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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Conflito


Não sei lidar com você. Não sei o que esperar de você. Na verdade, tenho me perguntado se a humanidade sabe.
Eu não gosto de você. Ah... Eu amo você! Eu odeio a sua expressão, a sua banalização, o seu acesso, a sua indiferença... Eu amo como acho que você é a única forma de verdadeiramente conectar duas almas aqui na Terra. Não suporto como sou uma das poucas que vê em você uma alma, aliás... E é tão linda a forma como você pode simplesmente significar tudo.
Tenho uma mágoa tão grande e secreta de você! Mágoa de como você é representado, de como é dividido em universos masculino e feminino, de como é feito, de como nos lembra permanentemente de nossa condição inferior. Talvez, tenha sido a forma como fomos apresentados. Nunca ouvi coisas boas sobre você. Ouvi sussurros, desejos, contos, mas nada que o elevasse.
Eu tenho ciúmes de você. De você que foi projeto, de você nos meus amores, odeio que você existiu lá para eles antes de mim. E lá para mim antes de cada um deles. E me entristece como você é, às vezes, mais importante que outras coisas. E mais importante que tudo, para alguns.
E eu tenho sonhos com você. Por tudo o que é, quando verdadeiro, e tudo que pode vir a ser. Embora, eu desconfie dessa sua veracidade. Às vezes, acho que você não pode ser profundo.
Eu acho perfeito quando você não vem sozinho. Nem que seja só por um momento. Talvez seja por isso que eu o despreze tanto quando você não vem acompanhado. E eu desprezo não só você, mas quem (não) te governa também.
E tem um lado meu que detesta ver apenas você nas pessoas. E quando elas me olham e também lhe vêem – quando vêem só você em mim.
Detesto as mentiras que contam sobre você. Todas corroboradas pela ciência, pela biologia, pela psicologia, pela cultura... Tenho desgosto por como você é tratado nesse planeta caótico e infeliz. Você é a válvula de escape, a fuga, disponível a qualquer um a qualquer momento.
Ainda acho que o pior de tudo são os crimes cometidos por sua causa. Crimes de poder, antes de tudo, mas também crimes de dominação, crimes de desrespeito. E como as pessoas não respeitam você nelas mesmas. Vendem, trocam, dão, entrelaçando energias sem perceberem como se afetam.
E parece sempre que o seu contrário é tão mais feio, não é? Que é mil vezes superior gostar de você assim, fútil e violento, que dizer que você não é lá tão importante, e ignorá-lo. Aliás, parece que você não pode ser ignorado! Inventaram que, nem que seja de forma inconsciente, você está sempre lá, lembrado.
Tem as coisas que eu gosto em você: sua marca, sua suavidade, seu carinho, a vida que de você emana. Seu toque, sua lágrima, às vezes sua grandeza, seu enlace, seu gozo. Em contrapartida, como saber o que é nobre para cada lado ou quando não passa apenas de um jogo? Só o jogo, definitivamente, não me encanta.
Não me agrada ter você como uma presa, ou ser uma presa sua. Não me agrada ser vista com seus olhos, quando nada vai além. Não me agrada te representar ou te insinuar – eu me sinto tão distante disso! Não me agrada que eu me importe. Me agrada muito menos ainda me esforçar por entender você nos outros. Eu não tenho que te entender! Mas, eu acho importante questionar tudo o que é e sempre foi dito sobre você. E eu não tenho que acreditar que você só pode ser reprimido, não sublimado. E eu realmente não sei o que pensar sobre você, porque em sua presença, tudo é instável, nada é definitivo.
Não te acho sempre mundano e vulgar.
Não te acho sempre um pulsar de amor feliz.

Eu não sei o que eu penso sobre você. Mas, me incomoda mais é que eu me importe com isso.

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