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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 11 de julho de 2015

Uma espécie de oração


 Acordei com o coração em frangalhos. Ah, Pai, eu não devia ter desertado da vida naquela ocasião. Eu era um rapaz tão lindo...
Não posso esquecer aqueles olhos azuis. Não posso esquecer aquele eu de outra época, com o coração a soluçar sua dor aos 17 anos. Eu me tranquei naquela sala. Eu vi a porta branca se fechando. Eu meditei sobre o que ia fazer durante horas. A dor era límpida e profunda. Hoje eu acordei sentindo toda a dor dele de novo. Mas, foi diferente. Pela primeira vez em todos esses anos, me arrependi de ter feito aquilo. Aqueles olhos marejados tocaram a mim mesmo. Consegui me ver de fora... Para compreender a insanidade do que estava fazendo.
Quando essas lembranças me assombravam na adolescência, minha compreensão sobre o porquê do meu suicídio naquela vida eram pouco claras. Agora, embora ainda não tenha certeza do que me levou a tirar a própria vida, eu tenho ciência de que era um menino incompreendido e triste. E que trouxe um pouco daquela poesia comigo.
Essa manhã eu orei pela sua alma. Pela minha alma. Eu vi seu rosto tão claramente (meu rosto), e desejei, pela primeira vez em muitos anos, não ter cometido aquele ato desesperado. Hoje tudo seria diferente. Mas, eu fiz isso. “Nós” fizemos isso. E a sua lembrança agora é um impulso a superar toda adversidade sem desistir, jamais, de mim.
Agradeço a Deus a oportunidade de lembrar esse fato de uma vida pretérita. É que sei que, agora, posso fazer tudo diferente.

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