About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Mudanças


Tenho me perguntado se as mudanças começam de dentro para fora, ou de fora pra dentro. Me parece, cada vez mais, que para se exteriorizar, algo já deve ter se firmado em nosso interior – ou, ao menos, já ter dado mostras de que iria se apresentar. Mudanças são graduais, se anunciam. Mas, nós temos o péssimo hábito de ignorar os sinais, fechar os olhos. Ou, mesmo, brigar com a mudança, resistindo, desejando permanecer em uma zona de conforto, um ciclo que já terminou. Boa parte do sofrimento, aliás, vem da resistência ao novo, do apego ao conhecido. Da falta de coragem para enfrentar o que vem sem carregar um ar injustiçado e vitimista.
Percebo que as mudanças bruscas, drásticas, só vêm quando o recado já se esforçou por se anunciar de outras maneiras. E que sempre somos fortes o bastante, pois por mais que o problema seja o mesmo que já passamos, nós já não somos os mesmos. Cada experiência, por ínfima que seja, alargou as formas de ação e reação.

Em 2015, desejo mudanças. Mudanças que me propiciem crescimento, me testem, me tragam ao meu melhor. E eu já sinto sua aproximação. Por dentro, elas já estão até solidificadas. Vamos ver com que espírito serão recebidas aqui fora.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Desenha-me um carneiro...


Está tudo uma bagunça, eu nem consigo escrever. É como surgir do nada e dizer coisas sem sentido. O que já amei eu desprezo, não ligo muito para nada, sei lá. Tudo o que posso fazer é viver das minhas fantasias e debochar das do mundo. O que posso fazer é me refugiar no meu próprio B 612. Com pernas cansadas e tão fortes. Com a mente sadia, e tão doente.
Nada à minha volta agora me corresponde. Me sinto uma alma velha em um corpo tão jovem. Vejo faces sem expressão e todas elas se fazem espelho. Onde o caminho se perdeu de mim e me perdi de si?
Ruas e desventuras. Sonhos e agruras. Já nem sei de mim, se me sou. Fraca e desnorteada. Profunda e tão rasa.
Está tudo uma bagunça e eu nem consigo escrever. Por isso, é sempre tão mais fácil concluir do jeito que eu começo o texto...

sábado, 17 de janeiro de 2015

Por onde andei...




Dei uma sumida aqui do blog – mesmo quando escrevi, não foram meus textos característicos, mas breves pensamentos, tiradas ou pausas poéticas. A verdade é que não tenho tido quase nenhuma vontade, mesmo gostando do espaço, imaginando se alguém vem aqui ver se tem atualização, agradecendo intimamente os comentários ou e-mails que recebo... Porém, não sinto mais clima para ficar atualizando, para polemizar assuntos, comentar ou discorrer inteligentemente sobre algo. Nesses últimos tempos, alguma coisa mudou.
Minha ausência do blog desde o último ano tem sido permeada por desculpas, mas tenho é sentido vontade de viver outras coisas, e livrar-me da sensação de que minha vida está apenas passando sem acenar para mim. Quem nunca teve isso? A sensação de não saber direito o que quer da vida, ou pior, o que a vida quer da gente?! Quando as coisas saem meio tortas, você percebe que já tem tal idade e não atingiu aqueles velhos objetivos (velhos ou novos, tanto faz) que marcam a passagem do tempo, que dão a (às vezes, falsa) ideia de que conquistamos algum sucesso. Sejam conquistas materiais, financeiras, amorosas. Todos nós nos propomos a algumas metas na vida que nos fazem mergulhar profundamente em nós mesmos quando não atingimos. Ou, se atingimos e vemos que nada mudou a partir delas, ainda somos os mesmos, e vivemos...
Tudo isso tem me feito ver algumas coisas de um modo novo. Sabe quando simplesmente buscamos mudar as coisas pelo caminho, procurando a novidade no que está batido? Aí a gente aprende uma receita nova, vai comer em um restaurante diferente, pega outras ruas pra voltar pra casa. Pequenas alterações que servem como um pequeno ensaio para aquelas mudanças maiores, que intuímos se aproximarem. E nem sempre nos sentimos preparados.
Quem começou esse blog era um outro eu, com outra cabeça, outras crenças, acho que posso dizer até, outro nível. Mudei muito, revisitei conceitos, creio que amadureci; tenho tentado buscar sobreviver menos e viver mais. E quanto mais ficamos em um processo, mais enraizado ele se torna. Isso explica porque me afastei de tanta gente (algumas que não tenho vontade mesmo de retomar contato; outras, cujo afastamento foi involuntário); outras ainda, se afastaram de mim, porque também não fiz por merecer tanto a atenção delas. Não culpo ninguém, nem me culpo – é natural que os ciclos se encerrem, que as coisas recomecem, mudem, enfim. Lembro esses amigos que passaram e não sinto saudade, praticamente nenhuma. E, afinal, nesse sentido, sempre vi as pessoas em nossa vida como passageiros em um metrô: embarques, desembarques, alguns sentam ao nosso lado, em seguida, descem. Não se vive para sempre em uma só estação.
É verdade que me tornei mais reclusa. Ainda mais, porque minha natureza sempre foi reservada. Adotei a discrição como guia. Também percebo agora uma dificuldade imensa em manter conversas ao nível do senso comum. Em diversos ambientes e situações me sinto um ET. Parei com a necessidade de me definir, me autoafirmar. Tenho analisado ainda mais, observado mais intensamente. Tenho sentido vergonha alheia quando percebo certos defeitos de alma. Todos aqueles que também venho tentando trabalhar em mim.
Meu nível de ansiedade chegou a picos doentios. Minhas certezas esvaíram-se, os medos se desnudaram. Ao mesmo tempo, tudo ficou claro como água cristalina. Questões que me fiz por anos se responderam em um lapso; respostas que carreguei a vida toda se desfizeram em segundos. Um caminho sem volta, de lucidez e insanidade.
Tem vezes que me pego só pensando em como seria bom ser uma pessoa “certinha”. Dessas que crescem com os pais juntos, estudam, arrumam um emprego normalzinho, se casam, têm filhos. Aquelas vidas desenhadas, cujo roteiro funciona. Acho que seria tão mais fácil ser apenas medíocre. Não entrar em embates com a sociedade, não pensar demais, seguir os padrões preestabelecidos. Sério, como eu queria isso, às vezes! Todavia, nunca serei ou terei isso. Para mim, tudo foi bagunçado desde o começo. Portanto, vejo mais e mais a hora de reagir de novos modos aos mesmos estímulos – e não significa que eu não vá mais escrever nenhuma linha, deslindar nenhum poema nem tentar me aventurar incertamente nas letras. Só que minha forma de encarar isso é nova e eu talvez não sinta mais tanta vontade de colocar sentimentos, sonhos e anseios na vitrine. Pensamentos soltos em uma folha de rascunho têm me feito mais bem que desabafos em uma página onde todos possam ler (constituindo este aqui uma exceção).
Já não crio expectativas para o futuro próximo ou distante – e nem sei se isso é bom ou ruim. Não sei dizer o quanto do que penso e sinto atualmente é realismo, o quanto é amadurecimento e o quanto é apenas desilusão e amargura. Mas, sei dizer que não me arrependo de nada que expus até hoje, das coisas que escrevi e de como escrevi ou me exprimi em algum momento. Ao final das contas, tudo sempre fui eu, sou eu e continuará sendo eu, com minhas limitações e superações.
Por isso mesmo, firmei comigo o objetivo (talvez eu mude de ideia, mas no momento, não cogito isso) de promover uma ou outra postagem nesse espaço até o dia 11 de julho desse ano – dia do meu trigésimo aniversário. Pretendo incitar-me a novos desafios, buscas e realizações nessa nova década e creio que seja uma boa data para encerrar um pedacinho de mim tão bonito – este blog – e, talvez, dar início a outros espaços de expressão. Agradeço aos leitores frequentes. Às mais de 300 mil visitas em 4 anos. Aos e-mails e comentários que recebi e, aos que, porventura, ainda chegarem. Aos conselhos que me pediram e nem sempre soube dar. Obrigada. Eu sou muito feliz por vocês acompanharem o Para Sempre ou Nunca.
Et j’ai écrit beaucoup. Bonne journée!