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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 6 de junho de 2015

Ode à saudade


Essa manhã ao abrir a janela e sentir o ar e o sol, me deu saudade das manhãs de verão. Manhãs mornas, preguiçosas, com gosto de areia e de sal. Manhãs com cheiro de filtro solar, em que dias não existem e horas, menos ainda. Sentir a brisa ou mergulhar, ver as ondas quebrarem ou meditar, simplesmente contemplar...
Deu saudade daquelas manhãs sem responsabilidade, sem preocupações. De rir com os amigos “à milanesa” e comer bolo de chocolate sem medo de engordar. Dias longos, febris. Noites cálidas, ardentes. Amigos únicos, improváveis. E, depois, novamente, manhã.
Nós dançaríamos até a luz do sol aparecer.
Nós beberíamos até perder a vergonha e o brio.
Nós viveríamos como se aquele verão fosse o último... Ùltimo verão, último Natal, última chance. Assim, sem compromisso – eram essas nossas manhãs.
Querendo ou não, essas manhãs praieiras também me trazem saudade de quem vinha com elas. E entre essas pessoas, sempre estará meu saudoso primo. Ah, Gleison... Como você me fazia rir! Como você me fez chorar...
Improvisávamos comida, lembra? Contávamos histórias. Cuidávamos uns dos outros. Jogávamos cartas, xadrez... (ok, xadrez você jogava). Paquerávamos, levávamos toco, conhecíamos pessoas estranhas, ríamos delas, ríamos com elas, raspávamos panelas, assombrávamos madrugadas... Eu ria tanto das suas cantadas...
- Deixou cair.
- O quê?
- O papel que te embrulha, bombom...
(É, eu rio até hoje, ainda que com lágrimas nos olhos).
Do medo que eu senti em ficar sozinha contigo contra aquele muro, bêbado e todo cagado... De como rimos disso nos dias seguintes... De como éramos tão hábeis em esconder a merda dos nossos pais... (não a literal, haha!). Sinto saudade de quem eu era naquele tempo. Da minha ingenuidade do mundo. Da minha inocente melancolia. Da eternidade das semanas, do dissabor da convivência. Sinto saudade de você, Gleison, e de todos que faziam parte do nosso pequeno mundo de segredos e mentiras, de disfarçado desespero e imperiosa intensidade. Saudade daquelas nostálgicas, que só outras manhãs gostosas podem lembrar a sensação, mas jamais trazê-la exatamente. Saudade que faz voltar no tempo pra sentir de novo o teu abraço, pra viver tudo outra vez, pra te impedir de sair naquela terça-feira, pra te fazer ir ao meu último aniversário... que você podia ter ido. Voltar no tempo só pra te ver de novo. Quentinho, não gelado. Em pé, não, deitado...
E você pediria pra eu ler esse texto pra ti... Porque gostava que eu lesse pra ti. Gostava do que eu escrevia. Gostava das minhas tramas mirabolantes, dos desenhos do Bruno, das piadas que vinham depois; não debochava dos nossos sonhos. Era um pouco parte deles...

É, Gleison... Queria que voltassem você e aquelas manhãs de verão.

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