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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 14 de março de 2015

Às vezes, eu queria ser bem velhinha


Já ter visto tudo o que tinha para ver na vida.
Já saber das respostas pelas quais anseio.
Simplesmente sentar em minha varanda e fitar o nada, a esperar, com o respeito que minhas, então, cãs brancas, imporiam.
Às vezes, queria ter o olhar de um ancião.
Já ter experimentado coisas que ainda nem sei.
Já ter passado por o que ainda vou passar.
Às vezes, eu queria ser bem velhinha – volta e meia penso assim... Nessas horas, ignoro as dores no corpo, as perturbações, nostalgias – tudo a que pode estar, de certa forma, vinculado a ser mais velho. Quando queria ser bem velhinha é quando, geralmente, sinto como se já tivesse visto o suficiente. Mas, meu olhar ainda é verde e impossível de ser amadurecido à força. Por isso, só me resta esperar, para, no dia em que eu for bem velhinha, sentir-me conformada com isso. Ou, ironicamente, desejar ser jovem de novo. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ser mãe não deveria ser um sonho



Vê-se por aí tantas mulheres alimentando o sonho de ser mãe. Reféns de uma imagem construída pela publicidade e pela dramaturgia, onde a maternidade reflete o que há de mais especial e iluminado em uma mulher. É assustador como não existe nenhum pré-requisito para ter filhos próprios. Adotar, que poderia ser um procedimento simples, uma vez que são crianças sem lar, torna-se um tormento burocrático, onde mil comprovações são necessárias. Todavia, ter filhos naturais não exige nada: condição psicológica, financeira, estrutura emocional, nível cultural – nada. Qualquer um faz e tem filho. Vá um pobre desgraçado, ainda que cheio de boas intenções, tentar adotar uma criança para ver se consegue?! Exige-se uma lista tão grande de qualificações que os candidatos a pais adotivos precisam ter, no mínimo, discernimento para refletir se vale mesmo a pena tentar. Entretanto, ter filhos legítimos qualquer um pode, e parir e criar de qualquer jeito. A superpopulação, aliás, mostra como estamos carentes de gente no mundo [sic!].
E quando ser mãe é um sonho, isso sempre será um problema. Essa mãe vai querer ser perfeita – objetivo impossível, até porque os ideais de perfeição variam de acordo com as noções de cada um. Na maior parte dos casos, ela vai superproteger e superestimular, muitas vezes, criando um ser humano totalmente despreparado para o mundo. Conheço algumas mães com filhos pequenos que os tratam como um “sonho realizado”. Todos os desejos atendidos dos filhos são, para elas, apenas reflexo de que possuem condições financeiras para atendê-los – indiferente à relevância do desejo. Gastos altíssimos com escolas e materiais escolares “de marca” são justificados como preocupação com a educação. Quartos imensos e grifes são necessidades e tablets e celulares permitidos desde bebê, pois “essa geração já nasceu conectada”. Essas pessoas acreditam mesmo nisso? Creio que sim. E talvez esse seja o fato mais alarmante.
Quando filhos são um sonho, a festa de aniversário de 1 aninho é mais importante que a formação do caráter. Um quarto cheio de brinquedos – que, no máximo, a criança curte meia dúzia – é padrão de sucesso e a roupa interessa mais do que sujá-la brincando como queira.
Eu tenho asco sempre que vejo uma dessas mães por aí. Desfilando com seus filhos pequenos como se ambos fizessem parte de um catálogo da Johnson. Eu tenho medo de quando a frustração (ou simplesmente a realidade) vier – para qualquer um deles. Temo pelo momento que o filho revelar a que veio para ser. Ou quando a ilusão da mãe cair. Eu penso em toda essa farsa – tem mulher que acha que mãe é profissão. Viver em função de filho é, no mínimo, uma cegueira, quando não se torna uma prisão. Pais são para orientar, auxiliar no caminho, suprir as necessidades e ensinar a caminhar, promovendo a autonomia. Porém, tem muito pai e mãe por aí que faz todo o trajeto pelo filho. E não aos 10, 12, 15 anos. Estendem o trilhar por ele até os 24, 26, 33... Carregam no colo. E não há exemplo melhor do que as últimas gerações – um bando de gente egoísta, que chega à idade adulta mimada e dependente. E pior: com o aval dos pais.
Tudo é feito para que a humanidade se reproduza indiscriminadamente. Depois, a psicologia que se vire com os montes de pessoas traumatizadas, infelizes, recalcadas, perdidas na vida. Qualquer um pode ser pai e mãe, sem limites. Mesmo que nossa fantasia já tenha criado a perfeição (ou a imperfeição) dessa condição em seus comerciais, revistas, cinema, celebridades. Além de ser indiscutível que a vida é sagrada e se faz bem pior em abortar um feto, que em abortá-lo em vida. ■      

quinta-feira, 12 de março de 2015


E, se um dia, nossas vidas se cruzarem novamente, é porque não acabou.

quarta-feira, 11 de março de 2015

É o fim


Receitas que nunca cozinharei. Viagens a lugares que dificilmente encontrarei tempo, dinheiro ou vontade para ir. Documentos que já não servem mais. Bijuterias que não mais me representam. Escritos que não dizem mais de mim. Cartas, convites, jantares que já aconteceram. Papeis de bombom, cartões, fotos, nomes, arquivos de conversas. A sacola foi enchendo lentamente e a bagagem do passado se esvaziando...
O bom de mudar é isso. Encontramos tanta coisa guardada que já não faz mais sentido. Reportagens, tutoriais, roteiros. Objetos, CDs, livros e filmes. Realmente preciso de tudo isso? Não, é o fim. A gente não leva nada a lugar algum mesmo. Qual a necessidade de guardar tanta coisa em tanto canto?
Menos papel, menos entulho, menos tranqueira. Menos roupas, menos sapatos, menos maquiagem. Menos cabelo, menos esmaltes. Menos espaço ocupado, menos fórmulas, menos mais... É o fim do que está engavetado, é o começo da liberdade de cozinhar, viajar, escrever sem nada prévio...

Limbo



Todos agora são como os grafites em um túnel pelo qual passo em alta velocidade. Não vejo direito. Não presto atenção. Não me interessam.

terça-feira, 10 de março de 2015

Algumas coisas mudam


Aquelas coisas que não dão mais prazer...
Perder-se entre escritos por horas.
Imventar uma receita com o que tem no armário.
(Des)ordenar gavetas, fotografar borboletas.
Planejar encontros e escolher nomes de bebês futuros.
Contar estrelas...
Emitir recibos, tentar nova maquiagem.
Afagar o cachorro, escrever cartas.
Dançar só, guardar cascas de bombom.
Combinar roupas, fazer caras no espelho.

Pintar as unhas e rebocá-las; lamber os dedos com massa de bolo.
Algumas coisas mudam.

Talvez o tempo cause mudanças profundas em mim... Mas, seguirei o carregando comigo...

segunda-feira, 9 de março de 2015

Novos começos ou novos finais?


Caixas empilhadas. Fitas largas e palavras a canetão. Mas, o que é, realmente, uma mudança? O que ir morar em outro lugar pode significar? Novos começos ou novos finais?

Novo, tudo novo. A janela que agora se abre mira outro jardim. O chão que se limpa e se pisa já não é o mesmo; a parede não é da mesma cor. O Welcome na porta até parece mais sincero ou, ao menos, convidativo. Para novos inícios ou novos fins, de todo modo, para algo novo. E tudo que é novo é bom, pois ensina e demonstra alguma coisa... 

Às vezes, a resposta tanto faz. A vida é sempre mais sábia que a gente.

domingo, 8 de março de 2015

Adultos Mimados



A garota se apresenta para submeter documentação a uma bolsa de estudos, à qual fora pré-selecionada. Ela deseja um curso, mas fora escolhida para outro. Quer saber se poderá trocar o curso, para realizar aquele de sua escolha. A resposta é que, talvez, futuramente, possa fazê-lo. Mas, ela não quer um “talvez, futuramente”. Ela quer certeza, AGORA!
- Vou ligar pro pai – diz para a mãe.
- Ele está trabalhando – responde a genitora.
- Não importa. É só eu encher um pouco o saco que ele vem.
Uma hora depois, ela está de volta. Com o pai a seu lado.

O jeito deles é o certo. Sempre têm razão, sempre têm resposta para tudo (às vezes, nomeiam de argumento). Não gostam de ser contrariados; “batem boca” com qualquer pessoa se acreditam na própria causa (e sempre acreditam!); têm absoluta certeza que estão certos e os outros, errados. E como é difícil lidar com essas pessoas! Pois, por mais que tenham 20, 25, 35 anos, elas mantêm em suas personalidades e em sua forma de encarar o mundo aquele narcisismo dos desejos atendidos, típico da primeira infância. Parecem achar que todos existem para servi-las e quem reage a isso pode ser combatido com sua “enxurrada de argumentos”, ou seus xingamentos de “egoísta”, ou quando eles ficam “emburradinhos”. Aos poucos, eles se tornam mestres em chantagens emocionais. Foi assim que foram levando os pais por anos... Até estes perceberem (se perceberam) que sua cria já não era mais nenhuma criança. E já era tarde demais.
É fácil reconhecer os adultos mimados. Veja:
- Sempre acham alguém ou algo para pôr a culpa – são incapazes de assumir seus erros;
- Permanecem imersos em uma rotina adolescente (festas, relacionamentos sem compromisso, recusa em assumir a responsabilidade pelo próprio sustento e pela própria vida);
- Têm dificuldade em respeitar aquilo que não faz parte de seu próprio sistema de crenças e experiências;
- Tomam, sozinhas, decisões que deveriam ser tomadas em conjunto. Costumam acreditar que têm espírito de liderança;
- Reagem de forma emocional – são altamente reativos;
- Além de reativos, são irascíveis, teimosos, orgulhosos, emocionais;
- Têm dificuldade em se colocar no lugar das outras pessoas;
- Não toleram frustrações de qualquer ordem;
- Quando precisam encarar as frustrações naturais da vida, têm o comportamento típico de uma criança a quem negaram uma vontade;
- Ouvir NÃO lhes é muito penoso;
- Buscam inverter o objeto de discussão. Por exemplo: se for apontado por algo, ele vai virar o jogo contra quem lhe apontou;
- Em uma discussão, também, sempre trará fatos antigos e esquecidos, desnecessários;
- São aquelas pessoas que viram a cara, param de conversar, fazem um drama, por causa de um desentendimento.

Seu comportamento afasta, pois ninguém está disposto a permanecer muito tempo ao lado de alguém que tem dificuldade em ver o lado dos outros; em ouvir com atenção antes de ir preparando uma resposta; em ser humilde para assumir que a ideia do outro é melhor ou mais apropriada. Coisas como ponderar mais antes de reagir; colocar-se no lugar do outro; assumir que a forma como se sente é fruto de si mesmo, não do que o outro fez (ou não fez)... Ter menos ego, mais espírito de grupo, mais sensibilidade acerca dos que estão à sua volta... Perceber que o mundo não gira em torno do próprio umbigo...
Aliás, mudar e assumir uma postura verdadeiramente adulta diante de qualquer acontecimento é sempre difícil a essas pessoas. Enxergar como seu comportamento soa inapropriado, ainda mais, pois sua própria cegueira em relação a seu estado de natureza as impede de ver as coisas “de fora”. Elas nunca poderão ver como é ridículo chutar e esmurrar paredes em um momento de raiva; buzinar e bufar de forma violenta no trânsito; gritar para se fazer ouvir; deixar o sangue subir por uma coisa tão pequena.
Lembrando que ser um adulto mimado não tem nada a ver com cultivar ou não cultivar um “lado criança”. O lado criança é aquele que lambe a tampa do iogurte, se equilibra no meio-fio da calçada, raspa a panela do brigadeiro – ou que simplesmente se permite a leveza de descontrair-se no cotidiano, sem que isso implique em reações emocionais na lida com os outros. Comportamento infantil é não saber lidar com as frustrações e responsabilidades inevitáveis da vida e se utilizar de muletas emocionais, explosões temperamentais e formas de expressão totalmente inadequadas a um adulto (que deveria ser) maduro, engessando a qualidade de suas relações e comprometendo o crescimento que poderia advir delas.
Duro é que, dificilmente, um adulto mimado lerá esse texto ou se dará conta que é um, a partir dessas palavras. Aliás, nem mesmo seus pais, responsáveis em parte por tal condição, verão em seus filhos um problema de dislexia emocional que precisa de correção. Quem chegará a essa leitura será quem convive com adultos mimados de outras formas, tais como colegas, amigos, parentes ou conhecidos. Pessoas que começaram a dizer “não” e perceberam que a frustração alheia não condizia, exatamente, com o adulto (em idade) em questão. Pessoas que sentem culpa, por se acharem responsáveis por mágoas e ofensas causadas a outros, devido à alta carga emocional que obtiveram como resposta. Pessoas que resolveram sair da zona de conforto e encontraram resistência da pior forma e em quem menos esperavam. Que começaram a namorar um príncipe e, de repente, ele se mostrou um sapo. Sim, são esses os leitores.
A nós, que podemos lidar com um adulto mimado a qualquer momento, resta-nos vigiar nossas próprias atitudes. O que falamos, como falamos; quando agimos e quando re-agimos; observar se nossa ação é justificada ou se se impulsiona apenas a partir da ação do outro. Se raciocinamos antes de dizer ou fazer algo, ou o fazemos de modo emocional; se acusamos o egoísmo do outro partindo do não atendimento de nossos próprios interesses; se relegamos a ele(a) aquilo que é de nossa própria responsabilidade. Se continuamos nos magoando, chateando, ofendendo com os “não” escutados. Se atribuímos nossos sentimentos a como o outro disse, fez, conduziu algo. Se, em alguma situação, o orgulho extrapolou o bom senso.
Vigiemos, sob pena de termos nosso dedo estendido justamente para o espelho. É só refletindo e fazendo de cada palavra e ato um gesto racional que seremos adultos de verdade, maduros, saudáveis e preparados para atuar de cabeça fria em qualquer circunstância, com qualquer pessoa. Mimada ou não. ■