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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Porque eu fujo da minha tristeza


Tem dias que ela chega de repente, vai se instalando, de mansinho. Me mexo, me ocupo, me agito. Tudo em vão. Ela vai “conquistando” seu lugar cativo; faz-me misturar com pessoas e com lugares e deixa-me em dúvida se ela é mesmo minha... Sim, porque às vezes eu sei que ela não é minha. Ela é do vizinho, de quem está ao meu lado, do ambiente, do noticiário. E ela me suga, me preocupa, me estremece, me faz mal. Sinto medo. É por isso que eu fujo da minha tristeza. Vivo querendo proteger tudo e todos. Tentando controlá-los. Tentativas vãs de controlar a minha dor.
Eu fujo da minha tristeza, mas sei que não deveria. Se for assim, de vez em quando, é (ou deveria ser) até bom se permitir senti-la; vivê-la sofregamente, até o fundo do tacho. Mas, não... Mal a tristeza se aproxima, já vou lutando contra ela, repelindo-a, temendo-a... Ela me faz encarar coisas que não quero... Traz o passado, revolve o presente, insinua o futuro, ameaça... Ou simplesmente me abraça e eu não quero aceitar. Só que, racionalmente, já acho que deveria conviver bem com a minha tristeza, apaziguar-me com ela. Deixá-la me visitar as duas ou três vezes por mês que queira, e ir, sem maiores sequelas. Mas, não: reajo. Impeço, me escapo, disfarço. Não me tranco a sós com ela. Não deixo que me domine completamente para fazer seu trabalho e ir embora. E aí é pior, porque ela começa a vir um pouco por dia... Por mais dias... Como viver uma tristeza em etapas. Assim, ela me vence, me entranha; se me recuso a vivê-la intensamente para mantê-la inerte e latente... Oh, tristeza, para que me queres? Que faço contigo, oh, revel?
Agora estou triste, teço linhas entristecidas. E sei que ela vai embora loguinho; quem sabe ainda esta noite, talvez amanhã de manhã. E o que eu menos gosto na tristeza, mesmo, de verdade, é que ela me paralisa... me provoca, angustia e emudece, atemoriza, questiona e... se vai. Assim. Aparentemente, sem fazer diferença alguma. Deixando tudo como estava antes. Só para me incomodar.
Fujo da minha tristeza. Quem sabe, um dia... eu saiba lidar melhor com ela.

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