempre que vejo uma dessas mães por aí. Desfilando com seus filhos pequenos como se ambos fizessem parte de um catálogo da Johnson. Eu tenho medo de quando a frustração (ou simplesmente a realidade) vier – para qualquer um deles. Temo pelo momento que o filho revelar a que veio para ser. Ou quando a ilusão da mãe cair. Eu penso em toda essa farsa – tem mulher que acha que mãe é profissão. Viver em função de filho é, no mínimo, uma cegueira, quando não se torna uma prisão. Pais são para orientar, auxiliar no caminho, suprir as necessidades e ensinar a caminhar, promovendo a autonomia. Porém, tem muito pai e mãe por aí que faz todo o trajeto pelo filho. E não aos 10, 12, 15 anos. Estendem o trilhar por ele até os 24, 26, 33... Carregam no colo. E não há exemplo melhor do que as últimas gerações – um bando de gente egoísta, que chega à idade adulta mimada e dependente. E pior: com o aval dos pais.
Tudo é feito para que a humanidade se reproduza indiscriminadamente. Depois, a psicologia que se vire com os montes de pessoas traumatizadas, infelizes, recalcadas, perdidas na vida. Qualquer um pode ser pai e mãe, sem limites. Mesmo que nossa fantasia já tenha criado a perfeição (ou a imperfeição) dessa condição em seus comerciais, revistas, cinema, celebridades. Além de ser indiscutível que a vida é sagrada e se faz bem pior em abortar um feto, que em abortá-lo em vida. ■      

1 comentários :

Robson Corrêa disse...

Só fiquei com uma dúvida na última frase, você se coloca contra o direito do "Aborto"?

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