About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 11 de julho de 2015

Encerramento do blog


Hoje é meu aniversário. Iniciei esse blog há quase 5 anos, se não me engano, em outubro de 2010. Muitas águas rolaram... Quem iniciou esse cantinho, cheio de pérolas de autodescoberta, reflexões e profundidades era um outro eu. Espero ter mantido algumas características dele, e lapidado as piores. Porém, eu realmente não sei. Foram quase 5 anos muito intensos. Não só em relação ao blog, mas na minha vida. Todavia, sinto que chegou a hora de que o que eu penso, sinto, sou, não caber mais aqui, nesse espaço.
Sou muito grata a todos que passaram e contribuíram ao blog, de alguma forma, nesses 5 anos. Sou grata pelos comentários (mesmo os ofensivos e críticos, pois também me ensinaram algo), pelas pessoas que conheci através daqui, pelas que homenageei em meus textos... Aliás, falar de pessoas é essencial. De forma indireta, o blog também sempre foi sobre elas. As que me decepcionaram e as que me fizeram sorrir em algum momento. Sou grata por cada uma. Todas me ensinaram. Todas deixaram pedacinhos de vivências comigo. Acho mesmo que sou grata por cada sorriso e por cada lágrima que desabafei nos textos do meu blog. Foi dando a ele esse nome tão incomum, Para Sempre ou Nunca, que descobri que nada é assim tão definitivo na vida. Nem para sempre. Nem nunca. Tudo ao tempo certo.
A partir de agora não escreverei mais nesse espaço... E pode ser que eu apareça para responder comentários nos primeiros tempos... Apesar disso, não descarto a ideia de criar algum outro cantinho, com outras ideias, dessa outra Kelly... e, nesse caso, farei questão de divulgar por aqui, de alguma forma. É importante ressaltar que o Para Sempre ou Nunca não ficará abandonado, não sairá do ar... Apenas, não terá mais postagens. E que, mesmo isso, pode ser temporário, já que eu estou mudando todos os dias. Porém, o mais provável é que ele permaneça encerrado, como uma fase, um ciclo, muito bonito, pelo qual tive de passar. Agora, viverei novas coisas. Soprarei em novos ares. E quero guardar um pouco dessa beleza (ou dessa forma de vê-la) só pra mim também. Como é do artista compartilhar vivências, certamente eu vou acabar dando o meu ar da graça em um outro espaço, em algum momento... Mas, por hora, os deixarei órfãos de minhas palavras.

E é isso. Assim se encerra o blog. (Assim se encerra o blog? Pois é, tem coisas na vida que não têm emoção). Muito obrigada a todos os que fizeram, de alguma forma, parte dele também. 

Uma espécie de oração


 Acordei com o coração em frangalhos. Ah, Pai, eu não devia ter desertado da vida naquela ocasião. Eu era um rapaz tão lindo...
Não posso esquecer aqueles olhos azuis. Não posso esquecer aquele eu de outra época, com o coração a soluçar sua dor aos 17 anos. Eu me tranquei naquela sala. Eu vi a porta branca se fechando. Eu meditei sobre o que ia fazer durante horas. A dor era límpida e profunda. Hoje eu acordei sentindo toda a dor dele de novo. Mas, foi diferente. Pela primeira vez em todos esses anos, me arrependi de ter feito aquilo. Aqueles olhos marejados tocaram a mim mesmo. Consegui me ver de fora... Para compreender a insanidade do que estava fazendo.
Quando essas lembranças me assombravam na adolescência, minha compreensão sobre o porquê do meu suicídio naquela vida eram pouco claras. Agora, embora ainda não tenha certeza do que me levou a tirar a própria vida, eu tenho ciência de que era um menino incompreendido e triste. E que trouxe um pouco daquela poesia comigo.
Essa manhã eu orei pela sua alma. Pela minha alma. Eu vi seu rosto tão claramente (meu rosto), e desejei, pela primeira vez em muitos anos, não ter cometido aquele ato desesperado. Hoje tudo seria diferente. Mas, eu fiz isso. “Nós” fizemos isso. E a sua lembrança agora é um impulso a superar toda adversidade sem desistir, jamais, de mim.
Agradeço a Deus a oportunidade de lembrar esse fato de uma vida pretérita. É que sei que, agora, posso fazer tudo diferente.