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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 5 de abril de 2015

Tempo, tempo...

Por Adrian Alves

Hoje eu acordei cedinho. Fiquei na cama por bastante tempo, só curtindo o momento. Depois de alguns instantes ficou tudo em silêncio, a atmosfera do meu quarto totalmente nostálgica e a sensação do tempo se tornou quase palpável. Percebi que apesar de, já antes, eu estar acordado, eu estava dormindo; que apesar de, já antes, existir o silêncio, estava barulhento. Como das outras vezes, não consegui distinguir se aquela voz mental tagarelando era só imaginação e pensamentos, ou se era mesmo uma voz real na minha cabeça... Mas, inquestionavelmente, viajei de um extremo a outro. O tempo parecia ser corrosivo, e pelas frestas das janelas antigas do meu quarto, entrava modestamente a luz da manhã. Essa luz parecia dizer que a realidade é um sonho lúcido; a luminosidade do meu quarto, sem clarear muito, mas muito menos deixar tudo na escuridão, parecia dizer que o tempo é parecido: é difícil saber onde estão as fronteiras que separam o passado, presente e o futuro. Muito provavelmente essas fronteiras existam apenas em nossos pensamentos, mas a sensação de ter 20 anos, e ser penoso acreditar que não tenho mais 10 anos, ao mesmo tempo que pareço saber e sinto ser bem mais velho do que 20, é real e deixa um vazio existencial.
Por instantes, o silêncio e a nostalgia me lembrou uma viagem de ônibus bem longa, em que todos os seus passageiros dormem tranquilamente, mas não eu (que acabo de acordar misteriosamente), onde o barulho do motor e os movimentos do ônibus pelas curvas só embalam o vazio e a estupefação de sentir o tempo.
...

Talvez seja a forma como a gente passa a ver.

SEÇÃO EXCEPCIONALMENTE

Na seção “Excepcionalmente” apresento textos de outra autoria, mas que calam fundo em meus valores.

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