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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Travada


O mundo das letras inventou de me trancar pro lado de fora. Quero, anseio, mas não consigo escrever!
Por dentro, as palavras são desavergonhadas. Bailam encantadas, parindo ideias e fantasias. Quantos assuntos penso em registrar diariamente... Quantas sentenças disparatadas... E quantas, quantas, fazem sentido demais... Porém, na hora de discorrer sobre a nostalgia dos tempos de escola, os adultos mimados, a exposição nas redes sociais e o retorno de Saturno, aquela velha natureza introvertida se faz presente e não consigo mover a caneta sobre as folhas. É como uma mente paraplégica... As sinapses atuam com perfeição, mas os membros não lhe obedecem aos comandos.
Tem gente que me odeia por isso. Lê essas linhas e pensa: Como ela se atreve a dizer que não consegue escrever? Olha esse texto! Todavia, para mim, isso é apenas um embuste. Algo que faço para passar o tempo, mentir pra mim que estou escrevendo. Rebuscar palavras difíceis sem dizer nada não é escrever. E eu, que sempre me orgulhei de ser escritora, não escrevente...
Pois é, vamos ter que esperar mais uns dias para tirar belos textos da incubadora. Enquanto isso, vou alimentando-os por dentro, tendo o cuidado de drenar de vez em quando, para não enlouquecer... (de vez).           

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Quero emagrecer... E consigo!

Arquivo Pessoal - "Antes" e "Depois"

Treze quilos em três meses. Com saúde. Sim, é possível. 
Entre agosto e novembro de 2013, esse foi o peso que eliminei. Várias pessoas vieram me perguntar como eu havia conseguido. Como, muitas vezes antes, eu mesma perguntava por dentro como pessoas cheinhas que eu conhecia iam se esvaziando de repente. E, pensava: como devia ser difícil. Abrir mão de tanta coisa gostosa na vida, os pães, os doces, as delícias! Legítimo pensamento de gordo. Mantenho um pouco.
Teve gente que me perguntou até se eu estava doente. Mas, a verdade é que perder peso era uma meta antiga. Eu sempre iniciava regimes, musculação; eliminava alguma coisa e depois engordava tudo de novo. Quando estava empenhada por muitos dias e a balança apontava apenas 300 gramas, surtava e comia meu doce favorito ou qualquer vontade que houvesse reprimido com um pouco mais de recalque. Me culpava, às vezes recomeçava. Noutras, abandonava tudo.
Da adolescência até ali, já havia tentado mil coisas meio doidas. A que mais me fez perder peso fora uma “dieta da proteína” (Dr. Atkins), mas eu sempre recuperava o peso perdido naqueles três dias de trégua para ingerir carboidrato. Também já havia ido em nutricionista, onde paguei um mês de acompanhamento e consegui perder 6 kg em 30 dias. Foi só parar o acompanhamento que quem voltou a me acompanhar foram os tais quilos. Se não me engano, até trouxeram uns a mais.
Para conseguir eliminar os quilos em excesso definitivamente, em 2013, não fiz dieta rigorosa, academia, nem deixei de comer o que eu gostava ou queria. Eu apenas acordei em uma quinta-feira e fiquei muito frustrada com o fato de que nenhuma roupa ficava bem em mim, havia umas até que não entravam mais: me senti um bucho! Há muitos anos na casa dos 60 quilos, para completar, me apavorei quando fui me pesar: estava beirando os 65 kg – isso para 1,58m!
Naquele dia decidi simplesmente agir. Levei umas duas horas bolando um “programa de metas”, o qual batizei de O Jogo da Balança. Peso eliminado valia prêmios! A premiação constituía em coisas que eu queria faz tempo, mas não me dava – não sei se por achar que não merecia, ou outras razões que meu consciente desconhece. Coisas como maquiagem da MAC, um jogo de pincéis, lingerie da Victoria’s Secret. Citei marcas aqui para demonstrar como o alto valor dos prêmios realmente tinha de valer o esforço nos quilos finais. Havia também prêmios bem simples (para os primeiros 1 a 2 quilos eliminados) e prêmios especiais a cada 5 kg, além daqueles que eu chamava de bônus, como uma calça jeans bacana quando atingisse o manequim 36. Era uma forma inteligente de gastar comigo – mas não de consumo por consumo, e sim, de me esforçar por duas coisas que eu queria, que eram emagrecer e ao mesmo tempo me dar um agrado (com motivos).
O Jogo da Balança também me obrigava a preencher uma planilha que ficava exposta em um lugar que via diariamente. Tinha prazos para obter os resultados; datas específicas para me pesar; sanções ou cancelamento de premiação seguinte se as metas não fossem batidas; margem de alguns gramas a mais ou a menos. De todo modo, o mais importante era acompanhar toda a semana e pontuar sempre que possível. Para mim, essa disciplina funcionou, pois pontuei toda semana (ganhei praticamente todos os prêmios!).
A forma que defini para perder o peso extra: reeducação, mas sem neura. Passei a fazer mais refeições em menores quantidades; me tornei amiga das frutas e verduras e fazia feira toda semana. Não comia após às 21h; troquei a família refinada pela integral; adotei exercícios diariamente (ao ar livre, nada de academia!). E o mais importante: toquei minha vida enquanto isso. Estudava, dormia, acordava sem pressão. Além disso (essa foi a única participação de uma nutricionista em meu processo de emagrecimento) peguei uma receita de um suquinho milagroso para regular meu intestino (que, no meu caso, também era responsável por reter algum peso). Foi só.
Arquivo Pessoal - Na festa surpresa do Jean, com 52 kg.
A meta final era ter 52 quilos em meados de novembro. Uma semana antes do prazo estava com 52,1 kg, apesar da festinha de aniversário surpresa com que presenteei meu sobrinho (recheada de gordices). Por consequência, também parei de tomar refrigerantes e comer certos industrializados, que só engordam e dão cabo dos dentes.
Nada disso iniciou em uma segunda, em um dia 1º, em um janeiro da vida. Percebi que quando queremos algo de verdade, não há motivo para ficar protelando. Hoje peso cerca de 50 quilos (varia até 51,5) há já, mais ou menos, um ano e três meses. Meu manequim é 36 e me irrita que, às vezes, fica grande. Não engordo mais que 2 kg após uma “farra alimentar”. Quando vou a festas de aniversário, pizzarias ou como muito chocolate na Páscoa, em poucos dias meu corpo volta ao peso normal. Como tudo o que gosto – às vezes, bem mais do que deveria – mas acostumei a menores quantidades; não dou mais conta de comer tudo o que comia quando era “gordinha”, o corpo não comporta. Me peso uma vez a cada dez dias, me exercito sem neurose e troquei todo o guarda-roupa – ai que ruim...
Acho que todo esse processo também foi me deixando mais segura para eliminar a “fome emocional”, responsável por nos fazer preencher com chocolates o que precisaria de compreensão. O primeiro clic foi na minha mente: passei a me gostar e a me imaginar magra; questionei se queria mesmo isso ou se queria pertencer a um padrão. Quando vi que estar acima do peso não me fazia sentir bem comigo foi mais fácil compreender também porquê/como cheguei até ali.
Ia olhar as roupas que sempre quisera, mas que antes não ficavam bem em mim. Passei a ser carinhosa com a menina de rostinho cheio que eu via no espelho e nem sempre aceitava. Quando iniciei o programa eu já estava preparada para fazer aquilo POR MIM, embora ainda não soubesse. Nunca fui uma pessoa gorda mas, inevitavelmente, já havia me sentido pressionada a perder peso por fatores externos à minha vontade. E só consegui eliminar em definitivo quando superei esse padrão.
O melhor de tudo foi que servi de exemplo. Pessoas à minha volta que, sequer eram gordas, mas comiam de forma muito errada, empenharam-se em comer cereais e outros alimentos mais saudáveis, por minha influência. Amigos e familiares conheceram pão integral, granola, farelo de trigo, uva passa. E deu certo para elas também: 8 a 10 quilos eliminados com disciplina e saúde, em tempo razoavelmente curto.
Todavia, também conheço gente – essas sim, que seria bom se livrarem de uns quilinhos – que dão desculpas a si mesmas até hoje – e que me viram passar pelo meu programa de emagrecimento, minhas roupas ficarem largas demais, ouviram minha experiência, mas mesmo um ano e pouco depois, não tomam uma decisão. Ou porque “já passei dos 30 e o organismo não responde”; “é impossível comer direito por causa da rotina”; “não consigo”... Porém, como creio que todo processo começa em nós... Sinto dizer que, enquanto não quiserem de verdade, essas pessoas não vão mesmo emagrecer. O que aprendi com tudo isso é bem simples: começa na gente, começa na mente e... é uma questão de decisão.         

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Dolorosa Constatação


Nunca tinha assistido ao filme 12 anos de escravidão, mas naquela manhã acordou com uma triste constatação: era escrava também, já há uns 12 anos. Aquela manhã fora a primeira em que sentira fortemente as algemas, que se disfarçaram por anos e anos de múltiplas formas. Constatou que aqueles 12 anos não voltavam, que não recuperaria aquele tempo novamente. Não só o tempo, mas o que fora ou o que esperara ser. Parou pra pensar que – tão óbvio! – o relógio só andava para frente. Mas, aquele ponteiro comprido nunca lhe acertou tão em cheio na cara! Estava brincando de pular segundos. Estava desprezando que era real.
De nada adiantavam suas lágrimas desacoroçoadas – ela precisava só agir, e rápido... Tentar recuperar um pouquinho de si e de sua dignidade. Pois cada dia a mais a afastava do que poderia ter sido e a aproximava de seu destino infeliz.

A amargura era o seu algoz. Os anos passaram transformando as decepções em rugas e os sonhos não realizados em amargor. Sem pensar na infelicidade que irradiava e provocava, arrastava os que conseguia sem dó nem piedade, pois a vida também não os tivera com ela. Viver era tecer críticas, reclamações, ter infortúnios. Uma aura negativa pairava em torno de si, já incrustada pelos anos de vício no mau humor e na falta de alegria.

E fazia parte disso a dolorosa constatação. A convivência passiva com aquele ser estava conduzindo aquele outro, pouco a pouco, ao mesmo buraco. Transformando-lhe diariamente no que mais odiava, tirando dela o pouco que ainda restava de fé em si mesma. Ou, em alguma coisa. Destruindo seus sonhos, fazendo-a sentir-se feia, monstruosa. Levando com os anos o melhor que poderia ter vindo dela: suas obras, seus livros, suas ideias, seu trabalho, seu amor. Mostrando-lhe diariamente um cotidiano cinza, mas onde estava algemada e sentia que nada podia fazer.
Seu corpo resistia, mas, aquela convivência forçada fizera dela uma velha. Seu sangue sugado a estava tragando. Tinha, às vezes, um entusiasmo implacável, mas durava apenas o suficiente a reanimá-la e jogá-la de novo naquele mundo infeliz.
Poucas vezes pedira ajuda, como os suicidas de que ouvira falar. Sofria calada e chorava sozinha, lembrando todas as imagens de pés suspensos que vira em filmes e quadros. Porém, morrer não era nada diante da dor que a assolava todo dia, já ao acordar, e perceber que tudo se repetiria naquele ambiente imundo e fétido, onde pouco ou nada se decidia.
Isso também a fizera como estava: velha, amarga, antissocial, misantropa. Porém, ciente da injustiça das vantagens de nascimento, da sociedade e do mundo e de como perdemos parte da nossa juventude e ideologia tentando lutar contra isso – por mais privilegiada que nossa mente seja. ■  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Queria saber escrever
Sobre as coisas

Que não sei escrever.