About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Aos 29,

Foto: Bruno Bass/ Arquivo Pessoal

Aos 29, já aprendi a reaprender. E que nem tudo que se aprende é definitivo – estamos (re)aprendendo sempre. E como pode ser difícil aprender isso...
Aos 29, já percebi que aquele negócio de não correr atrás das borboletas, mas decorar o jardim, nem sempre dá certo. Muitas vezes, nenhum dos dois dá.
Aos 29, já saquei que o tempo passa rápido. Que os amigos casam e somem e que as crianças crescem.
Já entendi que preciso prender o fôlego para soprar as velas do bolo. E que é cada vez mais seleto o grupo de pessoas que partilham dele comigo.
Aos 29, já entendi porque a mulherada trava uma briga com o tal relógio biológico. E tratei de fazer as pazes com o meu.
Aos 29, meu fígado já aceitou que o chocolate e a batata frita, agora, são limitados. Mas, meu manequim ainda me premia com um singelo 36.
Aos 29, já tive uma das maiores lições da vida, que é jamais me comparar. Perde-se um tempo precioso de atitude e ação analisando com lupa a felicidade dos outros.
Aos 29, já aprendi a não proferir palavras em momentos de raiva.
Que não devo acreditar na data de validade dos meus perfumes...
E que não podemos culpar as pessoas por suas escolhas. Na verdade, nem elas podem.

Aos 29, constatei que muitas das grandes coisas que, aos 19, eu julgava que já teria feito, não foram realizadas. E isso não me torna, necessariamente, infeliz.
Aos 29, já me envergonhei das selfies antigas. Já ri do que eu chamei de “relacionamentos” e já me regozijei – eu confesso – ao ver que algum ex está gordo ou com um bagulho (ou as duas coisas).
Aos 29, já reavaliei minha vida pessoal e profissional, e comparei com como eu imaginava, no passado, que elas estariam.
Já pintei retratos distorcidos da realidade. E já analisei – sem falsa modéstia – como até estou melhor que muita gente que se crescia tanto pra cima de mim.

Aos 29, já me constrangi com as cobranças do mundo. Para casar, para ter filhos, para ter alguém, para ter sexo, para ter...
Aos 29, já caí várias vezes. Também já levantei, já quis desistir, fugir; recomecei.
Aos 29, já vi muita coisa, mas estou longe de ter visto de tudo.
Aos 29, meus sonhos já são outros... E, daqueles do passado, alguns realizei, mas a maioria deixei pelo caminho. Vi que não eram sonhos, eram desejos, que como pães, foram levados pelos passarinhos...
Aos 29, já entendi que o problema nem sempre está no que se vê, mas no modo de olhar. E que a gente enxerga de acordo com o que sente (e o que viveu até ali).

Aos 29, por fim, eu entendi que não importa a idade... Importa o que a gente faz com cada fase, como aproveita cada momento e como vive cada oportunidade, buscando realizar os próprios sonhos e seguir os próprios valores... Quanto ao resto, nada que um dia após o outro não resolva. A qualquer tempo – não, necessariamente... Aos 29. 

0 comentários :

Postar um comentário